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Fileiras de máquinas de mineração de bitcoin num galpão

Quantos bitcoins faltam para minerar: 900.519, ou 4,29% do total

Equipe Vesuvian7 min de leitura

Faltam 900.519 bitcoins para minerar, 4,29% do limite de 21 milhões, pela contagem da rede no bloco 972.488, em 21 de outubro de 2026. A emissão soma perto de 450 por dia e, com os cortes da recompensa, termina por volta de 2140. Pesa mais o que já saiu de circulação. As estimativas de perda, de 2,3 a 3,7 milhões, valem de 2,55 a 4,11 vezes o que falta emitir.

Quantos bitcoins existem: 20.099.481, ou 95,71% do limite

O total emitido é a parte da conta que não depende de estimativa. Cada bloco paga uma recompensa fixada no protocolo, e por isso qualquer nó chega ao mesmo total somando bloco a bloco. O nó é o computador que roda o programa da rede e guarda uma cópia dela. A Blockchain.com publica esse total numa consulta pública (API), em satoshis, a menor fração do bitcoin.

No bloco 972.488, o último minerado na leitura de 21 de outubro de 2026, o contador marcava 2.009.948.100.000.000 satoshis, ou 20.099.481 bitcoins. São 95,71% do limite de 21 milhões. A diferença, de 900.519 bitcoins, é o que resta minerar, e ela diminui a cada bloco minerado depois dessa leitura.

Contra o que já existe, o restante equivale a 4,48% (900.519 divididos por 20.099.481). É o máximo que a quantidade de bitcoins emitidos ainda pode crescer, somados todos os blocos que faltam até o fim da emissão.

Quando acaba o bitcoin: por volta de 2140, e não em 5,5 anos

Cada bloco paga a quem o minera 3,125 bitcoins novos, a recompensa em vigor. A rede ajusta a dificuldade da mineração para que saia um bloco a cada dez minutos, em média. Isso dá 144 blocos e 450 bitcoins novos por dia. A conta abaixo mantém esse ritmo até o último dos bitcoins restantes para minerar.

A 450 por dia, os 900.519 bitcoins que faltam sairiam em 5,5 anos

Bitcoins novos por dia
450
Dias para emitir o que falta, nesse ritmo
2.001 dias
Anos para emitir o que falta, nesse ritmo
5,5 anos
Exercício: a recompensa por bloco de hoje mantida até o último bitcoin, o que o protocolo não faz, e o ano com 365 dias. Fonte: Blockchain.com e Coingate, 21/10/2026.

O prazo real é muito mais longo, porque o protocolo não mantém a recompensa. A cada halving, o corte pela metade da recompensa por bloco, a emissão diária também cai à metade. O próximo, em 2028, a leva a 225 bitcoins por dia. Cada etapa dura o mesmo número de blocos e emite metade da anterior. Por isso o total se aproxima dos 21 milhões sem alcançá-los por mais de um século, e o último bitcoin sai por volta de 2140.

A data provável de cada corte está no calendário do halving de 2028. Para a oferta, o que importa é a natureza do número: a emissão é regra escrita no código e conferida por todo nó. É o único lado da conta com essa garantia.

Só as moedas atribuídas a Satoshi já passam do que falta minerar

Do lado do que sai da oferta, o caso mais firme é o de Satoshi Nakamoto, o criador anônimo do protocolo. Cerca de 1,1 milhão de bitcoins atribuídos a ele nunca se moveram, pela estimativa que o Coingate reúne. São 1,22 vez os 900.519 que faltam emitir. Dito ao contrário, toda a emissão que resta até 2140 equivale a 82% do que está parado nessas carteiras.

QuantidadeBitcoinsVezes o que falta minerarNatureza do número
Falta minerar, em 21/10/2026900.5191,00registro da rede
Atribuídos a Satoshi, nunca movidos1,1 milhão1,22estimativa
Perdidos, estimativa baixa2,3 milhões2,55estimativa
Perdidos, estimativa alta3,7 milhões4,11estimativa

A estimativa de perda já inclui as moedas de Satoshi, e por isso as linhas não se somam. Só a primeira linha é registro da rede. As outras três dependem de como se lê um endereço que não se move há anos.

Bitcoin parado não é bitcoin perdido, e a rede não distingue os dois

A ponta alta da faixa, 3,7 milhões, vem da Chainalysis, empresa de análise de blockchain. O relatório, de junho de 2020 e relatado pelo Decrypt, conta as moedas que não se moveram por pelo menos cinco anos. O critério é inatividade, não prova de perda. Na mesma reportagem, a Glassnode, outra empresa de dados on-chain (os registros públicos da própria rede), estima cerca de 3 milhões de bitcoins perdidos.

