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Salão do pregão da Bolsa de Nova York com painéis de cotação

Investir no exterior vale a pena? O dólar precisa subir 8,3%

Equipe Vesuvian8 min de leitura

Investir no exterior vale a pena como seguro de moeda, e não como aposta de render mais que o CDI. Com a Selic a 13,75%, o Treasury de 10 anos, a 5,01%, só empata com o CDI se o dólar subir 8,3% em um ano. No piso de 16% estimado pela FGV, e com o câmbio parado, o seguro custa R$ 1.398 por ano em cada R$ 100 mil.

Vale a pena investir no exterior com a Selic alta? O empate pede o dólar a R$ 5,65

O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, o quinto corte de um ano que começou em 15%. O CDI anda colado na Selic, e o histórico da Selic mostra cada decisão do Copom, reunião a reunião. No mesmo dia, depois da decisão do Fed, o Treasury de 10 anos passou de 5,01% ao ano, o maior nível em 19 anos. Por ser dívida do governo americano, o título é a comparação mais direta com o CDI: renda fixa contra renda fixa, em outra moeda.

Com as duas taxas paradas por doze meses, cada real no CDI vira R$ 1,1375 e cada dólar no Treasury vira US$ 1,0501. Para a troca empatar, o dólar precisa subir na proporção entre esses dois fatores. A conta parte do dólar PTAX de venda de 28 de setembro, a R$ 5,2132.

Para o Treasury empatar com a Selic de 13,75%, o dólar precisa subir 8,3% em doze meses, até R$ 5,65

Cada real no CDI depois de doze meses
1,1375
Cada dólar no Treasury depois de doze meses
1,0501
Quanto o dólar precisa se multiplicar
1,0832
Dólar que empata a troca
R$ 5,21R$ 5,65
Alta do dólar que empata com o CDI
8,32%
Hipótese de exercício: a Selic e a taxa do Treasury ficam paradas por doze meses, e a Selic serve de aproximação do CDI. O dólar de partida é a PTAX de venda de 28/9/2026. Ficam de fora o imposto, o custo da remessa e a variação de preço do título. Fonte: Nubank (Selic) e Trading Economics (Treasury), 16/9/2026.

Com o dólar acima de R$ 5,65 em setembro de 2027, quem trocou o CDI pelo Treasury ganha mais em reais; abaixo, ganha menos. Não prevemos câmbio, e a conta não depende de previsão: ela mostra o que o dólar teria de fazer. Quem vai para fora para render mais que o CDI aposta, na prática, que o dólar passa desse valor. Quem vai para se proteger de uma queda do real paga um preço que dá para calcular antes.

O 90,1% da FGV foi medido em dólar e responde à pergunta do seguro

O estudo da FGV EAESP de setembro de 2026 percorreu 21.146 janelas de investimento, de janeiro de 2005 a julho de 2026. Em cada uma, mediu se a aplicação ganhou poder de compra em dólar, já descontada a inflação. O S&P 500 ganhou em 90,1% das janelas, e o CDI em 49,4%.

Para a pergunta que o estudo faz, a régua está certa. Quem quer proteger o próprio consumo de uma queda do real precisa saber quanto o patrimônio vale em dólar. Por esse critério, o CDI falha em metade das janelas.

O mesmo critério explica o dado mais estranho do sumário. Em dólar, o CDI oscilou 8,84% ao ano no período, mais que os 7,35% do S&P 500. Essa oscilação é a do real contra o dólar. Em reais, o CDI rende todo dia perto da taxa do Copom, e quem gasta em reais não vê essa oscilação no extrato.

Ler o 90,1% como prova de que o exterior rende mais que o CDI é comparar uma conta em dólar com uma vida em reais. Para o retorno, a régua continua sendo o dólar de R$ 5,65 em um ano. Para o seguro, a FGV propõe um tamanho, e esse tamanho tem preço em reais.

