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Marcação a mercado no Tesouro Direto: o que é e como anda o preço

Equipe Vesuvian9 min de leitura

Marcação a mercado no Tesouro Direto é o preço do título refeito a cada dia útil pela taxa do dia: taxa menor, preço maior. Em 5 de outubro de 2026, a taxa do IPCA+ 2032 caiu de 7,66% para 7,01% ao ano, e o preço subiu 3,6%. Os R$ 112 por título não são rendimento: quem fica com ele até 2032 recebe a taxa da compra, com ou sem esse dia.

O que é marcação a mercado no Tesouro Direto, com o caso de 5 de outubro

Quem compra um Tesouro IPCA+ ou um Tesouro Prefixado trava a taxa até o vencimento. O título, porém, tem preço em todo dia útil, porque o Tesouro o recompra antes do prazo. Esse preço sai da taxa negociada naquele dia, e não da taxa da compra. Marcação a mercado é avaliar o título por esse preço. O extrato mostra quanto ele vale vendido hoje, e não quanto terá rendido no vencimento.

O preço do Tesouro Direto sobe quando a taxa cai: o valor a receber no vencimento é fixo, e uma taxa menor o desconta menos. Foi o que se viu na segunda-feira 5 de outubro de 2026, primeiro dia útil depois do primeiro turno da eleição.

Pelos números do Seu Dinheiro, o Tesouro IPCA+ 2032 pagava IPCA mais 7,66% ao ano na sexta, 2 de outubro. Na segunda, pagava IPCA mais 7,01%, uma queda de 0,65 ponto percentual (p.p.). O preço unitário foi de R$ 3.090 para R$ 3.202: R$ 112 a mais por título, alta de 3,6% em um dia.

Para quem vendeu na segunda, os R$ 112 viraram dinheiro, porque o Tesouro recompra pelo preço do dia. Para quem ficou com o título, eles mudaram o extrato e não o pagamento de 2032.

Como funciona a marcação a mercado: o valor de 2032 descontado pela taxa do dia

O IPCA+ 2032 não paga juros semestrais. Ele faz um pagamento só, em 15 de agosto de 2032, com o valor do título corrigido pelo IPCA do período inteiro. O preço de hoje é esse pagamento descontado pela taxa do dia, durante o prazo que falta. De 5 de outubro de 2026 ao vencimento são 5 anos e 315 dias, ou 5,86 anos.

Descontar é dividir pelo fator da taxa elevado ao prazo, e divisor menor dá preço maior. A correção pelo IPCA é a mesma nos dois dias e se cancela na comparação. Sobra a razão entre os dois divisores, que é a alta do dia.

Descontado a 7,01% em vez de 7,66% por 5,86 anos, o IPCA+ 2032 vale 3,6% a mais

Fator de um ano a 7,66%
1,0766
Divisor do preço na sexta, por 5,86 anos
1,5411
Fator de um ano a 7,01%
1,0701
Divisor do preço na segunda, por 5,86 anos
1,4874
Alta de preço que a fórmula dá
3,61%
Alta publicada, de R$ 3.090 para R$ 3.202
3,62%
O preço de um título sem juros semestrais é o pagamento do vencimento dividido pelo fator da taxa elevado ao prazo. A correção pelo IPCA é a mesma nos dois dias e se cancela na comparação; o prazo é contado da segunda-feira ao vencimento, em 15/8/2032. Fonte: Seu Dinheiro, 5/10/2026.

A fórmula e o preço publicado diferem em um centésimo de ponto, o tamanho do arredondamento das taxas a duas casas. Entre sexta e segunda, o pagamento e a data de 2032 continuaram os mesmos. Mudou só a taxa que o comprador do dia aceitava para esperar até lá.

Cada ponto de taxa move 5,5% do preço do IPCA+ 2032, e o prazo decide quanto

Do prazo sai uma regra de bolso, a duration modificada: quanto o preço anda, em porcentagem, a cada ponto de taxa. Num título sem juros semestrais, ela é o prazo em anos dividido por um mais a taxa. No 2032, 5,86 ÷ 1,0701 dá 5,48, ou cerca de 5,5% de preço por ponto. O dia 5 confirma a conta: 3,6% de alta para 0,65 ponto de queda também dão 5,5% por ponto.

