Quando uma exchange de criptomoedas fecha avisando, o saldo segue um calendário publicado. Primeiro param as ordens, depois o saque em cripto, e o que sobra vira reais na data que a corretora escolhe. Na Coinext, o último saque em cripto é 20 de outubro de 2026. As saídas vêm da regra do Banco Central: a corretora sem pedido de autorização até 30 de outubro tem 30 dias para encerrar.
Uma corretora de cripto que deixa o varejo com aviso não desliga tudo num dia. Ela fecha as saídas uma de cada vez, em datas publicadas. Primeiro param as ordens de compra e venda, depois o saque em cripto. O que sobrou na conta a própria corretora converte em reais, e o dinheiro volta ao cliente até uma data final.
Funciona como o desligamento programado de um servidor. Ele para de aceitar gravações e, depois, fecha a leitura. O que ninguém copiou a tempo sai exportado num formato que o dono não escolheu. Na corretora, a gravação é a ordem, a leitura é o saque em cripto, e o formato imposto são os reais.
A Coinext, que soma mais de 420 mil clientes desde 2017, publicou as quatro datas. As ordens vão até 15 de outubro de 2026, e o saque em cripto, até 20 de outubro. A conversão automática para reais começa em 26 de outubro, e a devolução termina até 30 de novembro. Em 13 de outubro, faltam dois dias para a última ordem e sete para o último saque.
Na Coinext, a cripto não sacada até 20 de outubro vira reais a partir do dia 26
A NovaDAX usou o mesmo desenho com folga menor. O saque em cripto fechou em 30 de agosto, e a conversão começou dois dias depois, em 1º de setembro. A Coinext põe seis dias entre o último saque e a conversão; a NovaDAX pôs dois.
A conversão para reais é uma venda. A corretora vende a cripto que ficou na conta, no dia e ao preço da execução dela, e credita os reais. O cliente não escolhe o dia, o preço nem se queria vender.
No calendário da Coinext, quem quer vender por conta própria tem até o fim das ordens. Entre o fim das ordens e o último saque, a única saída que o cliente controla é transferir a cripto para fora. Depois do último saque, a moeda fica parada na conta até a conversão, e o dono não tem mais o que fazer.
Não sabemos se o bitcoin valerá mais ou menos no dia da conversão do que na semana anterior, e a corretora também não sabe. O custo certo é outro. Quem queria continuar em cripto sai do ativo sem ter decidido. Para voltar, precisa comprar de novo e pagar outra vez o custo da compra.
Por ser uma venda, a conversão entra na apuração do ganho com cripto do mês em que acontece. O guia do imposto sobre criptomoedas em 2026 mostra como se calcula esse ganho e quando há isenção. A transferência para outra carteira não troca a moeda por reais: o cliente segue com a mesma cripto.
As saídas têm uma causa comum: a regra do Banco Central para as prestadoras de serviços de ativos virtuais. São as empresas que intermediam e guardam cripto para clientes. As Resoluções BCB 519, 520 e 521 foram publicadas em 10 de novembro de 2025 e valem desde 2 de fevereiro de 2026. Elas exigem autorização prévia, capital mínimo, sede física e controles contra lavagem de dinheiro.
O capital exigido vai de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, segundo o InvestNews. Quem já operava recebeu 270 dias para protocolar a fase 1 do pedido de autorização. Contados de 2 de fevereiro, os 270 dias terminam em 30 de outubro de 2026. É a data que aparece em todo comunicado do setor.
O InvestNews estima entre 150 e 200 empresas de cripto no país, das quais só 20 a 25 cumpririam as exigências. No caso mais apertado, 20 de 200, ficam 10%; no mais folgado, 25 de 150, perto de 17%. Pela mesma estimativa, de 83% a 90% do setor fica de fora.
A Brasil Bitcoin, ela própria uma corretora, contou cinco saídas do varejo entre maio e setembro. A Trademap contou de outro jeito e chamou a Coinext de quarta saída desde abril.
O calendário da Coinext existe porque ela decidiu sair e publicou as datas. O risco que esse calendário não cobre está na corretora que segue aberta sem protocolar o pedido no prazo. Pela análise do escritório Cepeda Law, ela passa a ter 30 dias para encerrar. Contados de 30 de outubro, esses dias terminam em 29 de novembro de 2026.