No piso de 16% da FGV, o seguro custa R$ 1.398 por ano em cada R$ 100 mil

A FGV estima em 16% do patrimônio a parcela no exterior que protege o consumo de uma queda do real. O próprio sumário trata o número como um primeiro passo, e não como a carteira pronta: é um piso para a pergunta do seguro. A conta aplica esse piso a R$ 100 mil, com o dólar parado, e dá a ele um preço.

No piso de 16% da FGV, o seguro de moeda custa R$ 1.398 por ano numa carteira de R$ 100.000

Parcela no exterior
16%R$ 16.000
O que a parcela renderia no CDI
13,75%R$ 2.200
O que a parcela rende no Treasury
5,01%R$ 801,60
Prêmio do seguro no ano
R$ 1.398,40
Diferencial de juros sobre a parcela
8,74 pontos
Hipótese de exercício: R$ 100.000 de patrimônio, com a parcela de fora no Treasury e o resto no CDI. A Selic de 16/9/2026 e a taxa do Treasury do mesmo dia ficam paradas por doze meses, e o dólar também. Ficam de fora o imposto e o custo da remessa. Fonte: FGV EAESP, sumário executivo do estudo de investimentos no exterior, 1/9/2026.

O resultado é o prêmio do seguro: o que a parcela de fora deixa de render num ano em que o câmbio não se mexe. Se o dólar subir mais que os 8,3% do empate, a mesma parcela rende mais que o CDI. Se o dólar cair, a perda no câmbio se soma ao prêmio.

O prêmio é contado antes do imposto, que se declara no imposto de renda, e do custo da remessa, e os dois mudam conforme o caminho. O guia de como investir nos EUA compara o imposto e o custo de cada caminho, do ETF da B3 à conta numa corretora no exterior.

Com o Treasury acima de 5%, o piso custa R$ 437 a menos que de 2009 a 2021

No mesmo 16 de setembro, o Fed subiu o juro básico americano para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, por 12 votos a 0. Foi a primeira alta desde julho de 2023. Contra a Selic, a distância fica entre 9,75 e 10 pontos percentuais, conforme a ponta da faixa que se usa.

O juro do Fed é a taxa de um dia entre bancos americanos, a referência do caixa em dólar. Para prazo longo, a referência é o Treasury de 10 anos, e contra ele o diferencial cai para 8,74 pontos. O empate de 8,3% fica um pouco abaixo desse diferencial porque a alta do dólar também valoriza o juro americano recebido.

De 2009 a 2021, anos de juro americano baixo, o Treasury de 10 anos pagou em média 2,28% ao ano. O dado é do mesmo sumário da FGV, que registra o título a 4,73% em 31 de julho de 2026. A taxa de setembro é 2,2 vezes aquela média. A tabela refaz o empate e o prêmio do piso para os três níveis, com a Selic de setembro em todos.

Treasury de 10 anosTaxa ao anoDiferencial contra a Selic de 13,75%Alta do dólar que empata em doze mesesPrêmio do piso de 16%, por ano em R$ 100 mil
Média de 2009 a 20212,28%11,47 pontos11,2%R$ 1.835
31 de julho de 20264,73%9,02 pontos8,6%R$ 1.443
16 de setembro de 20265,01%8,74 pontos8,3%R$ 1.398

Como a Selic é a mesma nas três linhas, toda a diferença vem do lado americano. Com o Treasury na média daquela década, o dólar teria de subir quase três pontos a mais para empatar. O piso de 16% custaria R$ 1.835 por ano, R$ 437 acima do preço de setembro.

Pelos resumos das projeções publicados no dia, 16 dos 18 participantes do comitê do Fed esperam ao menos mais uma alta em 2026. Uma alta de 0,25 ponto, com a Selic onde está, levaria o diferencial contra o teto da faixa a 9,5 pontos, como mostra o artigo sobre os juros dos EUA e a próxima decisão do Fed. O Copom volta a se reunir em 4 de novembro, e cada decisão dos dois bancos centrais refaz o empate e o prêmio.

