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Fachada do prédio da bolsa B3 no centro de São Paulo

IVVB11 ou SPXI11: R$ 176 por ano a favor do SPXI11 em R$ 100 mil

Equipe Vesuvian8 min de leitura

Em R$ 100 mil, o SPXI11 custa R$ 176 por ano a menos que o IVVB11. São R$ 156 de imposto retido na fonte, menor no fundo irlandês que o SPXI11 compra, e R$ 20 de taxa. A conta usa o rendimento de dividendos do S&P 500, de 1,04% em 12 de outubro de 2026. A favor do IVVB11 fica a liquidez: o volume diário dele é 6,6 vezes o do SPXI11.

Imposto e taxa em R$ 100 mil: R$ 542 por ano no IVVB11, R$ 366 no SPXI11

O IVVB11 e o SPXI11 replicam o S&P 500 na B3, e o que os separa é o fundo que cada um compra. O IVVB11, da BlackRock, compra o IVV, registrado nos EUA; o SPXI11, da Itaú Asset, compra o VUAA, da Vanguard, registrado na Irlanda. O país do fundo decide quanto do dividendo das empresas americanas fica retido na fonte. A Nordinvestimentos dá 30% no fundo americano e 15% no irlandês, e o artigo sobre o MUND11 explica por que a Irlanda retém menos.

A conta parte dos 1,04% de rendimento de dividendos do S&P 500 que o Multpl mediu em 12 de outubro. Sobre o patrimônio incidem as taxas: 0,23% ao ano no IVVB11 e 0,21% no SPXI11, publicadas pela Suno em 7 de outubro. Somadas as duas cobranças, cada fundo deixa no caminho:

Em R$ 100.000, imposto retido e taxa somam R$ 542 ao ano no IVVB11 e R$ 366 no SPXI11

IVVB11 (fundo nos EUA)
SPXI11 (fundo na Irlanda)
Dividendo do índice no ano
1,04%R$ 1.040
1,04%R$ 1.040
Imposto retido na fonte
30%R$ 312
15%R$ 156
Taxa cobrada no ano
0,23%R$ 230
0,21%R$ 210
Imposto retido e taxa no ano
R$ 542
R$ 366
Exercício: R$ 100.000 aplicados por um ano em cada ETF, com o rendimento de dividendos do S&P 500 de 12/10/2026 e a retenção de cada domicílio aplicada ao dividendo inteiro. Retenção lida na Nordinvestimentos; taxas, na Suno. Fonte: Multpl, com dados da S&P, 12/10/2026.

Entre as colunas, a diferença é de R$ 176 por ano a favor do SPXI11. Dela, R$ 156 são retenção, os 15 pontos a menos sobre R$ 1.040 de dividendo, e R$ 20 são taxa. A conta mede custo e não prevê retorno. Com o mesmo índice nos dois, ela diz quanto cada fundo perde entre o índice e a cota.

Só o dividendo paga retenção, e por isso a parte do imposto acompanha o rendimento do índice. Em R$ 100 mil, cada 0,1 ponto de dividendo a mais soma R$ 15 à vantagem do fundo irlandês. Se o S&P 500 compensa contra o CDI é uma pergunta anterior, e a conta do IVVB11 contra o CDI responde a ela.

Diferenças entre SPXI11 e IVVB11: desde 2026, um fundo irlandês contra um americano

Em 2020, o SPXI11 comprava o VOO, o ETF do S&P 500 que a Vanguard lista nos EUA. Os dois ETFs da B3 tinham então fundos americanos por dentro e pagavam a mesma retenção. Com o imposto igual dos dois lados, a comparação se fazia por taxa e liquidez. Uma comparação daquela época descreve um SPXI11 com outro fundo por dentro.

Em 2026, o SPXI11 passou a investir no VUAA, o Vanguard S&P 500 UCITS ETF. Pela página da Vanguard, o fundo é registrado na Irlanda, tem 504 ações e US$ 88,97 bilhões de patrimônio, e cobra 0,07% ao ano. O VUAA acumula os dividendos: reinveste o que recebe, em vez de distribuir.

