O Tesouro IPCA+ não paga mais 8%: em 9 de outubro de 2026, o IPCA+ 2032 pagava IPCA mais 6,65% ao ano. Depois do imposto de 15%, cobrado também sobre a inflação de 4,58% em 12 meses, sobram 5,0% de juro real. Em R$ 10 mil, são perto de R$ 500 por ano. A queda da semana do 1º turno mediu a eleição, e não as contas públicas.
Os 8% eram a taxa do IPCA+ 2032 no começo de setembro de 2026. No mesmo 9 de outubro, pela tabela do InvestNews, os vencimentos mais longos pagavam menos que o 2032. O IPCA+ 2040 pagava IPCA mais 6,51% ao ano, e o 2050, 6,48%.
A taxa do título é juro real antes do imposto. A conta parte dela, soma a inflação e tira 15% de imposto do ganho nominal inteiro. Depois desconta a inflação de novo, e o que sobra é o ganho em poder de compra. A inflação usada é o IPCA em 12 meses, de 4,58% até setembro, tomada como hipótese para o ano seguinte. A coluna de setembro refaz a conta com os 8% e os 4,44% do IPCA em 12 meses de então.
Os 8% de setembro davam 6,2% de juro real depois do IR, e os 6,65% de outubro dão 5,0%
Em R$ 10 mil, os 8% de setembro deixavam perto de R$ 616 de poder de compra no ano, R$ 117 a mais que os 6,65% de outubro. O juro real líquido caiu quase 1,2 ponto, menos que a taxa, porque o imposto também deixa de cobrar sobre o juro que saiu. O IPCA da conta é uma hipótese: o título paga a taxa contratada mais a inflação que vier até 2032.
A taxa do IPCA+ 2032 já vinha caindo antes da eleição, e a maior parte da queda veio nos pregões seguintes. As taxas de outubro são as publicadas no dia pelo Seu Dinheiro, pelo Money Times e pelo InvestNews.
| Quando | Taxa do IPCA+ 2032, acima do IPCA | Queda desde setembro |
|---|---|---|
| Começo de setembro de 2026 | 8,00% ao ano | Ponto de partida |
| Antes do 1º turno | 7,66% ao ano | 0,34 ponto |
| 5 de outubro, primeiro pregão depois do 1º turno | 7,01% ao ano | 0,99 ponto |
| 6 de outubro | 6,95% ao ano | 1,05 ponto |
| 9 de outubro, dia da divulgação do IPCA de setembro | 6,65% ao ano | 1,35 ponto |
Os 8% não eram inéditos. Em 6 de outubro de 2025, foi o IPCA+ 2029 que chegou a pagar 8,00% ao ano. Um texto sobre o IPCA+ a 8% pode falar de outro título e de outro ano, e a taxa que vale para quem compra é a do dia da compra.
Na semana em que a taxa caiu, nem a inflação nem as contas públicas melhoraram. O IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro, subiu 0,82% no mês. A expectativa era de 0,76%, e o acumulado em 12 meses ficou acima do teto da meta.
A dívida bruta do governo geral também subiu. Pela série do Banco Central, ela foi de 81,95% do PIB em junho para 82,56% em julho e 82,86% em agosto, o último dado publicado. São 0,91 ponto em dois meses, e a eleição não mudou nenhum desses números.
O que mudou foi a expectativa sobre quem decide gasto e arrecadação a partir de 2027. Faz sentido que a taxa reaja a ela, porque a trajetória da dívida depende do próximo governo. A curva de juros futuros embute esse fiscal esperado, e o título longo do Tesouro paga o prêmio que sai dela.
Na nossa leitura, a queda refletiu uma expectativa sobre as contas de 2027 em diante, e o último dado medido delas, o de agosto, piorou. O prêmio fiscal cai de forma duradoura quando arrecadação e gasto medidos mudam a trajetória da dívida, e uma apuração de votos não muda nenhum dos dois. Pelo mesmo fiscal, a taxa de outubro paga 1,01 ponto a menos por ano que a de antes do 1º turno.
O imposto de renda do Tesouro IPCA+ incide sobre o ganho nominal inteiro, e não só sobre o juro real. Na conta de outubro, o ganho bruto de 11,53% paga 1,73 ponto de imposto. Desse total, 0,69 ponto é cobrado sobre a correção pela inflação, que só repõe o poder de compra perdido no ano.
