A taxa de administração dos ETFs de bitcoin da B3 vai de 0,25% a 0,75% ao ano. Em R$ 10 mil, são de R$ 25 a R$ 75. O imposto pesa mais: 15% sobre o ganho, sem a isenção das ações, ou R$ 1.500 num ganho de R$ 10 mil. O que separa um fundo do outro é a estrutura: quantos fundos e custodiantes ficam entre a cota e a chave.
Os dois custos chegam por caminhos diferentes. A taxa de administração sai da cota um pouco por dia, sobre o patrimônio, enquanto você for cotista. O imposto incide uma vez, na venda, e só sobre o ganho.
A conta abaixo compara o IBIT39, o BITH11 e o QBTC11 com o HASH11, que aparece nas mesmas listas e segue outra carteira, como mostra a seção seguinte. Ela usa R$ 10.000 investidos e uma hipótese simples para o imposto: a posição dobra e é vendida, com ganho igual ao valor aplicado.
O imposto sobre um ganho de R$ 10.000 equivale a 20 a 60 anos de taxa
Entre o fundo mais barato e o mais caro da conta, a diferença de taxa é de R$ 50 por ano. A taxa se repete todo ano. Em cinco anos, com o patrimônio parado em R$ 10 mil, essa diferença soma R$ 250, um sexto do imposto da conta. Escolher entre os quatro pela taxa mexe numa parte pequena do custo, e o que os separa está na carteira e na estrutura de cada um.
Quem ainda decide entre o ETF e a compra direta numa corretora de cripto encontra os dois caminhos, da abertura da conta à primeira compra.
A taxa de administração do próprio HASH11 é de 0,3% ao ano, e é ela que está na conta acima. Somada à do fundo em que ele investe, a cobrança pode chegar a 1,3% ao ano, o teto que a Hashdex publica. Em R$ 10 mil, são de R$ 30 a R$ 130 por ano. Tabelas de corretoras e portais publicam o 1,3% como a taxa do fundo, e a versão anterior deste texto, de setembro, fez a mesma troca.
Mas a taxa é o detalhe menor do HASH11. Ele segue o Nasdaq CME Crypto Index, um índice de várias criptomoedas, e chega a esse índice por cotas do Hashdex Nasdaq CME Crypto Index ETF, um fundo constituído nas Ilhas Cayman. Estar na lista o torna um ETF de bitcoin no sentido em que um fundo de Ibovespa é um fundo de Petrobras, e há ainda o ETF de bitcoin treasuries, que compra ações de empresas com bitcoin no balanço.
A diferença de carteira aparece no retorno. Pelos números da Economatica publicados pela Toro, em 2024 o BITH11, que segue o bitcoin, rendeu 175,43%, o QBTC11, 169,06%, e o HASH11, 157,07%. Em outubro daquele ano, o HASH11 tinha R$ 2,867 bilhões de patrimônio, quase o triplo do R$ 1,003 bilhão do BITH11. Em 8 de outubro de 2026, tinha R$ 2,65 bilhões.
Dos 18,36 pontos entre BITH11 e HASH11 em 2024, a taxa explica no máximo 1,54
Mesmo na conta mais desfavorável ao HASH11, a taxa responde por menos de um décimo da distância. Os outros 16,82 pontos vêm da carteira: em 2024, a cesta de várias moedas rendeu menos que o bitcoin sozinho. Num ano em que as outras moedas da cesta sobem mais que o bitcoin, a ordem se inverte, e quem compra HASH11 querendo bitcoin leva outra carteira nos dois casos.
Na B3, o que se compra é um direito sobre um fundo, e não sobre a moeda. No HASH11, a cadeia tem três elos até a cripto. Você tem cotas do HASH11, o HASH11 tem cotas do fundo nas Ilhas Cayman, e esse fundo tem as criptomoedas. O Banco Genial é o custodiante do fundo brasileiro e guarda o que ele tem, que são cotas; a chave privada das moedas fica um elo abaixo, com quem custodia o fundo de Cayman.
O BITH11 repete o desenho, com o bitcoin no lugar do índice. Ele põe no mínimo 95% do patrimônio em cotas do Hashdex Nasdaq Bitcoin ETF, e o Banco Genial administra e custodia o BITH11. O IBIT39 chega por outra porta: é um BDR, um recibo emitido no Brasil que representa cotas do iShares Bitcoin Trust, o IBIT, ETF de bitcoin da BlackRock nos Estados Unidos. O recibo estreou em 1º de março de 2024, como anunciaram a B3 e a BlackRock em fevereiro daquele ano.
