A curva de juros futuros é a fila das taxas do DI futuro na B3, uma por vencimento. Cada taxa embute o CDI médio esperado até aquela data e um prêmio pelo risco. Em 9 de outubro de 2026, o DI jan/2029 fechou a 12,22% ao ano. É só 0,22 ponto acima da Selic que o Focus espera para o fim de 2027, contra 1,95 ponto em 8 de setembro.
O DI futuro é um contrato da B3 que troca uma taxa fixa, combinada na negociação, pelo CDI acumulado até o vencimento. Há um contrato para cada mês de vencimento, e a taxa de cada um vale para o período inteiro. Ela reúne o CDI médio que se espera até lá e um prêmio pelo risco de esse CDI vir diferente. Postas em fila, do vencimento mais próximo ao mais distante, essas taxas formam a curva.
Cada ponto da fila é um vértice, chamado pelo mês em que o contrato vence. No fechamento de 9 de outubro, três vértices desenhavam a curva brasileira:
| Vértice | Taxa em 9/10/2026 | Período que a taxa cobre | O que mais pesa nela |
|---|---|---|---|
| DI jan/2027 | 13,439% ao ano | menos de três meses | o CDI até a virada do ano, que segue a Selic do Copom |
| DI jan/2029 | 12,220% ao ano | pouco mais de dois anos | a Selic esperada para 2027 e 2028 |
| DI jan/2031 | 12,245% ao ano | pouco mais de quatro anos | a Selic esperada até 2030 e o prêmio pelo risco fiscal |
Lida do curto para o longo, a curva desce e depois fica reta. O jan/2027 pagava 1,22 ponto a mais que o jan/2029, e uma curva com o curto acima do médio se chama invertida. Se os próximos meses pagam 13,44% e a média até 2029 é 12,22%, a curva embute um CDI abaixo de 12,22% em 2027 e 2028. Do 2029 ao 2031, a taxa sobe só 0,025 ponto, e a curva não embute nova queda depois de 2029.
Uma taxa da curva diz pouco sozinha. Ela informa quando se compara com o Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas de bancos e consultorias. O Focus mede o que eles esperam, e não o que vai acontecer. Em 2 de outubro de 2026, a mediana da Selic esperada para o fim de 2027 era 12% ao ano, a mesma desde 30 de setembro.
Contra os 12,22% do DI jan/2029, a distância era de 0,22 ponto percentual (p.p.). Os dois números não medem a mesma coisa. O DI embute a média do CDI de outubro de 2026 a janeiro de 2029. O Focus é a Selic de um mês só, dezembro de 2027. Por isso, os 0,22 p.p. não são o prêmio exato: mostram que a curva e os economistas esperavam quase o mesmo juro para 2027 e 2028.
O defeito da comparação é o mesmo em qualquer data, e é isso que a torna útil. Se a distância muda com o Focus parado, quem se moveu foi a curva. A diferença entre duas datas mede, então, quanto prêmio entrou ou saiu dela.
Em 8 de setembro de 2026, a curva ainda subia do vértice curto para o de 2029. O jan/2027 fechou a 13,575% ao ano, e o jan/2029, a 13,95%. Em 7 de outubro, o 2029 já estava a 12,435%, e dois pregões depois fechou nos 12,22% da tabela.
O DI jan/2029 caiu 1,73 ponto entre 8/9 e 9/10, e o jan/2027, 0,14
O Focus marcava 12% para a Selic do fim de 2027 em 8 de setembro e em 2 de outubro. Com ele parado, a distância até o DI jan/2029 caiu de 1,95 ponto para os 0,22 de 9 de outubro. Os economistas mantiveram a Selic que esperam, e quem se moveu foi a curva.
O jan/2027 quase não andou porque cobre só os meses até a virada do ano, que seguem a Selic do Copom. Com o 2029 em queda e o curto parado, a inclinação se inverteu.
