A composição do Ibovespa de 8 de setembro a 31 de dezembro de 2026 tem 76 ativos de 74 empresas. Os cinco maiores somam 37,508% do índice, e a maior linha é a Vale ON, com 11,159%. Somadas as duas classes, porém, a Petrobras pesa 12,888% e passa a Vale. Em janeiro eram 9,862%, e a alta veio mais do preço da ação que do lucro.
A carteira do Ibovespa publicada pela B3 vale até 31 de dezembro. Os 76 ativos são de 74 empresas porque duas delas entram com duas classes de ação. A Petrobras é uma das duas: a preferencial, PETR4, e a ordinária, PETR3, ocupam linhas separadas. Na revisão de setembro, entrou TEND3 e saíram RECV3 e SLCE3. Estes são os cinco maiores pesos:
| Ativo | Peso na carteira de 8/9 a 31/12/2026 |
|---|---|
| Vale ON | 11,159% |
| Itaú PN | 8,613% |
| Petrobras PN (PETR4) | 7,999% |
| Petrobras ON (PETR3) | 4,889% |
| Axia Energia ON | 4,848% |
| Os cinco maiores, somados | 37,508% |
Lida linha a linha, a tabela põe a Vale no topo e a Petrobras em terceiro e quarto. Somadas, as duas linhas da Petrobras dão 12,888% do índice: 1,729 ponto percentual acima da Vale e 4,275 pontos acima do Itaú. Contado por empresa, e não por ativo, o maior peso do Ibovespa é a Petrobras.
É a soma que mede quanto do índice depende de uma empresa. As duas classes dividem o mesmo lucro, o mesmo caixa e a mesma dívida, e o provento de ambas sai da mesma decisão da companhia. Uma queda do barril chega às duas cotações no mesmo pregão.
O Ibovespa é uma carteira teórica: a B3 escolhe as ações pela negociação e calcula quanto valeria uma cesta com elas. É dessa cesta que sai quanto o Ibovespa rende por ano contra o CDI. Para entrar nela, a ação precisa cumprir quatro critérios no período de avaliação:
- Ter negócios em pelo menos 95% dos pregões.
- Responder por pelo menos 0,1% do volume negociado.
- Estar entre os ativos que, somados, fazem 85% do índice de negociabilidade, a medida de negociação que a B3 calcula para cada ativo.
- Ter preço acima de R$ 1.
A B3 revê a carteira três vezes por ano, em janeiro, maio e setembro, e cada carteira vale até a seguinte. Por isso a de setembro termina em 31 de dezembro.
Os critérios decidem quem entra, e o valor de mercado decide quanto cada um pesa. A participação de um ativo acompanha quanto ele vale na bolsa em relação aos outros. Entre uma revisão e outra, ela sobe ou desce com a cotação. Por isso a mudança de peso entre duas carteiras mostra, em boa parte, quem subiu mais que o resto da bolsa.
Em janeiro, a ordem era outra. Na carteira de janeiro a abril de 2026, a Vale ficava à frente da Petrobras mesmo com as duas classes somadas. A primeira prévia da carteira de setembro, de 3 de agosto, não vale como carteira, mas mostra o meio do caminho. A conta abaixo faz a mesma soma nas três datas:
A Petrobras foi de 1,560 ponto atrás da Vale a 1,729 ponto à frente
Entre janeiro e setembro, a Petrobras ganhou 3,026 pontos de peso e a Vale perdeu 0,263. O Itaú subiu de 8,421% para 8,613%, e a Axia, de 4,162% para 4,848%.
No mesmo período, o índice encolheu de 85 ativos de 79 empresas para 76 ativos de 74 empresas. A saída de um ativo devolve o peso dele aos que ficam, na proporção do valor de cada um. Só por isso, a Vale teria ganhado peso. Ela perdeu mesmo assim, o que indica que a ação andou menos que o conjunto do índice. Com a Petrobras aconteceu o contrário: a ação subiu mais que esse conjunto.