Você refaz a conta para o título que tem, com os anos até o vencimento e a taxa do dia. Num exemplo, um IPCA+ sem juros semestrais a dez anos do vencimento, com taxa de 7%, anda perto de 9,3% por ponto. A regra é uma aproximação: em quedas grandes, o preço sobe um pouco mais do que ela diz, e nas altas cai um pouco menos. Ela também encolhe com o tempo, porque cada ano a menos até o vencimento é um ano a menos de desconto. Por isso o prazo entra ao lado da taxa na conta de qual Tesouro Direto escolher.

No mesmo dia, pelos números do InfoMoney, a taxa do IPCA+ 2040 caiu de 7,22% para 6,50%, e a do IPCA+ 2050, de 7,06% para 6,32%. São quedas de 0,72 e 0,74 ponto, perto da do 2032, em títulos de prazo muito maior. O Seu Dinheiro calculou que quem comprou o 2050 em setembro, a IPCA mais 7,40%, acumulava 24,9% de marcação em 7 de outubro. No 2032, pela fórmula do desconto, subir o mesmo tanto pediria uma queda de taxa de cerca de 4 pontos.

O Tesouro Prefixado 2032 fechou o dia 5 a 12,88% ao ano, contra 14,15% na sexta. A queda, de 1,27 ponto, é quase o dobro da do IPCA+ de mesmo ano. A taxa prefixada embute também a inflação esperada até o vencimento, e a queda maior indica que essa parte caiu junto com o juro real. O mecanismo vale nos dois sentidos: num dia de taxas em alta, o prazo longo que ampliou o ganho amplia a perda, e foi por isso que o Tesouro Direto suspendeu compra e resgate em 26 de outubro.

Ganho de marcação não é rendimento: os dois preços chegam ao mesmo valor em 2032

O rendimento do Tesouro IPCA+ é a taxa contratada na compra. Quem comprou o 2032 na sexta, a R$ 3.090, recebe até o vencimento o IPCA mais 7,66% ao ano. Quem comprou na segunda pagou R$ 3.202 e travou 7,01%. Os dois têm direito ao mesmo pagamento em 2032, e cada preço, capitalizado pela própria taxa, chega a ele.

Comprado a R$ 3.090 a 7,66% ou a R$ 3.202 a 7,01%, o IPCA+ 2032 chega a cerca de R$ 4.762 no vencimento

=Comprado na sexta, a 7,66% ao anoR$ 4.762,08Comprado na segunda, a 7,01% ao anoR$ 4.762,64
R$ 4.762,08
R$ 4.762,64
Valores por título, antes da correção pelo IPCA até o vencimento, que multiplica os dois lados pelo mesmo número. A conta ignora os três dias entre a sexta e a segunda e o imposto de renda; o prazo vem do vencimento em 15/8/2032. Fonte: Seu Dinheiro, 5/10/2026.

Por título, quem pagou R$ 3.090 recebe R$ 1.672 de juros acima da inflação até 2032, e quem pagou R$ 3.202 recebe R$ 1.561. A diferença, R$ 111, é a alta do dia, a menos de um real de arredondamento. O que o comprador de segunda pagou a mais no preço, ele recebe a menos em juros. A marcação trouxe para 5 de outubro, de uma vez, os 0,65 ponto ao ano que o título passa a pagar a menos.

Os R$ 112 só viram dinheiro na venda antes do vencimento, com imposto de renda sobre o lucro. Até a venda, eles sobem e descem com a taxa de cada dia.

A alta de 5 de outubro equivale a 70 dias úteis de CDI, e a comparação engana

Manchetes da semana mediram a alta do Tesouro em múltiplos do CDI. Na série diária do Banco Central, o CDI rendeu 0,050788% por dia útil de 2 a 9 de outubro, cerca de 13,65% ao ano. Com juro sobre juro a essa taxa, R$ 3.090 levam 70 dias úteis para virar R$ 3.202. Em um dia, o IPCA+ 2032 andou o que o CDI rende em pouco mais de três meses.

A comparação põe lado a lado coisas de natureza diferente. O CDI rende todo dia útil, e a alta de 5 de outubro foi um salto de preço que não se repete. Pela mesma régua, o dia em que a taxa do 2032 subisse 0,65 ponto valeria dezenas de dias de CDI negativos. Nos dois casos, o título contratado seria o mesmo.

