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Maquininha de pagamento por aproximação sobre o balcão de uma loja

Stablecoin de Visa, Mastercard e Coinbase: o que é e quem lucra

Equipe Vesuvian7 min de leitura

A Open USD (OUSD) é a stablecoin lastreada em dólar de Visa, Mastercard, Coinbase e mais dois sócios, com participações iguais. Ela estreou em 30 de setembro de 2026, e em 13 de outubro circulavam 668,49 milhões de tokens. A reserva que sustenta esses tokens rende juro, e a maior parte dele vai às empresas parceiras que distribuem a OUSD. Quem guarda o token não recebe nada.

A OUSD é um dólar digital de cinco sócios, com US$ 668 milhões em circulação

Visa, Mastercard e Coinbase estão entre os cinco fundadores da Open USD. O token roda em quatro redes: Ethereum, Solana, Base e Tempo. No anúncio, o consórcio reunia mais de 140 empresas parceiras, e em setembro já passava de 200, segundo o CoinDesk.

Em 13 de outubro, a OUSD somava US$ 667,98 milhões de valor de mercado no CoinMarketCap, com cada token cotado perto de um dólar. É o número de circulação de fato, e não o de dinheiro prometido ao projeto, que a quinta seção separa.

Por dentro, o token segue o desenho de toda stablecoin lastreada: um dólar guardado em reserva para cada OUSD emitida. A diferença está no destino do juro que esses dólares rendem. A maior parte dele vai às parceiras, e não ao emissor.

Como funciona a reserva da OUSD: na estreia, mais da metade estava em caixa

Uma stablecoin lastreada funciona por troca. Quem entrega dólares ao emissor recebe tokens na mesma quantidade, e quem devolve os tokens recebe os dólares de volta. Essa promessa de resgate é o que segura o preço perto de US$ 1, como mostra o guia sobre o que é stablecoin. Na OUSD, cunhar e resgatar é gratuito e sem limite de volume, pela análise da CoinShares de 24 de setembro.

No dia da estreia, a KuCoin News publicou a composição da reserva que cobria os 468 milhões de OUSD então em circulação:

Na estreia, a reserva da OUSD somava US$ 468,4 milhões, mais da metade em caixa

Caixaà mão para o resgateTítulos e fundos de curto prazoa parte aplicada, que paga juroReserva na estreia, em US$milhões
257,2
211,2
468,4
Valores em US$ milhões, no dia da estreia, para 468 milhões de tokens em circulação. Fonte: KuCoin News, 30/9/2026.

A conta dá 55% da reserva em caixa e 45% em títulos e fundos de curto prazo. O caixa é a parte disponível de imediato para pagar resgates. Os títulos são a parte aplicada, e o juro deles é o que a próxima seção acompanha até o destino.

A análise da CoinShares, anterior ao lançamento, ainda não tinha confirmado a composição da reserva nem o custodiante, a instituição que guarda esses ativos. A estreia trouxe a composição. O nome do custodiante pesa tanto quanto ela, porque diz em que mãos o dólar está.

O juro da reserva vai às parceiras, e quem guarda o token fica fora da divisão

O dólar que rende na OUSD faz um caminho em quatro etapas, do saldo de quem guarda o token até quem recebe o juro:

  • O portador entrega dólares e recebe OUSD na mesma quantidade, sem taxa de cunhagem.
  • Os dólares entram na reserva, e a parte aplicada em títulos e fundos de curto prazo rende juro.
  • Do rendimento sai uma pequena taxa de administração, cujo valor não estava divulgado em 24 de setembro.
  • O restante, a maior parte, vai às empresas parceiras, cada uma na proporção da oferta de OUSD e da atividade que gera.

Em nenhuma das quatro etapas o portador recebe algo além do direito de resgatar cada token por um dólar. O dólar que rende é dele, e ele não está entre os beneficiários. Com duas taxas de exercício, a conta mostra o tamanho do que muda de mão:

Com a reserva a 4% ao ano, cada US$ 1.000 em OUSD rende US$ 40 que não voltam a quem guarda o token

Reserva a 3% ao ano
Reserva a 4% ao ano
Juro da reserva inteira em um ano, em US$ milhões
20,05
26,74
Juro sobre US$ 1.000 guardados, em um ano
US$ 30
US$ 40
Hipóteses de exercício: US$ 1.000 em OUSD guardados por um ano e a reserva inteira rendendo 3% ou 4% ao ano. As duas taxas mostram a ordem de grandeza e não são a taxa efetiva da reserva da OUSD. O juro é bruto: antes da divisão entre as parceiras, sai dele a taxa de administração. Fonte: CoinMarketCap, 13/10/2026.

Esse juro sai do saldo de quem guarda o token e chega, na maior parte, às parceiras. Por isso, qualquer oferta de rendimento sobre OUSD pede uma pergunta: de onde sai o dinheiro. Pelo desenho do token, o juro da reserva já tem dono.

Uma parceira que pague algo a quem guarda o token paga com a própria fatia ou com outra receita. Nos dois casos, o pagamento depende da parceira, e o risco de não receber é dela também.

Pagar por oferta e atividade é comissão de distribuição, e a reserva não melhora com ela

Uma recompensa que cresce com a oferta e a atividade de cada parceira remunera distribuição. Quanto mais OUSD uma empresa põe na mão dos clientes e faz circular, maior a fatia dela no juro da reserva. Nada nessa conta premia uma reserva mais segura, um resgate mais rápido ou um custodiante mais sólido.

