O JCP de R$ 3,8 bilhões do Bradesco ficou 5,4% menor por ação com o aumento de capital de R$ 10 bilhões. O total ficou igual e passou a ser dividido por 5,72% mais ações quando o Banco Central homologou o aumento, em 8 de outubro de 2026. Na BBDC3, o bruto por ação caiu de R$ 0,3423 para R$ 0,3238. Só quem subscreveu recebe o mesmo por ação antiga.
O Banco Central homologou em 8 de outubro de 2026 o aumento de capital de R$ 10 bilhões do Bradesco (BBDC3 e BBDC4), subscrito por inteiro. Entraram 604.852.753 ações novas: 302.876.396 ordinárias, a R$ 15,43, e 301.976.357 preferenciais, a R$ 17,64. Com a homologação, o banco refez o valor por ação do JCP de R$ 3,8 bilhões aprovado em 30 de setembro. O total ficou igual, e o imposto de renda de 17,5% sai retido na fonte:
| Classe | Bruto anunciado em 30/9 | Bruto depois de 8/10 | Líquido anunciado | Líquido depois de 8/10 |
|---|---|---|---|---|
| ON (BBDC3) | R$ 0,3423 | R$ 0,3238 | R$ 0,2824 | R$ 0,2671 |
| PN (BBDC4) | R$ 0,3766 | R$ 0,3562 | R$ 0,3107 | R$ 0,2939 |
A data-base é 13 de outubro de 2026: tem direito quem tiver a ação ao fim desse pregão. A partir de 14 de outubro, a ação é negociada ex, sem o provento. O pagamento sai até 30 de abril de 2027, e a data-base decide quem recebe o provento, não a data do pagamento.
A queda por ação não é corte do provento. O direito de subscrição dava a cada acionista ações novas iguais a 5,72% da posição que ele tinha. Como a oferta foi subscrita por inteiro, o número de ações cresceu nessa proporção. Se o total do JCP não mudou, o valor anunciado dividido pelo fator da subscrição tem de dar o valor publicado depois da homologação. Dá, nas duas classes:
Com 5,72% mais ações, o JCP do Bradesco paga 5,4% menos por ação
A divisão bate com os valores publicados na quarta casa decimal, e é a prova de que o total ficou onde estava. O ajuste tem um mérito: é mecânico e trata ON e PN do mesmo jeito. Quem exerceu o direito recebe sobre as ações antigas e as novas, e por ação antiga volta ao valor anunciado em 30 de setembro. Para isso, pôs no banco R$ 0,88 por ON ou R$ 1,01 por PN que já tinha, a última linha da conta.
Quem não exerceu recebe menos: R$ 0,0185 bruto por ON e R$ 0,0204 por PN. Depois do imposto, a diferença na ON é de R$ 0,0153, de R$ 0,2824 para R$ 0,2671. Num exemplo com 10 mil ações ON, são R$ 153 a menos neste JCP.
O limite está no que o capital novo não fez. Quem subscreveu recebe, neste JCP, o mesmo que receberia se o aumento não tivesse acontecido. Os R$ 10 bilhões não compraram provento maior para nenhum acionista.
O motivo do aumento está no balanço. Em cálculo do BTG publicado pelo Brazil Journal em 29 de julho, o patrimônio contábil do Bradesco era de R$ 173,5 bilhões, e o tangível, de R$ 28 bilhões: 16% do contábil. O tangível tira do contábil os intangíveis, como o ágio pago em aquisições, que não servem para cobrir perda de crédito.
O índice de capital principal mede o capital de melhor qualidade do banco contra os ativos, pesados pelo risco de cada um. É a régua do Banco Central para o capital que absorve perdas. No Bradesco, estava em 12,7% no primeiro trimestre de 2026. Pela conta do BTG, a subscrição completa o levaria a cerca de 13,6%, 0,9 ponto percentual a mais.
| Indicador | Antes do aumento | Com os R$ 10 bilhões |
|---|---|---|
| Capital social | R$ 93,77 bilhões | R$ 103,77 bilhões |
| Índice de capital principal | 12,7% (1º trimestre de 2026) | cerca de 13,6% (estimativa do BTG) |
| Patrimônio tangível | R$ 28 bilhões (16% do contábil) | o aumento equivale a 35,7% dele |
| Patrimônio contábil | R$ 173,5 bilhões | sem estimativa |
A terceira linha dá a escala: R$ 10 bilhões divididos por R$ 28 bilhões dão 35,7% do tangível que o BTG mediu. O dinheiro entrou para levantar o índice, e um JCP maior sairia do mesmo capital que os acionistas acabaram de reforçar. Por isso o JCP de outubro não é sinal de capital sobrando, e a pergunta de onde vem o provento vale para ele antes de qualquer comparação com a Selic.
