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Moeda de bitcoin ao lado de uma calculadora

Imposto criptomoedas 2026: isenção até R$ 35 mil, 15% lá fora

Equipe Vesuvian9 min de leitura

Em 2026, o imposto sobre criptomoedas depende de onde e de quanto se vende. Na corretora brasileira, vendas de até R$ 35 mil no mês são isentas; acima disso, o ganho paga de 15% a 22,5%. Na estrangeira, paga 15% na declaração anual, sem isenção. As alíquotas são as de 2025; desde julho, a corretora brasileira informa à Receita, todo mês, as operações de cada cliente.

Quanto se paga de imposto sobre criptomoedas em 2026

São duas regras, e quem decide qual vale é o lugar da venda. Numa corretora com sede no Brasil, a conta é mensal. Se o total vendido em criptoativos no mês fica em até R$ 35 mil, o ganho é isento. Se passa disso, o ganho do mês paga imposto, com alíquota de 15% a 22,5%, e a maior vale para os ganhos mais altos. O imposto sai por DARF, a guia de recolhimento da Receita, até o último dia útil do mês seguinte ao da venda.

Numa corretora estrangeira, não há isenção mensal. Pela Lei 14.754, de dezembro de 2023, o ganho paga 15% fixos, qualquer que seja o total vendido. O ganho é apurado no ano e pago na declaração anual. O mesmo lucro, portanto, pode pagar zero ou 15%, conforme a corretora e o total vendido no mês. As duas regras são próprias da cripto: o imposto das outras classes, de ações a renda fixa, segue outras tabelas.

A isenção de R$ 35 mil mede o que se vende, não o que se lucra

O limite mensal olha para o total das vendas do mês, o dinheiro que entra na conta, e não para o lucro dentro delas. Por isso, duas vendas com o mesmo ganho podem cair em lados opostos da linha. Numa corretora de fora, a linha nem existe. A conta abaixo fixa um ganho de R$ 10.000 e muda só duas coisas: quanto se vendeu e onde.

O mesmo ganho de R$ 10.000 paga R$ 0 ou R$ 1.500, conforme o total vendido e a corretora

No Brasil, venda de R$ 34.000
No Brasil, venda de R$ 36.000
Lá fora, venda de R$ 34.000
Total vendido no mês
R$ 34.000
R$ 36.000
R$ 34.000
Custo das moedas vendidas
R$ 24.000
R$ 26.000
R$ 24.000
Ganho na venda
R$ 10.000
R$ 10.000
R$ 10.000
Limite de vendas isentas no mês, só no Brasil
R$ 35.000
R$ 35.000
R$ 35.000
Ganho que paga imposto
R$ 0
R$ 10.000
R$ 10.000
Imposto devido
15%R$ 0
15%R$ 1.500
15%R$ 1.500
Exemplo com uma única venda no mês e no ano, e o mesmo ganho nas três colunas. Na primeira, o total vendido fica abaixo do limite mensal e o ganho é isento; na segunda, passa dele, e o ganho inteiro paga a alíquota de 15%; na terceira, em corretora estrangeira, não há isenção. Fonte: Nubank, 27/7/2026.

Entre a primeira e a segunda coluna há R$ 2.000 a mais de venda e o mesmo ganho, e o imposto vai de zero a R$ 1.500. Passar do limite não tributa só o excedente: o ganho do mês inteiro perde a isenção. A terceira coluna repete a venda da primeira e cobra o imposto da segunda, porque a regra de fora não pergunta quanto se vendeu.

Como a soma recomeça a cada mês, a data da venda também decide. Num exemplo, duas vendas de R$ 20 mil no mesmo mês somam R$ 40 mil e perdem a isenção. Feitas em meses diferentes, as duas ficam isentas.

Quem tem bitcoin por meio de ETF na B3 fica fora desta conta. A cota do fundo segue a regra do ETF, que não tem isenção mensal, e não a da venda direta de cripto.

DeCripto: desde julho, a Receita Federal recebe as operações mês a mês

A novidade de 2026 está no caminho que a venda faz até a Receita. A Instrução Normativa 2.291, publicada em 14 de novembro de 2025, trocou o reporte que vigorava desde 2019 pela DeCripto. É a declaração de criptoativos no padrão CARF, sigla em inglês do modelo de reporte de criptoativos da OCDE, adotado por mais de 70 jurisdições.

