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Tesouro Selic vale a pena: 8,8% acima do IPCA hoje, 3,6% na média

Equipe Vesuvian7 min de leitura

O Tesouro Selic vale a pena pelo que paga em outubro de 2026: 8,8% ao ano acima da inflação, antes do imposto. A conta usa a Selic de 13,75% e o IPCA de 4,58% em 12 meses. De 2010 a 2026, o CDI pagou 3,6% reais ao ano. Quem fica por anos recebe a média do ciclo, em que o indexado ao IPCA pagou 1,9 ponto a mais.

Quanto rende o Tesouro Selic hoje: R$ 877 acima da inflação em R$ 10 mil

A Selic está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro de 2026, quando o Copom fez o quinto corte seguido de 0,25 ponto. O Tesouro Selic rende essa taxa, acumulada dia a dia, com um prêmio pequeno: em 12 de outubro, o Tesouro Selic 2031 rendia Selic mais 0,0737% ao ano. Do outro lado da conta está o IPCA, que o IBGE mediu em 4,58% nos 12 meses até setembro.

Juro e inflação se compõem, e por isso o juro real sai de uma divisão, e não de uma subtração. A conta divide o fator da Selic, 1,1375, pelo fator do IPCA, 1,0458, e tira 1 do resultado. A subtração simples daria 9,2 pontos, mais do que o dinheiro ganha em poder de compra.

O Tesouro Selic paga 8,8% acima do IPCA, 5,2 pontos sobre a média do CDI desde 2010

Fator da Selic
13,75%1,1375
Fator do IPCA
4,58%1,0458
Juro real bruto ao ano
8,77%
Ganho de poder de compra no valor aplicado
R$ 10.000R$ 876,84
Acima da média real do CDI de 2010 a 2026
3,6%5,17 pontos
Hipótese de exercício: R$ 10.000 aplicados por um ano, com a Selic e o IPCA acumulado parados nos níveis de outubro de 2026. Juro real bruto, antes do imposto de renda. A média do CDI é da pesquisa da XP com o Insper publicada pelo Brazil Journal em 15/9/2026. Fonte: IBGE, via Agência Brasil, 9/10/2026.

Esse juro real desconta a inflação que já passou. O que desconta a inflação esperada se chama juro real ex-ante, e a série diária do juro real ex-ante do Brasil mostra como ele andou dia a dia.

O número também é bruto. O imposto de renda incide sobre o rendimento nominal inteiro, inflação incluída. Por isso ele tira do juro real uma fatia maior que a própria alíquota. O artigo sobre imposto de renda nos investimentos traz a tabela regressiva, que muda com o prazo da aplicação.

Com a inflação esperada pelo Focus, o juro real cai para 8,3%

O IPCA de setembro subiu 0,82%, contra uma expectativa de 0,60%. A surpresa veio da conta de luz: com o fim do bônus de Itaipu, a energia elétrica subiu 7,98%, depois de um agosto com deflação. Com isso, o acumulado em 12 meses passou o teto de 4,5% da meta.

A inflação passada, porém, não é a que o dinheiro aplicado vai enfrentar. O Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas, projetava em 5 de outubro um IPCA de 5,01% para 2026, a terceira alta seguida da estimativa. Com esse número no lugar dos 4,58%, a divisão vira 1,1375 por 1,0501, e o juro real cai para 8,3% ao ano. A troca é uma aproximação: a projeção cobre o ano-calendário, que já tem nove meses de inflação medida.

Meio ponto de diferença entre as duas medidas não muda a resposta para quem tem o título. A mesma edição do Focus esperava a Selic em 13,50% no fim de 2026, 0,25 ponto abaixo da atual. O número registra o que os economistas esperavam naquela semana, e não a decisão das próximas reuniões. Um corte desse tamanho mexe pouco no juro real de um ano; para quem fica no título por mais tempo, pesa a soma de muitas reuniões.

De 2010 a 2026, o CDI pagou 3,6% ao ano acima da inflação

A taxa do dia é uma das medidas; a outra é o que o pós-fixado entregou a quem ficou nele. Uma pesquisa da XP com o Insper, publicada pelo Brazil Journal em 15 de setembro, calculou a média de 2010 a 2026. O CDI, que o Tesouro Selic acompanha, rendeu 3,6% ao ano acima da inflação. O retorno real do CDI ano a ano mostra os anos que formam essa média.

A média não prevê a Selic; ela mostra como o título funciona. O rendimento do Tesouro Selic é refeito a cada reunião do Copom, e a próxima é em 3 e 4 de novembro. O que chega a quem carrega o título por anos é a soma dessas reuniões, e não a taxa do dia da compra.

Para a média de 16 anos ficar em 3,6% com o juro real de outubro em 8,8%, a janela precisou de anos bem abaixo dela. Quem comprou o título num ano de juro real alto e o manteve por uma década atravessou também os anos baixos, que entram na média junto com os altos.