O Bradesco anunciou o aumento em 29 de julho e, no mesmo dia, antecipou para 15 de setembro R$ 6,5 bilhões em JCP. O acionista podia usar esse valor na subscrição. Os preços ficaram cerca de 4% abaixo do fechamento da véspera, e as controladoras se comprometeram com até R$ 8 bilhões. A subscrição correu de 6 de agosto a 4 de setembro.
A primeira fase levantou R$ 6,5 bilhões, 65% do aumento e o mesmo valor do JCP antecipado. A coincidência é de valores e não mostra quanto do JCP pagou ações novas. As sobras trouxeram R$ 3,2 bilhões, e o leilão de 2 de outubro, na B3, vendeu o resto:
| Fase | Ações ON | Ações PN | Valor |
|---|---|---|---|
| Primeira fase, até 4/9 | 252,7 milhões | 149,8 milhões | R$ 6,5 bilhões |
| Sobras | 48,7 milhões | 137,6 milhões | R$ 3,2 bilhões |
| Leilão de 2/10, na B3 | 1.505.454 | 14.553.057 | R$ 283,25 milhões |
| Homologado em 8/10 | 302.876.396 | 301.976.357 | R$ 10 bilhões |
As parcelas fecham: 6,5 mais 3,2 mais 0,28 dão R$ 9,98 bilhões, com as duas primeiras arredondadas. As quantidades de cada classe, somadas, batem com as homologadas dentro do mesmo arredondamento. O leilão vendeu tudo acima do mínimo, que era o preço de subscrição: R$ 15,50 na ON e R$ 17,86 na PN. A diferença é ágio, vai para a reserva de capital e se refaz com as quantidades e os preços:
O leilão de sobras pagou R$ 3.307.054,32 acima do preço mínimo
A conta bate centavo a centavo com o comunicado de homologação. Quase todo o ágio veio da PN, que tinha mais ações no leilão e pagou mais acima do mínimo. A sobra da PN foi de 4,82% das ações novas da classe, contra 0,50% na ON. A fase de sobras já mostrava o mesmo desenho, com 137,6 milhões de PN contra 48,7 milhões de ON.
O JCP antecipado saiu com 17,5% de imposto de renda retido na fonte. O acionista tributado que o usou na subscrição pôs no banco um valor já descontado, e o isento recebeu o bruto. Por isso a conta do JCP depois do imposto muda de um acionista para o outro.
Quem subscreveu tem 5,72% mais ações, e o preço médio mudou. As ações novas entram como ação corporativa no registro das operações, ao preço da subscrição. Sem esse registro, a quantidade fica errada, e o preço médio deixa de mostrar o custo real, que é a base do imposto numa venda futura.
O JCP de outubro só se lê como renda recorrente se o Bradesco o pagar com capital gerado pela operação, sem voltar a pedir dinheiro aos acionistas. Neste ciclo, os acionistas puseram R$ 10 bilhões, e o JCP seguinte ficou nos mesmos R$ 3,8 bilhões.
A estimativa de 13,6% para o índice de capital principal é do BTG, feita em julho, antes do JCP de outubro. O número que decide é o índice publicado pelo próprio Bradesco nos próximos balanços, com o capital novo já dentro e o provento já declarado. Ao lado dos 13,6%, ele mostra se o banco gera o capital que paga esse JCP.
Fontes
- Seu Dinheiro: dia cheio no Bradesco (BBDC4), de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações (30 de setembro de 2026)
- Seu Dinheiro e comunicado do Bradesco: resultado do leilão de sobras de 2/10/2026 na B3 (1.505.454 ON a R$ 15,50 e 14.553.057 PN a R$ 17,86, total de R$ 283.252.135,02) (2 de outubro de 2026)
- Investidor10: Bradesco (BBDC4) reduz valor por ação de JCP após aumento de capital (homologação pelo BC, 604.852.753 ações novas e ágio de R$ 3.307.054,32) (8 de outubro de 2026)
- Times Brasil (CNBC): Bradesco leva 16 milhões de ações a leilão na bolsa após captar R$ 9,7 bilhões (30 de setembro de 2026)
- Brazil Journal: o aumento de capital de R$ 10 bi do Bradesco (cálculos do BTG sobre patrimônio tangível e índice de capital principal) (29 de julho de 2026)
- Money Times: Bradesco (BBDC4) anuncia aumento de capital de até R$ 10 bilhões e antecipa R$ 6,5 bilhões em JCP (29 de julho de 2026)
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