O lucro da Petrobras cresceu. A empresa lucrou R$ 85,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, 37,6% mais que um ano antes. No segundo trimestre, produziu 2,7 milhões de barris por dia. Os números são da própria Petrobras, divulgados pela Agência Gov em 14 de outubro, e a leitura do balanço do 2T26, com o provento por ação, detalha o trimestre.
O preço andou mais. Em 2026, até 14 de outubro, a PETR4 subiu em torno de 100% e a PETR3, 110%. Nesse dia, o valor de mercado da Petrobras chegou a R$ 800 bilhões pela primeira vez. Os períodos não são os mesmos: a alta da ação vai de janeiro a outubro, e o lucro compara dois semestres. Mesmo assim, a ação dobrou enquanto o lucro cresceu pouco mais de um terço.
Quando o preço sobe mais que o lucro, cada real de lucro passa a custar mais na bolsa. O peso no índice não separa as duas coisas, porque registra o valor de mercado, que é o preço vezes o número de ações. Os pontos que a Petrobras ganhou no Ibovespa carregam juntos o lucro maior e o preço maior por real desse lucro. Quem tem o índice carrega mais Petrobras em setembro do que em janeiro porque a ação subiu, e não porque escolheu.
O peso da carteira em vigor é o de 8 de setembro, e a marca de R$ 800 bilhões veio depois. Até a revisão de janeiro, o peso da Petrobras sobe ou desce conforme a ação anda contra o resto do índice.
Petrobras, Vale e Itaú somam 32,66% do Ibovespa, perto de um terço do índice numa petroleira, numa mineradora e num banco. Quem compra o índice por um fundo de índice, o ETF, leva essa concentração junto, na mesma proporção:
Em R$ 10.000 num fundo do Ibovespa, R$ 3.266 estão em Petrobras, Vale e Itaú
Quem tem o fundo e também ações da Petrobras compradas à parte precisa somar as duas posições. O extrato da corretora as mostra separadas, como a tabela da B3 mostra as duas classes. Num exemplo com R$ 10.000 no fundo e mais R$ 2.000 em PETR4, a Petrobras soma R$ 3.288,80, ou 27,4% dos R$ 12.000. É mais que o dobro dos 12,888% que ela pesa no índice.
Quem usa o Ibovespa como referência se compara a essa cesta. Uma carteira sem nenhuma das três empresas deixa de fora um terço do índice. Num ano em que a Petrobras dobrou de preço, parte da distância contra o Ibovespa vem só dessa ausência. A comparação do retorno da carteira com o índice mede essa distância.
O número a ter à mão é o peso de cada empresa na própria carteira, com as classes somadas, ao lado do peso dela no índice. A posição consolidada, com o peso de cada ativo, dá o primeiro, e a carteira da B3 dá o segundo. A diferença entre os dois é a escolha que a carteira faz contra o Ibovespa, tenha o dono decidido por ela ou não.
Fontes
- B3: carteira do Ibovespa de 8/9 a 31/12/2026 (76 ativos de 74 empresas; pesos de Vale, Itaú, Petrobras PN e ON e Axia; entra TEND3, saem RECV3 e SLCE3) (8 de setembro de 2026)
- Bora Investir (B3): nova carteira do Ibovespa de janeiro divulgada, quem entra e quem sai (85 ativos de 79 empresas e pesos de jan. a abr. de 2026) (5 de janeiro de 2026)
- Bora Investir (B3): 1ª prévia da carteira do Ibovespa que entra em vigor em setembro (78 ativos de 76 empresas) (3 de agosto de 2026)
- Renova Invest: o que é e como funciona o Ibovespa (critérios de entrada e revisões em janeiro, maio e setembro) (8 de setembro de 2026)
- Agência Gov: Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e renova máxima histórica na B3 (lucro do 1º semestre de 2026, produção do 2T26 e alta das ações no ano) (14 de outubro de 2026)
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