O que se compara com o CDI é a taxa até o vencimento. Para quem comprou depois do dia 5, é IPCA mais 7,01% ao ano até 2032, contra o CDI de cada dia no mesmo período. Essa comparação depende da inflação e da Selic dos próximos seis anos, que o salto de um dia não mede. Para comparar com o pós-fixado, a medida de hoje é o juro real ex-ante, a Selic descontada da inflação esperada.

Só 2 de dezembro de 2008 teve queda de taxa maior que a de 5 de outubro

No levantamento do InfoMoney, a queda de taxas de 5 de outubro foi a segunda maior em um dia na série iniciada em 2005. A maior foi em 2 de dezembro de 2008, na crise financeira global. O dia 5 superou a queda de 20 de março de 2020, no começo da pandemia. Um dia assim é exceção na série, e não diz onde a taxa estará no mês seguinte.

A queda de 2026 veio da eleição, que mexeu na expectativa sobre o prêmio fiscal que a taxa do IPCA+ embute. Esse prêmio é a parte da taxa que paga o risco das contas públicas. A dívida e o gasto do governo, na segunda, eram os mesmos da sexta. Por isso a taxa que caiu num dia pode subir noutro sem que as contas mudem.

O que a marcação muda para quem tem IPCA+, Prefixado ou Tesouro Selic

No IPCA+ 2032, cada ponto de taxa move perto de R$ 175 por título, 5,48% de R$ 3.202, para cima ou para baixo. Num exemplo com R$ 10 mil no título, são perto de R$ 548 no extrato por ponto. Quem tem o 2040 ou o 2050 vê bem mais, e quem tem prefixado carrega também a inflação embutida na taxa. Quem tem Tesouro Selic ou CDB atrelado ao CDI quase não viu o dia 5 no extrato.

Medir o retorno da carteira ponderado pelo tempo, contra o CDI, separa a marcação do rendimento. O salto de um dia aparece como salto, e a queda de um dia de taxa em alta, como queda.

Perguntas frequentes

Só vira prejuízo se o título for vendido. A marcação fica negativa quando a taxa do título sobe depois da compra e o preço cai. Quem leva o Tesouro IPCA+ ou o Prefixado ao vencimento recebe a taxa da compra, e a oscilação do caminho desaparece no resgate final. Vendido antes, num dia de taxa acima da contratada, o título entrega menos que o combinado e pode devolver menos que o valor aplicado.
Tem, mas pequena. O Tesouro Selic rende a Selic de cada dia, e o preço acompanha esse rendimento. A marcação aparece só na pequena diferença negociada acima ou abaixo da Selic, uma fração de ponto que mexe pouco no preço. Por isso o título quase não oscila quando a curva de juros anda. O IPCA+ e o Prefixado, com a taxa travada até o vencimento, oscilam bem mais.
Só quando o ganho se realiza, na venda antes do vencimento ou no próprio vencimento. Enquanto o título fica na carteira, a marcação muda o saldo bruto, e o imposto que o extrato mostra é uma estimativa. Na venda, o imposto de renda incide sobre o lucro pela tabela regressiva da renda fixa. A alíquota diminui com o tempo de aplicação, e quem vende pouco depois da compra paga a mais alta.
Tem marcação, mas o preço anda menos por ponto de taxa que o de um título sem juros semestrais de mesmo vencimento. Os cupons devolvem parte do dinheiro antes do fim, e a duration fica menor que o prazo. A regra do prazo dividido por um mais a taxa vale para o título sem cupom. No título com juros semestrais, ela exagera a sensibilidade, e a conta certa desconta cada cupom pela sua data.

Fontes

  1. Seu Dinheiro: preços do Tesouro Direto disparam e taxas caem após o primeiro turno (5 de outubro de 2026)
  2. InfoMoney: Tesouro Direto, abertura e fechamento de 5/10/2026 (5 de outubro de 2026)
  3. Seu Dinheiro: o Tesouro IPCA+ 8% não existe mais, e quem comprou já ganha até 25% (7 de outubro de 2026)
  4. Banco Central do Brasil, SGS 12: CDI diário (9 de outubro de 2026)
  5. Mais Retorno: Tesouro IPCA+ com vencimento em 15/08/2032 (5 de outubro de 2026)

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