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Fachada do prédio do Federal Reserve em Washington

Juros dos EUA em 3,75% a 4%: o Fed decide de novo em 27 e 28/10

Equipe Vesuvian7 min de leitura

Os juros dos EUA estão na faixa de 3,75% a 4% ao ano desde 16 de setembro de 2026. O Fed decide de novo em 27 e 28 de outubro, e a ata indica mais uma alta de 0,25 ponto. Contra a Selic de 13,75%, são 9,75 a 10 pontos de diferença. Com a nova alta, sobram 9,5 a 9,75 pontos por ano, o custo de estar em dólar.

A faixa de 3,75% a 4% vale desde a alta unânime de 16 de setembro

Nessa reunião, o Fed, o banco central americano, subiu os juros em 0,25 ponto percentual, por 12 votos a 0. Foi a primeira alta desde 2023. O Fed não fixa um número único, como o Copom faz com a Selic. Ele decide uma faixa de um quarto de ponto, e dentro dela fica o juro dos empréstimos de um dia entre os bancos americanos.

Antes da alta, a faixa era de 3,5% a 3,75% ao ano: basta tirar o quarto de ponto de cada ponta da atual. A de 3,75% a 4% é a referência do dinheiro em dólar até a próxima decisão.

A próxima reunião do Fed é em 27 e 28 de outubro, e a ata indica mais uma alta

Depois de outubro, o Fed tem só mais uma reunião em 2026, em 8 e 9 de dezembro, pelo calendário do FOMC, o comitê de juros do Fed. A de outubro não traz projeções econômicas. A de dezembro traz a nova rodada, com a inflação esperada e o juro que cada dirigente enxerga para os anos seguintes. Entre as duas, o Copom decide a Selic, e a carteira em reais tem três datas até dezembro.

ReuniãoDataO que traz
Fed27 e 28 de outubrodecisão sobre a faixa, sem projeções econômicas
Copom3 e 4 de novembrodecisão sobre a Selic
Fed8 e 9 de dezembrodecisão sobre a faixa e novas projeções

O sinal do próprio Fed aponta para mais um degrau. Na ata da reunião de setembro, publicada em 7 de outubro, a maioria dos dirigentes prevê outra alta de 0,25 ponto em 2026. A ata também registra riscos maiores do lado da inflação. Nas projeções de setembro, 16 dos 18 dirigentes já marcavam essa alta até o fim do ano.

Se a alta vier, a faixa vai a 4% a 4,25% ao ano. O Fed não diz em qual das duas reuniões ela viria. A ata, além disso, registra o que os dirigentes pensavam em setembro, antes dos números publicados desde então.

A inflação projetada em 3,7% deixa o juro real dos EUA entre 0,05 e 0,3 ponto

A alta de setembro veio com uma projeção de inflação pior, feita pelo próprio Fed. O PCE, o índice de preços que o Fed usa para medir a meta, ficou projetado em 3,7%, contra 3,6% na rodada anterior. A volta à meta de 2% passou de 2028 para 2029.

Pela subtração simples, a faixa de 3,75% a 4% deixa um juro real de 0,05 a 0,3 ponto percentual sobre essa inflação. É pouco aperto para um banco central que acabou de subir a taxa e indica outro degrau. Com a alta que a ata sugere, a faixa de 4% a 4,25% ficaria de 0,3 a 0,55 ponto acima da inflação projetada.

Do lado brasileiro, o juro real segue entre os mais altos do mundo depois do corte de setembro, como registrou o Remessa Online. O número do dia está na série diária do juro real brasileiro, que desconta a inflação esperada.

O diferencial com a Selic caiu para 10 pontos, e o Fed pesa nele o mesmo que o Copom

Na mesma semana da alta do Fed, o Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte seguido, como mostra o histórico da Selic. As duas decisões andaram em sentidos opostos, e as duas encurtaram o diferencial de juros, a distância entre a Selic e a faixa americana.

Antes delas, a Selic de 14% contra 3,5% a 3,75% dava um diferencial de 10,25 a 10,5 pontos percentuais. Depois, 13,75% contra 3,75% a 4% dá 9,75 a 10 pontos. Meio ponto num total de 10,5 é menos de 5% da distância. A semana mudou a direção do diferencial, que passou a encolher pelos dois lados, e quase nada do tamanho dele.

O diferencial é uma subtração, e nela não importa de que lado sai o quarto de ponto. Uma alta do Fed tira 0,25 ponto do diferencial, e um corte do Copom tira o mesmo. Para a carteira em reais, o calendário do Fed conta tanto quanto o do Copom. A conta abaixo vai do diferencial anterior a setembro ao que sobra com a alta que a ata indica.