A DeCripto entrou em duas etapas. Desde 1º de janeiro de 2026, as corretoras brasileiras fazem a due diligence que o padrão exige, a checagem de quem é cada cliente. Desde 1º de julho, reportam à Receita, todo mês e cliente a cliente, as operações feitas.

Para quem opera numa corretora brasileira, toda venda chega à Receita pelo relatório da corretora, inclusive a que passa do limite mensal. O relatório traz o nome do cliente e o mês, e não depende de o contribuinte emitir o DARF. O que o contribuinte paga e declara passa a ser conferido contra esse registro.

Em 2027, a Receita passa a receber os dados das corretoras estrangeiras

A regra de fora era a que mais dependia do contribuinte. Com o ganho apurado só na declaração anual, a venda lá fora chegava à Receita pelo que o dono da conta informasse. No Brasil, a corretora grava cada operação, como um servidor que guarda o log de cada acesso. Fora, quem escrevia esse log era o próprio contribuinte.

Em 2 de setembro de 2026, o secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, disse que a troca de dados de criptoativos com outros países começa em 2027. A troca segue o mesmo padrão CARF. A corretora reporta ao fisco do país onde opera, e esse fisco repassa ao Brasil os dados de residentes brasileiros. A corretora estrangeira passou anos descrita como o lugar onde a Receita não olha. A partir de 2027, a Receita olha pelo fisco do país dela.

As stablecoins, tokens que acompanham o dólar, são cerca de 80% do volume de criptoativos declarado no Brasil, quatro vezes o de todas as outras moedas somadas, bitcoin incluído. Para quem tem stablecoin numa corretora de fora, a venda passa a chegar à Receita em 2027. O que continua com o contribuinte é declarar o ganho com o custo certo.

O Banco Central cobra autorização da corretora, não imposto do cliente

A outra frente de 2026 não é fiscal. As Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, publicadas em 10 de novembro de 2025, regulam as prestadoras de serviços de ativos virtuais, as corretoras de cripto. Nenhuma delas toca na alíquota. A 519 entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026 e deu 270 dias para quem já operava pedir autorização. O prazo da primeira fase do pedido termina em 30 de outubro.

A autorização pede capital mínimo de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões. A partir de 6 de novembro de 2026, instituições autorizadas pelo Banco Central ficam proibidas de operar ativos virtuais com prestadoras sem autorização. Uma data mudou no caminho. O reporte mensal das casas de câmbio ao Banco Central, com as operações de ativos virtuais, estava previsto para maio, e a Resolução 574, de 18 de junho, o adiou para 3 de novembro.

Para quem tem saldo, a pergunta que o Banco Central levanta é de custódia, e não de imposto; sobre transferir para a própria carteira e a comunicação ao Coaf, há regra nova. Cripto numa corretora é um crédito contra ela, e o roubo na Bitget mostra como esse risco aparece. Depois de 6 de novembro, o saldo numa prestadora sem autorização continua sendo esse crédito, agora contra uma empresa com a qual nenhuma instituição autorizada pode mais operar.

As datas da Receita e do Banco Central, do começo de 2026 a 2027:

DataO que aconteceQuem faz
1º/1/2026Começa a due diligence da DeCriptoCorretoras no Brasil
2/2/2026Entra em vigor a Resolução 519Banco Central
1º/7/2026Reporte mensal à Receita, cliente a clienteCorretoras no Brasil
30/10/2026Fim da primeira fase do pedido de autorizaçãoPrestadoras de ativos virtuais
3/11/2026Começa o reporte de operações com ativos virtuais ao Banco CentralCasas de câmbio
6/11/2026Fim das operações com prestadoras sem autorizaçãoInstituições autorizadas
2027Troca de dados de criptoativos com outros paísesReceita e fiscos estrangeiros

Como declarar criptomoedas em 2026: o registro que só você tem

Nenhuma dessas datas muda a alíquota, e todas aumentam o que a Receita e o Banco Central sabem de cada venda. A declaração continua com o contribuinte. Quem tinha R$ 5.000 ou mais num mesmo tipo de criptoativo em 31 de dezembro de 2025 precisou declará-lo em 2026. O saldo vai na ficha Bens e Direitos, com ou sem venda no ano, e o imposto só aparece quando há venda com ganho.