Para quem pensa em bolsa americana, e não em título, o Treasury é o primeiro degrau da conta. O S&P 500 em reais contra o CDI, com o Treasury como ponto de partida, mostra quanto o índice precisa entregar acima do título.

O dólar que a carteira já tem, em BDR ou ETF da B3, conta para o piso

Um BDR, como o NVDC34 da Nvidia, ou um ETF da B3 que segue um índice americano carrega o dólar no preço, sem nenhum real enviado ao exterior. Na nossa leitura, esses papéis contam para o piso, porque sobem e descem com o câmbio como a conta lá fora. Separar o exterior numa categoria própria da carteira mostra quanto falta para os 16%, ou quanto passa deles.

Com o câmbio parado e as taxas de setembro, cada ponto percentual do patrimônio no exterior custa R$ 87 por ano em cada R$ 100 mil. Num exemplo, quem já tem 10% do patrimônio em dólar e completa os 16% paga R$ 524 a mais de prêmio por ano.

Perguntas frequentes

O retorno em reais junta dois números: o que o ativo rendeu em dólar e quanto o dólar variou contra o real no mesmo período. A conta multiplica os dois fatores e tira 1. Num exemplo, um título que rende 5% em dólar, num ano em que o dólar sobe 3%, entrega cerca de 8,2% em reais. A conta é 1,05 vezes 1,03, que dá 1,0815. Se o dólar cair 3%, o mesmo título entrega 1,9%.
Paga, por qualquer caminho, e o caminho muda a forma de pagar. Na conta numa corretora no exterior, o rendimento entra na declaração anual do imposto de renda, pela lei 14.754, de 2023. No ETF e no BDR comprados na B3, o imposto sobre o ganho sai na venda com lucro. O dividendo de empresa americana ainda sofre retenção nos EUA antes de chegar. O prêmio de R$ 1.398 do piso da FGV é calculado antes de todos esses impostos.
A resposta não muda com a instituição: o empate do dólar e o preço do seguro dependem da Selic, do juro americano e do câmbio. Muda o custo do caminho. Entre uma instituição e outra variam a cotação usada no câmbio, a tarifa da remessa e a corretagem. Também variam os produtos oferecidos: BDR, ETF da B3 ou conta em dólar. Esses custos se comparam numa mesma quantia, antes de escolher onde abrir conta.
Pode, se for vendido antes do vencimento. O preço do título cai quando a taxa de mercado sobe, e sobe quando ela cai, na mesma marcação a mercado do Tesouro Direto. Levado ao vencimento, ele paga em dólar a taxa contratada, e o devedor é o governo americano. Em reais, o resultado ainda depende do câmbio. O empate de 8,3% e o prêmio de R$ 1.398 supõem a taxa parada por doze meses, o que tira essa oscilação de preço da comparação.

Fontes

  1. Ir para o exterior é fundamental: sumário executivo do estudo de investimentos no exterior (FGV EAESP, FGVcef) (1 de setembro de 2026)
  2. Taxa Selic em 2026: as decisões do Copom (Nubank) (16 de setembro de 2026)
  3. Comunicado do FOMC sobre a decisão de política monetária de 16 de setembro de 2026 (Federal Reserve) (16 de setembro de 2026)
  4. Rendimento do Treasury de 10 anos depois da decisão do Fed (Trading Economics) (16 de setembro de 2026)
  5. Projeções do FOMC de setembro de 2026: participantes que esperam mais uma alta (Capital and Compute) (16 de setembro de 2026)
  6. Dólar PTAX de venda em 28 de setembro de 2026 (Renova Invest) (28 de setembro de 2026)

Este artigo é análise da Vesuvian, publicada com fins informativos. Não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo, nem promessa ou projeção de rentabilidade. Toda decisão de investimento é de responsabilidade de quem a toma. Rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Produzido pela Equipe Vesuvian com uso de inteligência artificial e revisão editorial. Veja a política editorial.