Nos três fundos, a cota da B3 aponta para outro fundo, com taxa de 0,25% a 0,7% ao ano
A cadeia funciona como um link encurtado que leva a outro link. Você clica no primeiro, mas quem decide se a página abre é o servidor do último. Nos três fundos, a chave privada fica pelo menos dois elos abaixo da cota, e cada elo é uma instituição que precisa cumprir o seu papel para a cota valer o que representa.
O risco dessa cadeia é de contraparte, ou seja, de gestora, administrador e custodiante. O protocolo do bitcoin funciona igual para todos. Quem prefere ter a chave consigo, sem elo no meio (o que a prova de reservas da Binance não garante a quem deixa o saldo na corretora), troca esse risco pelo de perdê-la, e as formas de guardar cripto, da corretora à carteira própria, põem os dois riscos lado a lado.
O IBIT, o fundo por trás do IBIT39, é um dos ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos, os fundos que compram e guardam o próprio bitcoin. Em 4 de setembro de 2026, esses ETFs tiveram entrada líquida de US$ 730,8 milhões, e US$ 454 milhões foram para o IBIT, 62,1% do dia, segundo a InvestNews. Em 8 de outubro, o sentido se inverteu: saíram US$ 484,9 milhões, o maior resgate líquido desde 25 de junho. O IBIT respondeu por US$ 207,7 milhões dessa saída, ou 42,8%, pelos números do Cointelegraph.
Entrada e saída, num ETF à vista, medem bitcoin que passa pela custódia dos fundos: quando cotas são criadas, o fundo compra; no resgate, vende. Os dois dias mostram o mesmo fundo no centro do canal, para cima e para baixo. Não sabemos para onde o preço vai, e esses números não dizem. Eles mostram quanto do dinheiro que entra e sai passa por um fundo só.
Para quem tem IBIT39, a taxa mais baixa da lista vem junto com essa concentração. O recibo na B3 depende da mesma gestora e da mesma cadeia de custódia por onde passa boa parte do fluxo americano. Um problema num elo dessa cadeia chega ao fundo de origem e ao BDR ao mesmo tempo, e comprar o IBIT39 em duas corretoras muda a corretora sem mudar esse elo.
O ETF de cripto na B3 segue a regra do ETF de renda variável: 15% sobre o ganho na operação comum e 20% no day trade, a compra e a venda no mesmo dia. Nenhum dos dois casos tem a isenção de R$ 20 mil por mês das ações. O imposto nasce na primeira venda com lucro, seja qual for o valor vendido no mês.
O cálculo e o pagamento ficam com você. Você apura o ganho do mês, emite o DARF com o código 6015 e paga até o último dia útil do mês seguinte ao da venda. Numa venda com lucro em outubro, o prazo vai até o último dia útil de novembro. Num ganho de R$ 10 mil feito em day trade, a alíquota de 20% leva R$ 2.000, e não R$ 1.500.
A cripto comprada direto numa corretora segue outro regime, e quem tem os dois apura cada um à parte: o ganho do ETF não entra na conta das vendas feitas na corretora de cripto. O que mudou no imposto de cripto em 2026 cobre esse outro lado.
Ficam duas tarefas para quem tem ETF de bitcoin na B3. A primeira é guardar o preço e a quantidade de cada compra de cota, porque o ganho sai do preço médio, e o DARF sai do ganho; a posição consolidada mostra o preço médio de cada ativo a partir das compras registradas. A segunda é saber quem está em cada elo até a chave. No IBIT39, são a BlackRock e a custódia do fundo americano; no HASH11 e no BITH11, a Hashdex, o Banco Genial e o fundo de baixo.
Fontes
- Hashdex: página do HASH11 (taxa de 0,3%, teto de 1,3%, patrimônio e estrutura em duas camadas) (8 de outubro de 2026)
- Hashdex: página do BITH11 (taxa máxima, fundo-alvo e Banco Genial) (12 de outubro de 2026)
- B3 Bora Investir: BlackRock e B3 anunciam o primeiro BDR de ETF atrelado ao bitcoin (29 de fevereiro de 2024)
- brapi: ETFs de criptomoedas na B3, guia 2026 (taxa do QBTC11) (1 de janeiro de 2026)
- Renova Invest: tributação de ETF (15%, 20% no day trade, DARF 6015) (12 de outubro de 2026)
- Toro Investimentos: ETF de criptomoedas, retornos de 2024 e patrimônio (dados da Economatica) (31 de dezembro de 2024)
- InvestNews: bitcoin volta aos US$ 81 mil com ajuda do Fed e dos ETFs (4 de setembro de 2026)
- Cointelegraph: ETFs de bitcoin têm a maior saída desde junho (8 de outubro de 2026)
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