A corretora informa a venda. O custo de cada compra, que separa o ganho do valor vendido, é o contribuinte quem comprova. Uma moeda comprada numa corretora e vendida em outra não leva esse custo junto. Três registros resolvem as duas regras:

  • O total vendido em cada mês, separado entre corretora no Brasil e lá fora: ele decide a isenção e o DARF do mês seguinte.
  • O custo de cada compra, com data e valor em reais: ele define o ganho nas duas regras.
  • O saldo de cada tipo de criptoativo em 31 de dezembro: ele diz quais passam do piso de R$ 5.000 da declaração.

Registrar cada compra e cada venda com data, valor e corretora deixa a conta do mês pronta antes do prazo do DARF. No exemplo das três colunas, é esse registro que mostra se o imposto sobre o ganho de R$ 10.000 é R$ 0 ou R$ 1.500.

Perguntas frequentes

Não precisa lançar o saldo em Bens e Direitos se cada tipo de criptoativo ficou abaixo de R$ 5.000 em 31 de dezembro. O piso vale para o saldo, e não para o imposto. Quem vendeu mais de R$ 35 mil num mês numa corretora brasileira deve o imposto sobre o ganho daquele mês, por DARF, mesmo que tenha zerado a posição antes do fim do ano. Em corretora estrangeira, o ganho vai à declaração anual.
A exigência do Banco Central é de autorização, e não de CNPJ. As Resoluções 519, 520 e 521, de novembro de 2025, dão às prestadoras de ativos virtuais que já operavam no país até 30 de outubro de 2026 para entregar a primeira fase do pedido. A partir de 6 de novembro, instituições autorizadas não podem operar ativos virtuais com prestadoras sem autorização. Nada disso muda o imposto de quem vende.
Não. A Medida Provisória 1.303, que mexeria na tributação, perdeu a validade em 8 de outubro de 2025. A isenção de R$ 35 mil no mês e as alíquotas de 15% a 22,5% seguiram valendo em 2026. O que mudou foi a fiscalização: a DeCripto, com reporte mensal das corretoras desde julho, e a troca de dados com outros países, marcada para 2027, que não traz alíquota nova.
Não. A DeCripto é o reporte que as corretoras brasileiras entregam à Receita todo mês, cliente a cliente. A declaração anual continua sendo do contribuinte, com o saldo de cada tipo de criptoativo e o ganho das operações em corretora estrangeira. O DARF das vendas acima de R$ 35 mil no mês também continua com ele. O reporte da corretora serve à Receita para conferir o que foi declarado e pago.

Fontes

  1. Imposto de Renda sobre criptomoedas (Nubank) (27 de julho de 2026)
  2. Criptoativos no Imposto de Renda 2026: o que declarar e como calcular (CNN Brasil) (15 de abril de 2026)
  3. RFB atualiza regulamentação de criptoativos para adaptá-la ao padrão internacional CARF da OCDE (COAD, sobre a IN RFB 2.291) (14 de novembro de 2025)
  4. Receita Federal vai cruzar dados de criptoativos com outros países em 2027 (BPMoney) (2 de setembro de 2026)
  5. Prazo do BC aperta cerco sobre ativos virtuais (Capital Aberto) (30 de outubro de 2026)
  6. Resoluções BCB 519, 520 e 521 sobre prestadoras de serviços de ativos virtuais (Mattos Filho) (10 de novembro de 2025)
  7. BC adia para novembro o reporte de cripto das casas de câmbio, Resolução 574 (Letsmoney) (18 de junho de 2026)
  8. Imposto sobre criptomoedas, com a regra da Lei 14.754 (iDinheiro) (12 de dezembro de 2023)
  9. Imposto de Renda 2026: como declarar criptomoedas com as novas regras (Estado de Minas) (8 de outubro de 2025)

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