Vesuvian
Prédio do Ministério da Fazenda na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Qual Tesouro Direto escolher: o prazo pesa mais que a taxa

Equipe Vesuvian12 min de leitura

Qual Tesouro Direto escolher depende da data em que o dinheiro será usado. O Tesouro Selic segue a meta de 13,75% ao ano, 8,77% de juro real contra o IPCA de 12 meses, sem travá-lo. Em 6 de outubro de 2026, o Prefixado 2032 pagava 12,71% e o IPCA+ 2032, IPCA mais 6,95%. O prefixado só supera o IPCA+ se a inflação até 2032 ficar abaixo de 5,39% ao ano.

Tipos de Tesouro Direto: o que cada título trava e até quando

O Tesouro Direto vende cinco famílias de título público: Selic, Prefixado, IPCA+, Educa+ e RendA+, listadas na página de preços e taxas do Tesouro Direto. Todas aceitam resgate em qualquer dia útil, com negociação das 9h30 às 18h. O que separa uma família da outra é o que a taxa trava, e até quando. Para a escolha, três delas respondem à pergunta: o Selic, o Prefixado e o IPCA+.

O Tesouro Selic não trava nada. Ele rende a Selic de cada dia, que acompanha a meta definida pelo Copom. Depois da reunião de setembro de 2026, a meta ficou em 13,75% ao ano, pelo histórico das taxas de juros do Banco Central. Se o Copom muda a meta, o rendimento muda junto.

O Prefixado trava a taxa nominal: em 6 de outubro de 2026, o Prefixado 2032 abriu pagando 12,71% ao ano, pelos números do InfoMoney. O IPCA+ trava o juro real: no mesmo dia, o IPCA+ 2032 pagava a inflação do período mais 6,95% ao ano. Nos dois, a taxa contratada chega inteira só a quem fica com o título até o vencimento. Quem vende antes recebe o preço do dia, acima ou abaixo do que pagou.

Em 6/10/2026Tesouro SelicTesouro Prefixado 2032Tesouro IPCA+ 2032
TaxaSelic, meta de 13,75% ao ano12,71% ao anoIPCA + 6,95% ao ano
O que a taxa travanada: segue a Selic de cada diaa taxa nominal até 2032o juro real até 2032
Quem vende antes recebeo que rendeu até o diao preço do diao preço do dia
Oscilação recentequase nenhumataxa caiu 150 pontos-base de 2/10 a 6/10preço subiu 3,6% em 5/10
Imposto de renda sobre o ganhode 22,5% a 15%, pelo prazo15% se levado a 203215% se levado a 2032
Custódia da B30,20% ao ano sobre o que passa de R$ 10 mil0,20% ao ano0,20% ao ano

A linha que decide na tabela é a terceira. O Selic devolve em qualquer dia útil o que rendeu até ali. O Prefixado e o IPCA+ devolvem o preço de mercado daquele dia, que pode estar acima ou abaixo do que se pagou. Por isso a escolha começa pela data em que o dinheiro vai ser usado, e a taxa vem depois.

Em juro real, o Selic paga 8,77% e o IPCA+ 2032 trava 6,95%

Taxa nominal não compara um título atrelado à Selic com outro atrelado ao IPCA. O que se compara é o juro real, a taxa descontada da inflação. O IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro, subiu 0,82%. Com ele, o acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, pela série do IPCA no Banco Central. A conta é uma divisão, e não uma subtração, porque juro e inflação se compõem.

Contra o IPCA de 12 meses, a Selic de 13,75% dá 8,77% de juro real, 1,82 ponto acima do IPCA+ 2032

Fator da Selic em um ano
13,75%1,1375
Fator da inflação em 12 meses
4,58%1,0458
Juro real do Selic
8,77%
Acima do juro real travado no IPCA+ 2032
6,95%1,82 ponto
O juro real do Selic usa a inflação dos últimos 12 meses e muda a cada Copom e a cada IPCA; o do IPCA+ 2032 é a taxa de 6/10/2026, fixa até o vencimento para quem comprou naquele dia. Fonte: Banco Central do Brasil, 9/10/2026.

A diferença a favor do Selic é o que custa travar. O juro real do Selic usa a inflação que já passou, e muda a cada decisão do Copom e a cada IPCA divulgado. O do IPCA+ 2032 fica fixo até o vencimento para quem comprou em 6 de outubro. A medida que olha para a frente é o juro real ex-ante, a Selic descontada da inflação esperada, em série diária.