As instituições autorizadas, além disso, ficam impedidas de certas operações com prestadoras sem autorização ou sem pedido em curso. A corretora nessa situação pode perder, no meio do caminho, os parceiros autorizados com quem opera. Para o cliente, o prazo passa a ser o da regra, e não um cronograma com dias de folga entre um corte e outro.
Se você tem saldo numa corretora de cripto, precisa de uma de duas informações dela: que protocolou o pedido, ou as datas da saída. Sem nenhuma das duas no fim de outubro, o prazo que vale para o seu saldo é o de 30 dias.
A cripto deixada numa corretora não está com o cliente. A chave privada, o código que autoriza mover a moeda na rede, fica com a empresa. O número na tela é a promessa de que ela entregará a moeda quando o cliente pedir. Isso é um crédito contra a corretora, e esse crédito não tem FGC, o fundo que garante depósitos em banco.
Num fechamento ordenado, a corretora paga esse crédito no calendário que publicou. Numa quebra, o crédito vira disputa, e o que o cliente recebe depende do que sobrou e de quem mais está na fila. Fundo próprio para cobrir perdas é decisão da empresa, e não garantia pública. Foi um fundo assim, da própria corretora, que cobriu o roubo na Bitget.
A Resolução 520 trata da custódia de criptomoedas nesse ponto. Segundo análise publicada pela Chambers, ela exige separar o ativo da corretora do ativo do cliente e admite o agrupamento só em hipóteses específicas. Pede também reconciliação diária, auditoria independente anual e teste anual de devolução em massa. O teste confere se a corretora consegue devolver o saldo a muitos clientes ao mesmo tempo.
A segregação responde a uma pergunta só: se a corretora quebrar, de quem é a cripto guardada. Com o ativo do cliente separado, a regra o afasta das dívidas da empresa. A reconciliação diária é feita pela própria corretora, e a conferência de fora vem uma vez por ano, na auditoria. A separação decide de quem é o bitcoin guardado; ela não põe na carteira o bitcoin que não está lá.
Antes do próximo corte, quem tem cripto numa corretora que está saindo tem cinco tarefas, de custódia e de imposto.
- Ler o comunicado da corretora e anotar a situação dela: pedido protocolado no Banco Central, ou cronograma de saída com a data de cada corte.
- Exportar o histórico de operações enquanto o acesso funciona. Compras, vendas, depósitos e saques provam o custo de cada moeda na apuração do imposto.
- Deixar o destino pronto antes do corte: o endereço da carteira própria ou a conta em outra corretora.
- Transferir a cripto antes do último dia de saque, se a intenção é continuar com ela.
- Não passar chave, senha nem frase de recuperação a quem oferecer ajuda com o saque. A corretora que está fechando não precisa delas para devolver o saldo.
O destino é a decisão maior da lista. Na carteira própria, a chave passa a ser sua, e com ela o risco de perdê-la; a corretora comunica ao Coaf as transferências de US$ 10 mil ou mais para carteira autocustodiada. Em outra corretora, o crédito só muda de devedor. O guia de onde guardar criptomoedas compara a carteira própria, a corretora e o ETF pelo que cada um protege.
Se a cripto acabar convertida, a conversão entra no histórico como uma venda, com a data, a quantidade de cada moeda e os reais recebidos. Registrar essa venda junto das compras que a originaram é o que permite apurar o ganho do mês em que ela aconteceu.
Fontes
- Corretoras de criptomoedas encerrando operações no Brasil (3 de setembro de 2026)
- Coinext encerra operações no varejo: cronograma de ordens, saque e conversão (3 de setembro de 2026)
- Banco Central regula criptoativos, barra algoritmos e exige capital de R$ 10,8 milhões (10 de novembro de 2025)
- Por que tantas exchanges de criptomoedas estão fechando no Brasil? (18 de setembro de 2026)
- SPSAVs: a contagem regressiva para 30 de outubro de 2026 (13 de outubro de 2026)
- Anbima divulga diretrizes para a custódia de ativos virtuais (10 de novembro de 2025)
Este artigo é análise da Vesuvian, publicada com fins informativos. Não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo, nem promessa ou projeção de rentabilidade. Toda decisão de investimento é de responsabilidade de quem a toma. Rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Produzido pela Equipe Vesuvian com uso de inteligência artificial e revisão editorial. Veja a política editorial.
