BDR é um recibo negociado em reais na B3 que representa um ativo do exterior, em geral uma ação. O preço do recibo acompanha a ação e o dólar, e a compra não pede remessa nem conta lá fora. Na venda, o lucro paga 15% de imposto desde o primeiro real, sem a isenção mensal de R$ 20 mil da ação brasileira.
BDR é a sigla de Brazilian Depositary Receipt, ou recibo de depósito brasileiro. O recibo é emitido no Brasil, cotado em reais e negociado na B3, no horário do pregão brasileiro. Para comprá-lo, basta uma conta numa corretora brasileira, onde o código aparece como o de qualquer ação daqui.
O recibo existe desde 2006, criado pela instrução 332 da CVM, a Comissão de Valores Mobiliários. Até 2020, só o investidor qualificado, com mais de R$ 1 milhão aplicado, podia comprá-lo. Naquele ano, a CVM abriu o BDR ao investidor de varejo.
O imposto que vale é o do recibo, e não o da ação que ele representa. O BDR paga como ação brasileira, mas sem a isenção mensal que a ação daqui tem. O dividendo, por sua vez, chega já descontado do imposto retido nos EUA. Quem escolhe um BDR escolhe, junto com a empresa, um regime de imposto.
Cada recibo corresponde a uma fração da ação, pela paridade, a proporção entre recibos e ações. A paridade divide uma ação cara lá fora em recibos de preço menor. No exemplo que a B3 dá no relatório anual de BDRs de 2025, uma ação de US$ 1.000 é dividida em recibos de US$ 10 cada.
Cotado em reais, o recibo anda com a ação e com o câmbio ao mesmo tempo. No exemplo abaixo, a ação sobe 10% em dólar e o dólar cai 10% contra o real no mesmo período:
A ação sobe 10% em dólar, o dólar cai 10%, e R$ 100 no BDR viram R$ 99
A alta da empresa some no câmbio, e quem olha só o extrato em reais vê o recibo abaixo de onde começou. Comprar um BDR é, portanto, escolher uma ação e uma moeda de uma vez. Não prevemos o câmbio. O que se pode medir é quanto dólar a carteira já tem, e cada recibo comprado soma mais dele.
O BDR patrocinado é emitido com a participação da empresa estrangeira cuja ação ele representa. O não patrocinado é emitido só pela instituição depositária, sem a participação da empresa. Na corretora, os dois se compram da mesma forma, em reais e no horário da B3.
O final do código de negociação diz qual dos dois está na tela. Pela convenção que o InfoMoney descreve, os terminados em 32 e 33 são patrocinados, de níveis II e III. Os terminados em 34 e 35 são não patrocinados, e o NVDC34, recibo da Nvidia, está nesse grupo.
Para o imposto, a distinção não muda a conta. A alíquota sobre o ganho na venda, que vem mais abaixo, é a mesma para os quatro finais de código.
A abertura ao varejo, em 2020, é o ponto de partida da série da B3. De 2020 a 2025, o número de recibos listados passou de 608 para 835, alta de 37%. O estoque, o valor em reais que os investidores guardam nos recibos, cresceu bem mais depressa, assim como o volume negociado:
| Indicador | 2020 | Ano intermediário | 2025 |
|---|---|---|---|
| Estoque em BDRs | R$ 16 bilhões | R$ 33 bilhões (2024) | R$ 50 bilhões |
| Volume médio negociado por dia | R$ 124 milhões | R$ 417 milhões (2023) | R$ 985 milhões (outubro) |
| Investidores | 131 mil | 1.865 mil (2022, o pico) | 996 mil (outubro) |
O estoque de 2025 é 3,1 vezes o de 2020, e o volume diário, quase oito vezes. Os investidores seguiram outra curva. Eles se multiplicaram por 14 até o pico de 2022 e, desde então, perderam 869 mil pessoas, quase metade do que eram.
Parte do crescimento do estoque não é dinheiro novo. Ele se mede em reais e sobe quando as ações lá fora se valorizam ou quando o dólar se fortalece, mesmo sem nenhuma compra. O número de investidores não depende de preço: de 2024 para 2025, ficou praticamente parado, de 1.003 mil para 996 mil, enquanto o estoque cresceu 52%.
Na venda com lucro, o BDR paga 15% sobre o ganho numa operação comum. No day trade, a compra e a venda no mesmo dia, a alíquota é de 20%, como mostra o guia da B3 sobre a declaração de BDRs. A diferença para a ação brasileira está na isenção. A ação daqui não paga imposto no mês em que as vendas somam até R$ 20 mil, e o BDR não tem essa faixa.
O imposto é devido desde o primeiro real de lucro, e quem o recolhe é o próprio investidor, pelo DARF, a guia de pagamento de tributos federais. Numa venda pequena, a conta fica assim:
R$ 100 de lucro numa venda de R$ 5.000 em BDR pagam R$ 15 de DARF
Numa ação brasileira, a mesma venda não geraria DARF nenhum. A falta da isenção pesa em quem vende pouco por mês. Acima de R$ 20 mil em vendas no mês, a ação daqui também paga 15%, e a diferença entre as duas desaparece. As alíquotas dos outros investimentos estão lado a lado no artigo sobre imposto de renda.
O dividendo segue outro caminho. Quando a empresa é americana, os EUA retêm 30% na fonte, e o que sobra chega ao investidor em reais:
De cada R$ 1.000 de dividendo americano, o BDR entrega R$ 700
O que chega é declarado como rendimento do exterior. Como a retenção de 30% supera os 15% que o Brasil cobraria, não há imposto a pagar aqui, e a diferença também não volta. A conta de quanto chega numa empresa que distribui muito está no artigo sobre dividendos de BDR.
O BDR é um dos três caminhos até a ação de fora, ao lado do ETF na B3 e da conta numa corretora no exterior. Cada caminho tributa o ganho e o dividendo de um jeito, e por isso a comparação dos três começa pelo imposto.
Para quem vende pouco e com frequência, o regime do BDR tem um custo em reais. Num exemplo, R$ 3.000 de lucro num ano, todo em meses com vendas abaixo de R$ 20 mil, pagam R$ 450 de DARF no BDR. Em ações brasileiras, o mesmo lucro não pagaria nada.
Fontes
- Relatório anual de BDRs 2025 (B3) (31 de dezembro de 2025)
- Como declarar BDRs no imposto de renda 2026: guia completo (B3, Bora Investir) (20 de outubro de 2026)
- BDR: o que são os Brazilian Depositary Receipts (InfoMoney) (14 de setembro de 2022)
Este artigo é análise da Vesuvian, publicada com fins informativos. Não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo, nem promessa ou projeção de rentabilidade. Toda decisão de investimento é de responsabilidade de quem a toma. Rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Produzido pela Equipe Vesuvian com uso de inteligência artificial e revisão editorial. Veja a política editorial.
