

Rentabilidade
Quanto a sua carteira rendeu, e a que custo.
Na Vesuvian todo número vem acompanhado do processo que o produziu, porque é o processo que indica se aquele desempenho é reproduzível. Um ano de retorno elevado pode ter decorrido de riscos que ninguém assumiria uma segunda vez conhecendo o custo, e nenhum percentual isolado revela isso. Os indicadores abaixo existem para que a próxima decisão seja tomada sabendo o que custou a anterior.
O erro raramente decorre de desatenção ou de falta de disciplina. São três formas de calcular que estão disponíveis em qualquer tela, transmitem confiança e devolvem números que não correspondem ao que a carteira de fato rendeu. Convém conhecer as três antes de confiar em alguma delas.
É a conta que quase todos fazem sem perceber: registra-se quanto havia, observa-se quanto há, e a diferença é tomada por rentabilidade. O saldo, porém, aumenta por duas razões distintas, e uma delas não é mérito de investimento algum.
Nesta carteira de exemplo, quase sete décimos do que apareceu no extrato foi dinheiro depositado. Quem interpreta o saldo como desempenho atribui à alocação o mérito da poupança.

110,6 pontos percentuais de diferença.
O nome técnico é retorno ponderado pelo tempo, e o princípio é simples: a cada entrada ou saída de dinheiro, a série é interrompida naquele ponto. Cada trecho passa a render isoladamente, sobre o montante que tinha no início, e ao fim os trechos se multiplicam.
Com a série interrompida, o depósito deixa de se confundir com resultado: ele altera o tamanho do trecho seguinte, nunca a rentabilidade do anterior. É o mesmo cálculo que fundos e gestoras adotam para se comparar entre si, e é essa a razão de existir dele.
A pergunta inicial, e a única que a maioria das telas se propõe a responder. Aqui ela chega depurada de depósito e de resgate: o que se apresenta é o resultado das decisões de alocação, não o do esforço de poupança.
A curva que conduz ao número importa tanto quanto ele. Dois investidores podem encerrar o período no mesmo ponto após percursos cuja tolerância exigida foi incomparável.
Resultado sem referência não informa. O mesmo ganho pode ter sido notável ou insuficiente conforme o que o dinheiro renderia sem risco, e é a régua escolhida que determina a leitura.
Por isso a comparação nunca se faz contra uma referência única. Nesta carteira de exemplo, a resposta muda de sinal conforme a régua: ficou à frente do Ibovespa e do CDI, e consideravelmente atrás do S&P 500 no mesmo período.
O retorno acumulado é o resumo do desfecho. O percurso é o que se teve de atravessar até ele, e é o percurso que explica por que a venda costuma ocorrer no pior momento.
Mês a mês, o desenho se torna evidente: onde a carteira acumulou perdas consecutivas, quanto tempo levou para retomar o topo anterior, e se o resultado do ano decorreu de constância ou de um único mês excepcional.
Toda rentabilidade foi obtida ao preço de alguma oscilação. A pergunta pertinente não é quanto rendeu, e sim quanto de risco custou cada ponto percentual apurado ao fim.
Retorno elevado com risco na mesma medida não demonstra competência; demonstra exposição. O índice de Sharpe registra essa distinção, ao dividir o excedente sobre o CDI pela amplitude da oscilação. O Sortino procede da mesma forma, considerando apenas a oscilação negativa, que é a que de fato preocupa.
Resultado obtido por acaso e resultado obtido por método são indistinguíveis na linha final. Só se separam quando o número é decomposto: que classe sustentou o desempenho, que classe o conteve, e quanto do conjunto dependeu de uma única posição.
Contribuição é peso multiplicado por retorno, e é por isso que costuma contrariar a intuição. Uma posição pequena com desempenho extraordinário quase não altera o total; uma classe grande com desempenho modesto o altera de forma relevante.
Carteiras individuais ou somadas, com o cálculo refeito para a combinação escolhida em vez de repartido por proporção. Um consolidado é uma média, e a média é precisamente onde as distinções relevantes deixam de aparecer.
O mesmo período. Três realidades.