O juro real do Selic já foi menor. De 2010 a 2026, o CDI rendeu em média 3,6% ao ano acima da inflação, pela pesquisa da XP com o Insper publicada pelo Brazil Journal. O CDI anda junto com a Selic, e essa média é menos da metade da conta de outubro de 2026. Quem fica no Selic por anos recebe a média dos juros reais do período, e não o juro real do dia em que entrou.

O artigo sobre o Tesouro Selic faz a conta completa contra esse CDI histórico. A conclusão é a mesma: o título paga liquidez e acompanha o juro real do momento, sem prometê-lo para os anos seguintes.

O Prefixado 2032 só ganha do IPCA+ com inflação abaixo de 5,39% ao ano

Um prefixado e um IPCA+ de mesmo vencimento, lidos juntos, mostram a inflação que as taxas embutem. A taxa prefixada carrega o juro real e a inflação esperada para o período; a do IPCA+ carrega só o juro real. Dividindo o fator de uma pelo da outra, sai a inflação média que deixa os dois títulos empatados até 2032.

O Prefixado 2032 e o IPCA+ 2032 empatam com inflação de 5,39% ao ano, 0,81 ponto acima do IPCA de 12 meses

Fator do prefixado em um ano
12,71%1,1271
Fator do juro real do IPCA+ em um ano
6,95%1,0695
Inflação que empata os dois até 2032, ao ano
5,39%
Acima do IPCA dos últimos 12 meses
4,58%0,81 ponto
Taxas de 6/10/2026. A inflação implícita inclui um prêmio pelo risco de a inflação surpreender e mede o que as taxas embutiam naquele dia; o IPCA de 12 meses é o do Banco Central. Fonte: InfoMoney, 6/10/2026.
IPCA médio até 2032 (hipótese)IPCA+ 2032 rende, ao anoPrefixado 2032 rende, ao anoQuem sai na frente
4%11,23%12,71%Prefixado, por 1,48 ponto
4,58% (o dos 12 meses até setembro)11,85%12,71%Prefixado, por 0,86 ponto
5,39%12,71%12,71%Empate
6,5%13,90%12,71%IPCA+, por 1,19 ponto

Cada linha da tabela é uma hipótese, e não uma projeção: não projetamos a inflação até 2032. O IPCA+ soma os 6,95% de juro real à inflação que vier, e o prefixado fica nos 12,71% qualquer que seja ela. Imposto e custódia pesam igual nos dois e ficam fora da conta. Se o IPCA médio ficar abaixo de 5,39%, quem travou o prefixado recebe mais; se ficar acima, recebe menos.

Quem compra o prefixado afirma, com dinheiro, que a inflação até 2032 fica abaixo do que as taxas do dia da compra embutiam. A afirmação vale para o prazo inteiro, e não para o ano seguinte. O artigo sobre o Tesouro Prefixado mostra por que essa aposta é, no fundo, sobre o fiscal. A inflação esperada e o prêmio da taxa sobem e descem com a confiança nas contas do governo.

IPCA+ 2032 ou 2050: o mais longo pagava 0,44 ponto a menos

O IPCA+ trava o juro real que o Selic deixa variar. Em 6 de outubro, o IPCA+ 2050 pagava IPCA mais 6,51% ao ano, contra 6,95% do 2032. O título mais longo pagava 0,44 ponto a menos de juro real e ficava 18 anos a mais exposto à oscilação de preço. Pela maior taxa, naquele dia, a escolha seria o 2032. Pela data de uma aposentadoria distante, seria o 2050, com menos juro real e mais oscilação.

A recompensa de atravessar essa oscilação tem registro. A NTN-B é o título que o Tesouro Direto vende como IPCA+, e o IMA-B 5+, índice da Anbima, reúne as NTN-B com vencimento acima de cinco anos. Pela mesma pesquisa da XP com o Insper, o índice rendeu 5,5% ao ano acima da inflação de 2010 a 2026. São 1,9 ponto por ano acima do CDI para quem ficou o período inteiro com os títulos longos. Essa média é do passado e não se repete por contrato.