O diferencial sai de 10,5 pontos e chega a 9,75 com o corte do Copom, a alta do Fed e a alta que a ata indica

Diferencialantes das decisões de setembroSelic de 14%menos Fed a 3,5%Corte do CopomSelic de 14%para 13,75%Alta do Fedpiso de 3,5%para 3,75%Alta que a ataindicahipótese, atédezembroDiferencial coma alta indicada e a Selic paradapelo piso dafaixa do FedsaiR$ 0,757,1% do bruto
10,5 pontos
− 0,25 ponto
− 0,25 ponto
− 0,25 ponto
9,75 pontos
Hipótese de exercício: a alta de 0,25 ponto que a ata de setembro indica acontece até dezembro, e a Selic fica em 13,75%. A conta usa o piso da faixa do Fed; pelo teto, cada linha fica 0,25 ponto abaixo. Fonte: Safras, decisão do Fed de 16/9/2026, 16/9/2026.

Contadas as duas pontas da faixa americana, o diferencial com a alta indicada e a Selic parada fica em 9,5 a 9,75 pontos. Ainda é mais que o dobro do próprio juro americano, que estaria em 4% a 4,25%.

A conta não supõe nada sobre o Copom de 3 e 4 de novembro. Se ele cortar mais um quarto de ponto, o diferencial perde outros 0,25; se parar, nada muda desse lado. A subtração também não diz nada sobre o dólar, que não prevemos.

Em R$ 100 mil, ficar em dólar custa de R$ 9.750 a R$ 10.000 por ano em juro

Em reais, o dinheiro rende o CDI, que acompanha a Selic. Em dólar, o dinheiro parado rende perto da taxa do Fed. Quem tem ETF ou BDR de bolsa americana troca um rendimento pelo outro e abre mão do diferencial a cada ano.

MomentoDiferencial ao anoEm R$ 100 mil, por ano
Antes das decisões de setembro de 202610,25 a 10,5 pontosR$ 10.250 a R$ 10.500
Depois de 16 de setembro de 20269,75 a 10 pontosR$ 9.750 a R$ 10.000
Com a alta indicada pela ata e a Selic parada (hipótese)9,5 a 9,75 pontosR$ 9.500 a R$ 9.750

A bolsa americana em dólar e a variação do câmbio precisam cobrir juntas esse valor antes de remunerar o risco. As decisões de setembro baixaram esse custo em R$ 500 por ano. A conta inteira de trocar o CDI pela bolsa americana, com câmbio e imposto, parte desse mesmo preço.

Se a troca compensou, quem diz é o retorno da carteira em reais ao lado do CDI do mesmo período. Esse retorno se mede pela rentabilidade ponderada pelo tempo, que separa o depósito do ganho. Até 9 de dezembro, cada uma das três reuniões pode mover a conta da tabela em R$ 250 por ano a cada R$ 100 mil.

Perguntas frequentes

É o Comitê Federal de Mercado Aberto, o grupo do Fed que decide a faixa dos juros dos EUA. Em 16 de setembro de 2026, os 12 membros com voto aprovaram a alta de 0,25 ponto por unanimidade. As projeções econômicas reúnem um grupo maior, de 18 dirigentes. Por isso a alta prevista para o fim do ano se conta em 16 de 18, e não sobre os 12 votos.
Ponto-base é a centésima parte de um ponto percentual. A alta de 25 pontos-base que a ata do Fed indica é o mesmo que 0,25 ponto percentual. Ela levaria a faixa de 3,75% a 4% para 4% a 4,25% ao ano. As duas decisões de setembro de 2026 tiveram esse tamanho: o Fed subiu 25 pontos-base, e o Copom cortou 25.
Não há regra fixa. Um diferencial de juros menor reduz o prêmio de quem deixa o dinheiro em reais, e essa é uma força a favor do dólar. O câmbio de cada dia, porém, responde também ao fluxo de capital, ao humor da bolsa e ao que já estava nos preços antes da decisão. Por isso o diferencial ajuda a ler o câmbio, mas não basta para prever a cotação.

Fontes

  1. Fed eleva juros dos EUA em 0,25 ponto para faixa de 3,75% a 4%, em decisão unânime (Safras) (16 de setembro de 2026)
  2. Juros do Fed em setembro de 2026: primeira alta desde 2023, PCE projetado em 3,7% e 16 de 18 dirigentes por mais uma alta (InfoMoney) (16 de setembro de 2026)
  3. Reunião do Copom de setembro de 2026: Selic de 14% para 13,75% (Remessa Online) (16 de setembro de 2026)
  4. Ata do Fed indica nova alta de juros nos EUA ainda em 2026 (BP Money) (7 de outubro de 2026)
  5. Meeting calendars and information, FOMC (Federal Reserve) (13 de outubro de 2026)

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