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IVVB11 vale a pena? S&P 500 a 19,68% ao ano, 120% do CDI a 10,49%

Equipe Vesuvian7 min de leitura

O IVVB11 valeu a pena na última década. O S&P 500, que ele replica, rendeu 19,68% ao ano em reais, contra 10,49% de uma aplicação a 120% do CDI. A taxa de 0,23% ao ano e o imposto de 15% sobre o ganho na venda tiram 1,85 ponto desse retorno. Em 2026, a régua é mais alta: a Selic de 13,75% paga 3,26 pontos acima daqueles 10,49%.

Na década, o S&P 500 abriu 9,19 pontos por ano sobre 120% do CDI

Um levantamento do Seu Dinheiro, publicado em 1º de julho de 2026, comparou dez anos de três aplicações em reais. O S&P 500 acumulou 502,8%, com a variação do dólar dentro do número; uma aplicação a 120% do CDI, 171,1%; e o Ibovespa, 140,2%. A década, aqui e no resto do texto, é a desse levantamento.

A Selic se mede ao ano, e por isso anualizamos os acumulados para pô-los na mesma unidade. Os 502,8% equivalem a 19,68% ao ano, porque 6,028 elevado a um décimo dá 1,1968. Pela mesma conta, os 171,1% dão 10,49% ao ano, e os 140,2% do Ibovespa, 9,16%. O índice americano rendeu 9,19 pontos por ano a mais que a aplicação atrelada ao CDI.

Em dez anos, R$ 10 mil viraram R$ 60.280 no S&P 500 em reais e R$ 27.110 a 120% do CDI

S&P 500 em reais
120% do CDI
Fator da década
502,8%6,0280
171,1%2,7110
Valor no fim da década
R$ 60.280
R$ 27.110
Hipótese de exercício: R$ 10.000 aplicados no início da década do levantamento, antes de taxa e de imposto nos dois caminhos. O retorno do S&P 500 está em reais, com a variação do dólar dentro dele. Fonte: Seu Dinheiro, 1/7/2026.

Essa folga é a do índice, antes de qualquer custo. Quem a recebe pelo IVVB11 paga a taxa de administração todo ano e o imposto sobre o ganho na venda.

A taxa de administração e o IR do IVVB11 tiram 1,85 ponto por ano

O IVVB11 cobra taxa de administração de 0,23% ao ano, descontada da cota, segundo o guia da Toro atualizado em 31 de março. Na venda, o ganho paga 15% de imposto de renda, ou 20% no day trade, quando a compra e a venda caem no mesmo dia. A isenção das vendas de até R$ 20 mil por mês, que vale para ações brasileiras, não alcança o ETF.

Num exemplo com R$ 10 mil no início da década, a conta abaixo aplica os dois custos ao retorno do índice.

Dos R$ 60.280 do índice, a taxa deixa R$ 58.908 na cota e o imposto na venda leva R$ 7.336

Fator do S&P 500 na década
502,8%6,0280
O índice no fim da década
R$ 60.280
O que a taxa deixa a cada ano
−0,23%0,9977
O mesmo, composto pela década
0,9772
Na cota do IVVB11, depois da taxa
R$ 58.907,82
Ganho tributável na venda
R$ 48.907,82
Imposto de renda na venda
15%R$ 7.336,17
Hipótese de exercício: R$ 10.000 aplicados no início da década do levantamento do Seu Dinheiro, com o retorno do S&P 500 em reais. A taxa de 0,23% sai do patrimônio uma vez por ano, por 10 anos, e o imposto de 15% incide sobre o ganho na venda, no fim do período. Fonte: Toro Investimentos, 31/3/2026.

Depois do imposto, sobram R$ 51.572, o equivalente a 17,83% ao ano, 1,85 ponto abaixo dos 19,68% do índice. Só com a taxa, o retorno anual cai para 19,40%. A taxa tira 0,28 ponto, e não 0,23, porque desconta 0,23% de um patrimônio que já cresceu com o índice no ano. O imposto tira os outros 1,57.

Em reais, a taxa levou R$ 1.372 em dez anos, e o imposto, 5,3 vezes mais. A diferença está na base. A taxa tira uma fração pequena do patrimônio a cada ano, e o imposto tira 15% do ganho acumulado, de uma vez.

O imposto é o mesmo em qualquer ETF de ações da B3. Ele pesa na decisão de estar no índice por esse caminho, e não na escolha entre dois ETFs do mesmo índice. O guia de como investir nos EUA compara esse imposto com o da conta no exterior.

IVVB11 ou SPXI11: 0,02 ponto de taxa e fundos diferentes lá fora

O SPXI11 cobra 0,21% ao ano, segundo a Suno, contra os 0,23% do IVVB11. A diferença é de 0,02 ponto, ou R$ 2 por ano em cada R$ 10 mil aplicados. Ao lado do 1,57 ponto por ano que o imposto tira, igual nos dois, a taxa quase não separa um fundo do outro.