O jan/2031, que cobre os quatro anos do próximo mandato, caiu mais que o 2029 na reta final. De 7 para 9 de outubro, ele foi de 12,600% para 12,245%, uma queda de 0,355 ponto. O 2029 caiu 0,215 ponto nos mesmos dois pregões.
O jan/2029 cobre 2027 e 2028, anos que dependem de quem governa e do que faz com as contas públicas. Na cobertura do pregão de 9 de outubro, o motor da queda foram as pesquisas do segundo turno. A Atlas/Bloomberg dava 51,1% a Flávio contra 45% de Lula, e o Datafolha mostrava empate técnico.
No mesmo dia, o IBGE divulgou o IPCA de setembro: alta de 0,82% no mês, acima do esperado, que levou o IPCA em 12 meses a 4,58%. Inflação acima do esperado costuma empurrar para cima a Selic esperada, e com ela os vértices que cobrem os dois anos seguintes.
O DI jan/2029 caiu mesmo assim. A taxa de ajuste do pregão anterior era 12,315%, e o fechamento ficou em 12,22%, perto de 0,1 ponto abaixo, no dia em que a inflação surpreendeu para cima.
Entre 8 de setembro e 9 de outubro, nenhum ajuste fiscal foi apresentado. Mesmo assim, a curva tirou quase toda a sobra que cobrava acima do Focus. Essa sobra era o prêmio fiscal, a parte da taxa que paga o risco de as contas públicas manterem o juro alto por mais tempo, risco que a dívida pública indexada à Selic torna mais caro. A curva passou a embutir um ajuste que espera do resultado da eleição.
Em 2002, a eleição também levou os juros longos para cima. O que os trouxe de volta foi o ajuste de 2003: o governo eleito elevou a meta de superávit primário e a cumpriu ao longo do ano. Naquele ciclo, o prêmio saiu da curva depois que o ajuste apareceu nas contas. Em 2026, saiu com base em pesquisa, antes de qualquer proposta.
Na nossa leitura, essa ordem deixa a queda mais fácil de desfazer. O prêmio que o juro real brasileiro carrega vem da dívida e da história de inflação do país, e nenhuma das duas muda num mês de pesquisas. Se o ajuste esperado não vier, nada na curva impede o prêmio de voltar.
Quem tem CDB atrelado ao CDI ou Tesouro Selic recebe o juro de cada dia, e esse juro acompanha o vértice curto. Como o jan/2027 quase não mudou no mês, a queda puxada pela pesquisa não chegou a esse rendimento.
Quem comprou prefixado em setembro ganhou com a queda do meio da curva, porque taxa menor sobe o preço do título já emitido. Esse ganho só vira dinheiro na venda e recua se a taxa voltar a subir, como mostra a marcação a mercado, que refaz o preço pela taxa do dia.
Quem trava agora um prefixado que vence em janeiro de 2029 recebe uma taxa próxima da do DI. Com ela, compra a expectativa de 9 de outubro: um ajuste fiscal esperado, ainda não apresentado. Se o ajuste não vier e a taxa voltar aos 13,95% de 8 de setembro, o preço do título cai antes do vencimento:
Com o DI jan/2029 de volta a 13,95%, um prefixado de mesmo prazo perderia 3,4% do preço
Levado ao vencimento, o título paga a taxa travada, e essa perda de preço desaparece no caminho. Ela pesa para quem precisa vender antes, e mede o risco que o comprador de 9 de outubro assume: o de o prêmio voltar. A outra metade da decisão é a inflação, e a conta do Tesouro Prefixado contra a inflação que ele embute a faz título a título.
Fontes
- Money Times: juros futuros, fechamento de 9/10/2026 (9 de outubro de 2026)
- Money Times: juros futuros, fechamento de 7/10/2026 (7 de outubro de 2026)
- Money Times: curva de juros recua com trade eleitoral e alívio nos Treasuries (8 de setembro de 2026)
- Banco Central do Brasil: Expectativas de Mercado (Focus), mediana da Selic no fim de 2027 (2 de outubro de 2026)
- IBGE: IPCA de setembro de 2026 (9 de outubro de 2026)
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