A retenção acontece dentro do fundo de fora, antes de o dividendo chegar à cota do ETF da B3. Por isso ela não aparece no extrato de quem tem a cota. O imposto que esse cotista vê é o da venda com lucro, com a mesma regra nos dois ETFs, e o guia do imposto de renda sobre investimentos trata dessa cobrança.

Taxa de administração do SPXI11 e do IVVB11: com o VUAA por fora, a vantagem cai a R$ 106

Pela taxa que cada fundo declara, os dois ETFs diferem por 0,02 ponto ao ano. A retenção não entra nessa taxa, e a diferença dela é de 0,156 ponto: 15 pontos a menos sobre o dividendo de 1,04%. Na distância entre os dois fundos, o imposto pesa 7,8 vezes a taxa.

A Suno chama os 0,21% do SPXI11 de taxa total máxima, o que sugere que o custo do VUAA já está dentro. Se os 0,07% do VUAA viessem por fora, o SPXI11 custaria 0,28% ao ano. A taxa passaria a pesar R$ 50 contra ele em R$ 100 mil, e a vantagem da estrutura cairia para R$ 106 por ano.

Mesmo nesse caso, o imposto pesaria mais de três vezes a taxa. A mesma dúvida vale para o IVVB11 e o custo do IVV, e a documentação de cada ETF a resolve. Nenhuma das duas hipóteses inverte o sinal da conta.

Os 0,70 ponto ao ano de vantagem pediriam um dividendo de 4,67%

Na notícia sobre a troca, de 7 de outubro, a Suno atribuiu ao domicílio irlandês uma vantagem tributária de até 0,70 ponto ao ano. O “até” tem fundamento, porque a vantagem cresce com o dividendo do índice. Para 15 pontos de retenção a menos renderem 0,70 ponto, porém, o S&P 500 precisaria pagar 4,67% ao ano em dividendos.

É 4,5 vezes o rendimento de 12 de outubro. Em R$ 100 mil, os 0,70 ponto seriam R$ 700 por ano, contra os R$ 156 que a retenção menor devolve com o dividendo de outubro. Se a cifra inclui outro efeito, ele não está na retenção, e o número que a conta sustenta é o de 0,156 ponto.

O retorno passado não mede a estrutura: duas fontes discordam por 0,43 ponto

Os R$ 176 em R$ 100 mil são 0,176 ponto ao ano, e o retorno dos dois fundos seria o lugar natural para vê-los. Como os dois são cotados em reais e carregam o mesmo dólar, a distância entre eles não depende do câmbio. Para os mesmos 12 meses, porém, o comparador de ETFs da B3 e o ETFs Brasil chegam a distâncias diferentes:

Nos mesmos 12 meses, o SPXI11 fica 0,50 ponto à frente na B3 e 0,07 no ETFs Brasil

Comparador da B3
ETFs Brasil
Retorno do SPXI11
8,50%
8,06%
Retorno do IVVB11
8,00%
7,99%
Vantagem do SPXI11
0,50 ponto
0,07 ponto
Retorno em reais dos dois ETFs nos 12 meses até 13/10/2026, como cada comparador o publica; a segunda coluna é do ETFs Brasil, lido na mesma data. Fonte: Bora Investir (B3), 13/10/2026.

As duas leituras discordam entre si em 0,43 ponto, mais que o dobro do efeito que se queria achar. Pela B3, o SPXI11 ganhou quase três vezes o que a estrutura explica; pelo ETFs Brasil, menos da metade. Nenhuma das duas mede a retenção: as duas medem o rastreamento, a distância entre cada cota e o índice, e o método de cada comparador.

O rastreamento do SPXI11 tem uma fonte própria: ele pode manter até 5% do patrimônio em contratos futuros, segundo a Suno. A distância que isso cria entre a cota e o índice fica fora da conta de custo e aparece só no retorno.

As janelas longas têm outro defeito. Em 3 anos, a B3 mostra 78,85% no SPXI11 contra 78,07% no IVVB11; em 5 anos, 66,78% contra 67,03%, com o IVVB11 à frente. Como a troca para o VUAA é de 2026, as duas janelas medem sobretudo um SPXI11 com fundo americano por dentro. Até a de 12 meses começa antes da troca.