Os +9,0% do consolidado descrevem um ano que nenhuma das três carteiras viveu. Quem olhou só para ele passou o ano inteiro sem saber que uma ponta rendia mais que o dobro da outra, e que uma terceira estava perdendo dinheiro.
Por isso todo indicador da tela se refaz quando o recorte muda: o Sharpe da carteira internacional não é uma fatia do Sharpe geral, é outro cálculo, sobre outra série. Experimente trocar abaixo.
Desempenho por recorte
Troque a carteira e veja os quatro números serem refeitos.
Carteira aqui é recorte seu, não sugestão nossa
Uma carteira, na Wallet, é apenas uma forma de separar o que você já tem para poder olhar em separado. Não vem com composição sugerida, nem com meta, nem com opinião sobre o que deveria estar dentro dela. Recortes que costumam valer a pena:
- o que está no exterior
- a ponta de cripto
- a previdência
- o dinheiro que já tem data para sair
Toda medida de desempenho é uma escolha de método antes de ser um número, e métodos distintos produzem resultados distintos sobre exatamente os mesmos dados. Estas são as nossas escolhas, declaradas em detalhe, para que a discordância seja possível com conhecimento de causa.
O número principal é o retorno ponderado pelo tempo. Ele interrompe a série a cada entrada e saída de dinheiro, faz cada trecho render isoladamente e multiplica os trechos ao fim, de modo que depositar em um mês favorável ou desfavorável não altera o resultado exibido.
Há uma segunda medida, o retorno ponderado pelo dinheiro, que responde a outra pergunta: quanto o capital do investidor rendeu, com o efeito do momento de cada depósito incorporado. É informação útil, e mede tanto o acerto de momento quanto a escolha de ativo. Por isso não ocupa o topo da tela.
Dividendo, juro sobre capital próprio e rendimento entram como saldo em caixa na carteira que os recebeu, e nenhum reinvestimento é feito automaticamente. O patrimônio soma ativos e caixa, de modo que o dinheiro permanece contabilizado enquanto não é aplicado.
Havendo compra com esse recurso, o registro deve ser feito na data em que ela ocorreu: o caixa é consumido e a nova posição aparece com o custo correto. O reinvestimento automático produziria um gráfico mais favorável e exibiria uma carteira que não corresponde à real.
Ativo em moeda estrangeira é convertido para real usando o câmbio de cada data da série, e não o câmbio atual aplicado retroativamente. Converter tudo pela cotação de hoje reescreveria o passado inteiro a cada manhã.
A consequência é que o retorno em real de um ativo no exterior acumula dois efeitos: o do papel e o da moeda. Ambos pertencem ao investidor, e é por isso que aparecem somados. Quando a comparação se dá contra um índice em dólar, a tela informa que a régua está em outra moeda.
A série é construída sobre preços de fechamento, num ponto por dia. Durante o pregão os valores mostrados continuam sendo os do último fechamento disponível, e nenhum indicador de risco é recalculado a cada oscilação intradiária.
Não se trata de limitação técnica, e sim de escolha. Volatilidade, drawdown e Sharpe apurados sobre preço intradiário produzem números que se alteram diversas vezes ao dia e não sustentam decisão de longo prazo.
Quando uma carteira nova integra um consolidado, o patrimônio total registra um salto que não corresponde a rentabilidade alguma. A regra é direta: em período consolidado, só entram no cálculo de retorno os dias em que todas as carteiras somadas já existiam.
Na prática, o consolidado utiliza a interseção dos históricos. Os dias anteriores à carteira mais recente permanecem visíveis como patrimônio e ficam fora do cálculo de rentabilidade, de modo que abrir uma carteira nunca infla o desempenho do conjunto.
A ausência de histórico é sempre declarada
Fusão, incorporação e troca de código: a fonte de preços nem sempre preserva a série do papel anterior. Quando isso ocorre, o ativo passa a ter uma data a partir da qual há dado confiável, e essa data fica registrada no cadastro dele.
Solicitada uma janela que comece antes dessa data, a tela exibe o aviso e exclui o ativo dos dias em que não há preço, em vez de projetar o último valor conhecido para trás e produzir uma linha reta que nunca existiu.
Preferimos apresentar o número com a ressalva à vista a apresentar um número íntegro na aparência e impossível de auditar.