O que separa os dois é o fundo que cada um compra lá fora. O IVVB11 replica o S&P 500 pelo iShares Core S&P 500. O SPXI11 passou em 2026 a replicá-lo pelo Vanguard S&P 500 UCITS ETF, o VUAA, que segue a regra europeia de fundos. O país de cada fundo decide quanto do dividendo das empresas americanas fica retido na fonte antes de chegar à cota, e a conta do ETF domiciliado na Irlanda mostra quanto essa retenção pesa por ano, ao lado da taxa.

Em 7 de outubro, o S&P 500 caiu 0,22% em dólar e subiu em reais

Quem compra o IVVB11 compra duas coisas, a bolsa americana e o dólar contra o real. O pregão de 7 de outubro mostrou as duas em sentidos opostos: o S&P 500 caiu 0,22%, e o dólar subiu 0,72%, a R$ 5,0112. Em reais, a queda virou alta de cerca de 0,50%, porque 0,9978 vezes 1,0072 dá 1,0050.

A conta é aproximada, porque a bolsa americana e o câmbio fecham em horários diferentes. O sinal, porém, não muda: o dólar mais forte compensou com folga a bolsa mais fraca. Nos 19,68% ao ano da década, a bolsa e a moeda vêm somadas. Não prevemos o câmbio, e por isso não tratamos a parte do dólar nesse retorno como algo que se repete.

Do lado do dólar, a régua é o título de dez anos do Tesouro americano. No mesmo 7 de outubro, ele chegou a 5,365% ao ano, a maior taxa desde abril de 2002. Levado ao vencimento, o título paga essa taxa em dólar sem passar pela bolsa. É esse o retorno que as ações americanas têm de superar, em dólar, para compensar a oscilação.

IVVB11 vale a pena em 2026? Contra a Selic de 13,75%, a folga cai a 5,93 pontos

O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, quinto corte seguido no histórico da Selic. Mesmo depois do corte, a taxa fica 3,26 pontos acima dos 10,49% ao ano que a aplicação a 120% do CDI pagou na década. Contra a Selic, os 19,68% do índice deixam folga de 5,93 pontos por ano, e não de 9,19. As duas contas ficam antes do imposto, que a renda fixa também paga.

A Selic de setembro não é a média dos próximos dez anos, e o Copom vem cortando. O que a conta mede é o ponto de partida. Um título atrelado à Selic começa pagando, sem bolsa e sem dólar, mais do que 120% do CDI rendeu por ano na década.

Medir o retorno da carteira contra o CDI, ponderado pelo tempo, é esta mesma conta feita com a data de cada compra. Em R$ 10 mil e antes do imposto, a década deixou R$ 58.908 no índice com a taxa do IVVB11. A 120% do CDI, o mesmo dinheiro chegou a R$ 27.110. Os R$ 31.798 de diferença foram o custo de oportunidade de ficar fora do índice numa década de CDI mais baixo que o de 2026.

Perguntas frequentes

Em parte. A cota é o S&P 500 convertido em reais, e por isso sobe quando o dólar sobe com a bolsa americana parada. A proteção, porém, vem amarrada à bolsa: se as ações americanas caem mais do que o dólar sobe, a cota cai em reais. O ETF não separa as duas exposições, e o peso de cada uma no retorno muda de um ano para outro.
O IVVB11 se compra em reais na B3, sem enviar dinheiro para fora, e o imposto de 15% sai em cada venda com ganho. Na conta no exterior, o dinheiro passa por uma operação de câmbio. O rendimento entra no ajuste anual do imposto de renda, pela lei 14.754 de 2023, também a 15%. A taxa do fundo comprado lá fora e a retenção sobre o dividendo mudam a conta dos dois lados.
Não exatamente. O IVVB11 replica o índice comprando o iShares Core S&P 500. A cota acompanha a variação desse fundo em reais, menos a taxa de administração e o imposto retido na fonte sobre os dividendos das empresas americanas. No dia a dia, a variação da cota em reais raramente coincide com a do índice em dólar, porque o câmbio entra na conta e os dois pregões não fecham juntos.
Não reduz a alíquota. O ETF não tem a isenção das vendas de até R$ 20 mil por mês que vale para ações brasileiras, e cada venda com lucro paga 15% sobre o ganho daquela venda. O calendário muda só o momento do pagamento: enquanto a cota não é vendida, o imposto não sai, e o ganho inteiro continua aplicado no índice.

Fontes

  1. Toro Investimentos: guia do IVVB11 (taxa de administração e tributação) (31 de março de 2026)
  2. Dólar deixou o CDI comendo poeira nos últimos 10 anos, Seu Dinheiro / SpaceMoney (1 de julho de 2026)
  3. A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha, Seu Dinheiro (7 de outubro de 2026)
  4. Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime, Atlas Público (reprodução de notícia do Banco Central) (16 de setembro de 2026)
  5. Suno: IVVB11 e SPXI11, taxas e fundos que replicam o S&P 500 (7 de outubro de 2026)

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