Escolher entre os dois pelo retorno passado é ler esse ruído como se fosse a estrutura. Para quem já tem um dos dois, a rentabilidade da carteira comparada ao índice faz a comparação com o mesmo período e o mesmo método.

IVVB11 ou SPXI11 em cinco anos: R$ 880 contra um volume 6,6 vezes maior

Mantido o dividendo do índice em 1,04%, a diferença de estrutura soma R$ 880 em R$ 100 mil e cinco anos. A soma é simples e não inclui o rendimento que o valor retido teria dentro da cota. Ela também sobe ou desce com o dividendo do índice: R$ 75 em cinco anos para cada 0,1 ponto.

Do outro lado está o que a conta de custo não mede. Pelo ETFs Brasil, o IVVB11 tem R$ 7,58 bilhões de patrimônio e negocia em média R$ 70,02 milhões por dia. O SPXI11 tem R$ 1,77 bilhão e negocia R$ 10,53 milhões por dia, e o volume do IVVB11 é 6,6 vezes o dele. O volume pesa no preço de execução de cada ordem, sobretudo nas grandes.

Os dois custos têm frequências diferentes. A estrutura cobra todo ano sobre o patrimônio inteiro, e a diferença cresce com o tempo de permanência. O volume cobra a cada ordem, e pesa mais para quem entra e sai com valores grandes. Para quem já tem ganho acumulado no IVVB11, trocar exige vender, e o imposto da venda sai de uma vez, contra os R$ 176 que a estrutura devolve por ano.

Perguntas frequentes

Não. O SPXI11 investe no VUAA, a classe do fundo da Vanguard que acumula os dividendos. O que as empresas do S&P 500 pagam é reinvestido dentro do fundo, depois da retenção de 15% na fonte. O cotista não recebe provento na conta, e o dividendo aparece no preço da cota. O IVVB11 também não paga provento ao cotista, e a retenção dentro do IVV é de 30%.
Pode, mas ter os dois não acrescenta diversificação. Os dois replicam o mesmo índice, e a carteira continua com as mesmas ações do S&P 500. A posição se divide entre duas estruturas, e o custo vira a média das duas, ponderada pelo valor em cada uma. Com R$ 100 mil divididos ao meio, imposto retido e taxa somam R$ 454 por ano.
Paga, se houver ganho. Trocar exige vender o IVVB11, e a venda com lucro de um ETF da B3 paga imposto de renda sobre o ganho naquele momento. Esse valor sai da carteira e deixa de render dentro dela. Num exemplo em que o imposto da venda some R$ 3.000, ele equivale a 17 anos da diferença de estrutura numa posição de R$ 100 mil. Sem ganho, a venda não gera imposto.

Fontes

  1. S&P 500 Dividend Yield: rendimento de dividendos dos últimos 12 meses (Multpl, dados da S&P) (12 de outubro de 2026)
  2. SPXI11 passa a investir no VUAA irlandês: taxa de 0,21%, IVVB11 a 0,23%, até 5% em futuros e vantagem tributária de até 0,70 ponto (Suno) (7 de outubro de 2026)
  3. Vanguard S&P 500 UCITS ETF (USD) Accumulating: domicílio na Irlanda, 504 ações, taxa de 0,07% (Vanguard) (12 de outubro de 2026)
  4. ETFs irlandeses: retenção de 15% contra 30% sobre dividendos americanos (Nordinvestimentos) (10 de outubro de 2026)
  5. Comparador de ETFs: IVVB11 e SPXI11, retorno em 12 meses, 3 e 5 anos (Bora Investir, B3) (13 de outubro de 2026)
  6. Comparador IVVB11 e SPXI11: retorno em 12 meses, patrimônio e volume diário médio (ETFs Brasil) (13 de outubro de 2026)
  7. IVVB11 ou SPXI11: qual a melhor ETF de S&P500? O SPXI11 no VOO em 2020 (Mais Retorno) (3 de setembro de 2020)

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