Por isso a alíquota de 15% tira mais de 15% do juro real. Se o imposto cobrasse só sobre o juro, os 6,65% virariam 5,65%. Cobrando também sobre a correção, viram 5,0%: o juro real perde 1,65 ponto, um quarto da taxa contratada. Os 15% são a alíquota de quem fica com o título mais de dois anos, a última faixa da tabela do imposto sobre renda fixa.
A parte do imposto que recai sobre a inflação cresce com ela. A tabela aplica a mesma taxa de 6,65% a três inflações hipotéticas para o ano.
| IPCA do ano (hipótese) | Ganho nominal bruto | Imposto de 15% | Dele, cobrado sobre a inflação | Juro real líquido |
|---|---|---|---|---|
| 3% | 9,85% | 1,48 ponto | 0,45 ponto | 5,22% |
| 4,58%, o dos últimos 12 meses | 11,53% | 1,73 ponto | 0,69 ponto | 5,00% |
| 6% | 13,05% | 1,96 ponto | 0,90 ponto | 4,80% |
Entre a inflação de 3% e a de 6%, o juro real líquido do mesmo título cai 0,42 ponto, sem que a taxa contratada mude. Para comparar o IPCA+ com outra aplicação, a conta vai depois desse imposto e com a inflação que você espera para o prazo do título.
Quem não trava taxa fica no pós-fixado, como o Tesouro Selic, que vale a pena e rende perto da Selic de cada dia. A meta estava em 13,75% ao ano em 12 de outubro, pelo histórico da Selic. Com o mesmo imposto de 15%, o rendimento nominal líquido é de 11,69%.
Descontado o IPCA de 4,58%, sobram 6,8% de juro real líquido, 1,8 ponto acima do IPCA+ 2032. Em R$ 10 mil, são perto de R$ 680 de poder de compra no ano, contra R$ 500.
Essa comparação vale para a Selic e a inflação de agora. O pós-fixado recebe o juro de cada reunião do Copom até 2032, e o IPCA+ fixa o juro real no dia da compra. O IPCA+ 2032 só termina à frente se o juro real líquido médio do pós-fixado, até o vencimento, ficar abaixo de 5,0% ao ano. Quem trava a taxa está dizendo que isso acontece, e a conta não diz se acontece.
A taxa não decide sozinha. O guia de qual Tesouro Direto escolher começa pelo prazo do dinheiro. O Tesouro Selic devolve o que rendeu em qualquer dia útil. O IPCA+ vendido antes de 2032 devolve o preço do dia, que pode estar abaixo do que se pagou.
Quem comprou o IPCA+ 2032 a 7,66%, antes da eleição, viu o preço subir. No primeiro pregão depois do 1º turno, o título foi de R$ 3.090 para R$ 3.202, alta de 3,6% em um dia. O IPCA+ 2050, mais longo, subiu 13,6% até 6 de outubro, de R$ 938,25 para R$ 1.065,86.
Esse ganho de preço só se realiza na venda, e a suspensão do Tesouro Direto de 26 de outubro mostra o risco do movimento contrário. Levado a 2032, o título paga a taxa da compra, e a conta da marcação a mercado do IPCA+ 2032 mostra como o preço devolve o ganho se a taxa voltar a subir. Com o IPCA de 4,58% da primeira conta, os 7,66% dão 5,85% de juro real líquido, contra 5,0% de quem compra a 6,65%.
Em R$ 10 mil, a diferença é de perto de R$ 86 de poder de compra por ano, até 2032. Quem tem o título comprado antes do 1º turno escolhe entre esse juro travado e o preço do dia. Quem compra em outubro escolhe entre 5,0% travados até 2032 e os 6,8% do pós-fixado, que mudam a cada reunião do Copom.
Fontes
- InvestNews: Tesouro Direto, taxas e rendimento em 9/10/2026, com queda após pesquisas eleitorais (9 de outubro de 2026)
- Seu Dinheiro: preços do Tesouro Direto disparam e taxas caem após o primeiro turno (5 de outubro de 2026)
- Money Times: Tesouro Direto hoje, taxas caem de novo na terça-feira, 6 (6 de outubro de 2026)
- Banco Central do Brasil, SGS 13522: IPCA acumulado em 12 meses (1 de setembro de 2026)
- Banco Central do Brasil, SGS 432: meta Selic (12 de outubro de 2026)
- Banco Central do Brasil, SGS 13762: dívida bruta do governo geral em % do PIB (1 de agosto de 2026)
- Eu Quero Investir: IPCA+8%, Tesouro registra taxa histórica (6 de outubro de 2025)
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