Parte desse juro real é prêmio pelo risco fiscal. O artigo sobre o Tesouro IPCA+ a 8% separa o que a taxa embute sobre as contas do governo, e mostra por que ela recua quando a desconfiança diminui. Quem compra o IPCA+ trava esse prêmio junto com o juro real, e o preço do título passa a depender dele até o vencimento.

Tesouro Direto e imposto de renda: de 22,5% a 15% sobre o ganho

O imposto de renda incide só sobre o ganho, na venda ou no vencimento, e a alíquota cai com o tempo de aplicação. A tabela regressiva vale para os três títulos, e a custódia da B3 também, com uma exceção no Selic. Os números são do guia da Serasa sobre taxas e tributos do Tesouro Direto.

Prazo da aplicaçãoAlíquota sobre o ganhoDe cada R$ 100 de ganho, ficam
Até 180 dias22,5%R$ 77,50
De 181 a 360 dias20%R$ 80,00
De 361 a 720 dias17,5%R$ 82,50
Acima de 720 dias15%R$ 85,00

Quem leva o prefixado ou o IPCA+ até 2032 cai na última linha. No Selic, um exercício mostra o efeito, supondo a meta parada em 13,75% por um ano. R$ 10.000 rendem R$ 1.375 brutos e, com a alíquota de 17,5%, ficam R$ 1.134,38 líquidos. Se a inflação dos 12 meses seguintes repetir os 4,58% dos últimos, o ganho em poder de compra fica perto de R$ 647. São 6,5% sobre o valor aplicado.

A custódia da B3 é de 0,20% ao ano sobre o saldo. No Tesouro Selic, ela incide só sobre o que passa de R$ 10 mil. No exemplo, só o rendimento passa do limite: mesmo que os R$ 1.375 ficassem o ano inteiro acima dele, a cobrança somaria R$ 2,75. No Prefixado 2032, a custódia leva a taxa de 12,71% para perto de 12,51% ao ano, antes do imposto. No IPCA+ 2032, o juro real contratado fica perto de 6,75%.

Imposto e custódia mudam o líquido e quase não mudam a comparação entre os títulos. Para o mesmo prazo, a alíquota é igual nos três, e a custódia só difere pela isenção do Selic. O que muda a alíquota é o tempo até o resgate, e não o título escolhido.

Vender antes do vencimento: o preço do IPCA+ 2032 andou 3,6% num dia

Dá para perder dinheiro no Tesouro Direto vendendo um prefixado ou um IPCA+ num dia em que a taxa esteja acima da contratada. O preço desses títulos é o valor a receber no vencimento, descontado pela taxa do dia. Por isso ele sobe quando a taxa cai, e cai quando ela sobe. Esse ajuste diário do preço à taxa se chama marcação a mercado.

Outubro de 2026 deu o tamanho do movimento. Pelos preços do Seu Dinheiro, a taxa do IPCA+ 2032 foi de 7,66% em 2 de outubro para 7,01% em 5 de outubro. Entre um pregão e o seguinte, o preço subiu de R$ 3.090 para R$ 3.202: 3,6%, ou R$ 112 por título. O CDI, a 0,050788% por dia útil pela série diária do Banco Central, leva 70 dias úteis para render o mesmo.

A taxa do prefixado andou mais. Do fechamento de 2 de outubro à abertura de 6 de outubro, a taxa do Prefixado 2032 caiu 150 pontos-base, de 14,21% para 12,71%, pelos números do InfoMoney. Um ponto-base é um centésimo de ponto percentual, e a queda empurrou o preço do título para cima.

A mesma conta, no sentido inverso, é a perda de quem vende quando a taxa sobe. Quem pagou R$ 3.202 em 5 de outubro e vendesse num dia de taxa de volta a 7,66% receberia perto de R$ 3.090. A esse valor se soma só o pouco que o título rende no intervalo. Quem leva o título até 2032 recebe a taxa da compra nos dois casos, e a oscilação do caminho some no resgate.

No Selic, essa oscilação quase não aparece. O rendimento acompanha a Selic de cada dia, e o preço não precisa se ajustar a uma taxa travada. A conta inteira da marcação a mercado do IPCA+ 2032 mostra quanto o preço anda a cada ponto de taxa, e por que o título mais longo oscila mais com o mesmo movimento.

Tesouro Selic, prefixado ou IPCA+: três perguntas, na ordem do prazo

A escolha se faz com três perguntas, nesta ordem, e nenhuma delas é qual título paga mais.