Para as empresas, a mudança é real. O rendimento que o desenho tira do emissor passa a ser dividido entre as parceiras. Cada uma ganha motivo financeiro para oferecer a OUSD em pagamentos, lojas e aplicativos, onde o cliente já está.

O arranjo funciona como um pool de mineração, o grupo de mineradores que junta poder de processamento e divide a recompensa de cada bloco. Cada um recebe pela parte do trabalho que entregou, e o pool só conta trabalho. Na OUSD, o contador mede oferta e atividade. Quem só guarda o token não entrega nenhuma das duas, e a qualidade da reserva também fica fora da medida.

Para o portador, o incentivo muda em quantos lugares a OUSD aparece, e não o que ela carrega. O risco dele continua na reserva e no resgate.

Ao lado do USDT e do USDC, a OUSD estreou com menos de 1% do tamanho

No dia da estreia, a KuCoin News publicou a circulação da OUSD ao lado do valor de mercado do USDT e do USDC. Os números são de um portal ligado a uma corretora, e não dos emissores:

Na estreia, a OUSD equivalia a 0,25% do USDT e a 0,63% do USDC

USDT
USDC
Valor de mercado, em US$ milhões
183.800
74.100
1% do valor de mercado, em US$ milhões
1.838
741
Peso da OUSD, em % do valor de mercado
4680,25%
4680,63%
Valores do dia da estreia. O USDT e o USDC estão publicados em bilhões e passam a milhões (1 bilhão = 1.000 milhões), a unidade da OUSD; o peso é a circulação da OUSD dividida por 1% do valor de mercado de cada uma. Fonte: KuCoin News, 30/9/2026.

Na mesma conta da KuCoin News, a OUSD era cerca de 0,15% de um mercado de stablecoins de mais de US$ 300 bilhões. Duas semanas depois, a circulação tinha passado a 668,49 milhões de tokens, alta de 43% sobre a estreia.

O número das manchetes do lançamento é outro: mais de US$ 1 bilhão comprometido em liquidez. É dinheiro prometido para que o token tenha liquidez, e não OUSD em circulação. Com o valor de mercado de 13 de outubro, a circulação equivalia a no máximo 67% desse bilhão. O bilhão chegou às manchetes antes de chegar à rede.

Duas semanas de crescimento são pouco para dizer quanto a OUSD vai circular daqui em diante, e isso não sabemos.

OUSD no Brasil: sem porta de entrada confirmada, a conferência é emissor, reserva e chave

A Bitso, corretora latino-americana, anunciou em julho a integração da OUSD. O anúncio não confirma o Brasil entre os países atendidos, e por isso a OUSD ainda não tem porta de entrada confirmada para quem mora aqui. O imposto sobre stablecoin é assunto à parte, tratado na análise de stablecoin e IOF.

Venha de um consórcio ou de uma empresa só, toda stablecoin pede ao portador três conferências. O destino do juro não muda nenhuma delas:

  • Quem deve o dólar. Ser fundador do projeto não é ser emissor, e quem responde pelo resgate é o emissor nomeado nos termos de resgate, como mostra o artigo sobre quem deve o dólar de uma stablecoin.
  • Onde está a reserva. A composição publicada diz quanto do dólar está à mão, e o nome do custodiante diz com quem.
  • Quem guarda a chave. Token em corretora é crédito contra a corretora, e o guia de onde guardar criptomoedas compara essa custódia com a da carteira própria.

Com OUSD numa corretora, a cadeia tem dois devedores: a corretora deve o token, e o emissor deve o dólar. Levar o token para uma carteira própria tira a corretora da cadeia, e o emissor segue com o token aonde ele for. Em nenhum dos dois casos o portador recebe o juro do dólar que deixou na reserva.

Perguntas frequentes

Ser sócio do projeto não é o mesmo que responder pelo resgate. Visa, Mastercard e Coinbase estão entre os cinco fundadores da OUSD, com participações iguais. Numa stablecoin lastreada, quem deve o dólar é o emissor, e o que sustenta a promessa é a reserva que ele mantém. Os termos de resgate dizem quem é esse emissor, em que prazo ele paga e a quem o portador pode pedir o dólar.
Em 13 de outubro de 2026, o CoinMarketCap cotava a OUSD a US$ 0,9992. O preço numa corretora oscila com a oferta e a procura do dia. O que o puxa de volta ao dólar é o resgate: quem tem acesso a ele compra o token abaixo de US$ 1 e o troca por um dólar inteiro. Na OUSD, essa troca não paga taxa, porque cunhar e resgatar é gratuito.
Não. O FGC, o fundo que garante depósitos e alguns títulos bancários no Brasil, não cobre stablecoin. Quem tem OUSD, USDT ou USDC é credor do emissor. Ele promete resgatar cada token por um dólar, e o que sustenta essa promessa é a reserva. Se a reserva não cobrir os resgates, não há fundo que pague a diferença ao portador.

Fontes

  1. KuCoin News: Open USD launches with $468M circulation, partners with Stripe for wider adoption (30 de setembro de 2026)
  2. CoinMarketCap: Open USD (OUSD), preço, valor de mercado e oferta circulante (13 de outubro de 2026)
  3. CoinShares: What is Open USD and what does it mean for stablecoins (24 de setembro de 2026)
  4. CoinDesk: Open USD takes on Tether, Circle with a different stablecoin model (30 de setembro de 2026)
  5. DPL News: a integração da OUSD pela Bitso (21 de julho de 2026)

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