Tesouro Selic ou IPCA+: em 16 anos, o indexado pagou 1,9 ponto a mais por ano

Na mesma pesquisa, os índices de títulos atrelados ao IPCA renderam de 5% a 5,7% ao ano acima da inflação entre 2010 e 2026. O IMA-B 5+, que reúne os títulos com mais de cinco anos até o vencimento, ficou em 5,5%. São títulos da mesma família do Tesouro IPCA+, e a distância deles para o CDI foi de 1,9 ponto ao ano.

Num extrato mensal, 1,9 ponto ao ano quase não aparece. Juro sobre juro, por 16 anos, ele separa dois patrimônios que partiram do mesmo valor.

Em 16 anos, R$ 10.000 viraram R$ 17.610 no CDI e R$ 23.553 nos indexados ao IPCA

CDI
Indexados ao IPCA
Fator do juro real de um ano
3,6%1,0360
5,5%1,0550
Fator acumulado no período
16 anos1,7610
16 anos2,3553
Poder de compra no fim
R$ 17.609,87
R$ 23.552,63
Hipótese de exercício: R$ 10.000 aplicados no início de 2010, com o juro real médio de cada índice composto por 16 anos. Valores em reais de poder de compra do início do período. A coluna dos indexados usa o índice de títulos atrelados ao IPCA com mais de cinco anos até o vencimento (IMA-B 5+). Fonte: Brazil Journal (pesquisa XP com Insper), 15/9/2026.

A diferença final é de R$ 5.943 em poder de compra. No Tesouro Direto, o devedor dos dois títulos é o mesmo, o Tesouro Nacional, e o que os separa é a oscilação de preço. O preço do indexado sobe quando a taxa negociada cai e desce quando ela sobe. Quem precisa vender num dia de taxa em alta recebe menos.

A conta da marcação a mercado de um Tesouro IPCA+ mostra quanto o preço anda quando a taxa muda. O Tesouro Selic quase não tem esse movimento, porque a taxa dele acompanha a Selic e não precisa ser compensada no preço.

Quem compra o IPCA+ em outubro não leva a média de 5,5%: leva a taxa do dia da compra, que muda a cada pregão. O guia de qual Tesouro Direto escolher compara as taxas de cada título pelo prazo em que o dinheiro vai ser usado.

Para quem tem Tesouro Selic, o prazo do dinheiro decide qual número conta

Para o dinheiro que pode ser pedido de volta amanhã, a conta de outubro é a que vale. O Tesouro Selic acompanha a Selic quase sem prêmio, e o saldo quase não oscila com a curva de juros. O juro real do título muda a cada reunião, sem aparecer como perda no extrato.

A taxa do mês, porém, não mostra o que a carteira ganhou ao longo dos anos. Medir o retorno ponderado pelo tempo e compará-lo com um índice separa o juro real de cada ano da taxa vista no dia da compra.

Para o dinheiro que fica parado por anos, a referência medida é a média do ciclo. De 2010 a 2026, ficar no pós-fixado em vez do indexado custou 1,9 ponto ao ano, o preço da liquidez e do saldo sem oscilação. Em R$ 10 mil, são R$ 190 no primeiro ano, e a diferença cresce nos anos seguintes porque se compõe.

Perguntas frequentes

Num exemplo com a Selic parada em 13,75% ao ano por doze meses, R$ 1.000 viram R$ 1.137,50 antes do imposto de renda. O imposto sai desse ganho de R$ 137,50, com alíquota que cai conforme o tempo de aplicação. Como o Copom revê a Selic a cada reunião, o ganho efetivo do ano sai da média das taxas que vigorarem no período, e não da taxa do dia da compra.
Não. O Tesouro Selic acumula a Selic de cada dia útil, e o que rendeu até a véspera do corte fica no saldo. O corte muda só o ritmo dos dias seguintes. Como a taxa do título acompanha a Selic, o preço quase não se mexe com a decisão do Copom. No prefixado e no IPCA+, ao contrário, o preço se ajusta à taxa negociada no dia.
Pode, quando a Selic de um período fica abaixo do IPCA do mesmo período. O saldo em reais quase sempre cresce, porque o título acumula a Selic de cada dia útil e oscila pouco de preço. O poder de compra depende da distância entre as duas taxas. O imposto de renda estreita essa distância, porque incide também sobre a parte do rendimento que só repõe a inflação.
Antes do imposto, rendem praticamente o mesmo, porque o CDI anda colado na Selic. A tabela regressiva do imposto de renda também é a mesma nos dois. O que os separa é quem deve. No Tesouro Selic, quem deve é o Tesouro Nacional. No CDB, é o banco emissor, coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos até um limite por CPF e por instituição.

Fontes

  1. Banco Central do Brasil: histórico das taxas de juros (meta Selic, Copom de 16/9/2026) (16 de setembro de 2026)
  2. Agência Brasil: inflação oficial de setembro fica em 0,82%, mostra IBGE (9 de outubro de 2026)
  3. Agência Brasil: Focus, mercado eleva previsão da inflação para 5,01% em 2026 (5 de outubro de 2026)
  4. Brazil Journal: o CDI é mesmo o risk-free brasileiro? (pesquisa XP com Insper) (15 de setembro de 2026)
  5. Investidor10: Tesouro Selic com a chegada dos 13,75% ao ano e o ciclo de cortes (12 de outubro de 2026)

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