  • O dinheiro pode ser usado antes de 2032? Dos três, o Selic é o único que devolve o que rendeu em qualquer dia útil, sem depender da taxa negociada naquele dia.
  • A opinião é sobre a inflação ou sobre o juro real? O prefixado ganha do IPCA+ de mesmo prazo só se o IPCA médio ficar abaixo dos 5,39% implícitos. O IPCA+ trava o juro real e deixa a inflação por conta do título.
  • Quanta oscilação de preço se aguenta ver no extrato até lá? O IPCA+ 2032 andou em um dia o que o CDI rende em mais de três meses. O 2050 anda mais com o mesmo ponto de taxa.

O prazo pesa também no imposto e na inflação acumulada até o resgate. A projeção do patrimônio em faixas e em poder de compra mostra os dois efeitos em reais de hoje.

Pelas taxas de outubro, quem troca o Selic pelo IPCA+ 2032 abre mão de 1,82 ponto de juro real ao ano, medido contra a inflação passada. Em R$ 10 mil, são perto de R$ 182 por ano, antes do imposto. Em troca, deixa de depender das decisões do Copom até 2032. Quem fica no Selic mantém o resgate livre e aceita que o juro real mude a cada reunião.

Perguntas frequentes

Depende do que se mede. Em taxa nominal, em 6 de outubro de 2026, o Tesouro Selic acompanhava a meta de 13,75% ao ano e o Prefixado 2032 pagava 12,71%. O IPCA+ 2032 não tem taxa nominal fixa: paga IPCA mais 6,95%, e o total depende da inflação até 2032. Só o prefixado tem o resultado conhecido de antemão, para quem chega ao vencimento. No Selic, a ordem muda a cada decisão do Copom; no IPCA+, com a inflação.
Com a Selic a 13,75% ao ano, o equivalente mensal fica perto de 1,08%, porque a taxa anual se compõe mês a mês. R$ 1.000 rendem cerca de R$ 10,79 brutos em um mês. No resgate antes de 180 dias, o imposto de 22,5% sobre o ganho deixa perto de R$ 8,36 líquidos. O rendimento muda junto com a meta, a cada decisão do Copom.
Muda ao longo de cada dia útil de negociação, das 9h30 às 18h. O IPCA+ 2050 fechou 5 de outubro de 2026 a IPCA mais 6,59% e estava a 6,51% no dia seguinte. Quem já tem prefixado ou IPCA+ continua com a taxa da compra até o vencimento; a taxa nova muda só o preço de venda. Quem compra trava a taxa do momento da compra.
Paga, só sobre o que passa de R$ 10 mil. A custódia da B3 é de 0,20% ao ano, e no Tesouro Selic os primeiros R$ 10 mil ficam isentos. Em R$ 20 mil aplicados, a cobrança incide sobre R$ 10 mil e soma R$ 20 por ano. O valor de R$ 10 mil é o limite da isenção, e não um mínimo para investir. No prefixado e no IPCA+, a taxa incide sobre o saldo inteiro.

Fontes

  1. InfoMoney: Tesouro Direto, abertura e fechamento de 6/10/2026 (6 de outubro de 2026)
  2. Banco Central do Brasil: histórico das taxas de juros (meta Selic) (16 de setembro de 2026)
  3. Banco Central do Brasil, SGS 433: IPCA mensal e acumulado em 12 meses (9 de outubro de 2026)
  4. Banco Central do Brasil, SGS 12: CDI diário (8 de outubro de 2026)
  5. Serasa: Tesouro Direto, taxas e tributos (12 de outubro de 2026)
  6. Brazil Journal: o CDI é mesmo o risk-free brasileiro? (pesquisa XP com Insper) (15 de setembro de 2026)
  7. Seu Dinheiro: preços do Tesouro Direto disparam e taxas caem após o primeiro turno (5 de outubro de 2026)
  8. Tesouro Direto: preços e taxas dos títulos (12 de outubro de 2026)

Este artigo é análise da Vesuvian, publicada com fins informativos. Não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo, nem promessa ou projeção de rentabilidade. Toda decisão de investimento é de responsabilidade de quem a toma. Rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Produzido pela Equipe Vesuvian com uso de inteligência artificial e revisão editorial. Veja a política editorial.