A rede registra que uma moeda não se moveu, e não registra por quê. Funciona como a data de último acesso de um arquivo: o sistema sabe quando ele foi aberto, não se alguém ainda tem a senha. A chave apagada com um disco formatado e a chave guardada por quem decidiu nunca vender deixam o mesmo endereço parado. A rede sabe quantos bitcoins criou, até o último satoshi; quantos ainda têm alguém com a chave, ninguém sabe.

Por isso a perda se trata como faixa, e larga. O número da Chainalysis é de 2020. Desde então, moeda que estava parada pode ter se movido, e moeda que parou em 2021 já completou os cinco anos do critério. Mesmo as moedas de Satoshi dependem de inferência, porque a atribuição a ele não é registro da rede.

A oferta que pode circular fica entre 16,4 e 17,8 milhões de bitcoins

Tirando os bitcoins perdidos do total emitido, sobra o que alguém ainda pode mover. A conta usa as duas pontas da estimativa, porque a rede não oferece critério para escolher uma delas.

Dos bitcoins emitidos, de 16.399.481 a 17.799.481 ainda podem circular

Estimativa baixa de perda
Estimativa alta de perda
Emitidos até 21/10/2026
20.099.481
20.099.481
Perdidos, pela estimativa
2.300.000
3.700.000
Oferta que ainda pode circular
17.799.481
16.399.481
O total emitido é registro da rede, lido na API da Blockchain.com. A perda não é: as duas colunas usam as pontas da estimativa de 2,3 a 3,7 milhões de bitcoins perdidos que o Coingate reúne, tomadas aqui como os dois cenários do exercício. Fonte: Blockchain.com, 21/10/2026.

Contra o limite de 21 milhões, a perda estimada vai de perto de 11% a 18%, contra os 4,29% que faltam emitir. A oferta que circula é menor do que o contador de emissão mostra. E ela encolhe a cada chave perdida, sem que a rede registre a perda.

Oferta menor não diz para onde vai o preço, e não sabemos para onde ele vai. O que a oferta descreve é quanto bitcoin existe para negociar, não quanto alguém pagará por ele. O retorno em reais, ano a ano, está em quanto rende o bitcoin por ano contra o CDI.

Bitcoin perdido é chave perdida: três tarefas para não entrar na conta

Cada moeda da faixa de perda corresponde a uma chave privada que ninguém mais tem. A chave é o código que autoriza gastar o saldo de um endereço, e o protocolo não tem cadastro, suporte nem recuperação de senha. Sem ela, a moeda continua registrada na rede, contada entre as emitidas, e intocável para sempre.

Quem guarda bitcoin em carteira própria tem três tarefas de custódia, e cada uma fecha uma das formas de entrar nessa estatística:

  • Saber em que aparelho ou programa está a chave de cada saldo, e manter essa lista atualizada a cada troca de carteira.
  • Guardar a frase de recuperação, as palavras que recriam a chave, fora do aparelho que a usa, em papel ou metal e em lugar protegido.
  • Deixar escrito, para alguém de confiança, que o bitcoin existe e onde está a instrução de acesso, sem entregar a frase em si.

A comparação entre carteira própria e corretora está em onde guardar criptomoedas. Na corretora, a chave fica com a empresa, e o cliente tem um saldo a receber dela, sem FGC. Se a corretora quebra, esse bitcoin não aparece como moeda parada, porque segue na carteira dela. O risco é o do saldo quando a corretora fecha, e se mede pela saúde da empresa, não pela rede.

Perguntas frequentes

Os mineradores deixam de receber bitcoins novos e passam a viver só das taxas de transação. Essas taxas já existem: quem envia bitcoin as paga hoje, e o minerador as recebe junto com a recompensa do bloco. A rede continua funcionando com as mesmas regras; o que muda é quem paga pela segurança dela. Se as taxas vão bastar para manter mineradores suficientes é uma pergunta em aberto, que cada corte da recompensa vai testando.
Só com a chave privada ou com a frase de recuperação que a recria. Quem tem as palavras restaura a carteira em outro aparelho, e as moedas aparecem de novo, porque nunca saíram da rede. Sem nenhuma das duas, não há a quem pedir: o protocolo não tem cadastro nem suporte. Em corretora o caso é outro, porque a chave é da empresa e o que se recupera é o acesso à conta.
O limite está nas regras que cada nó aplica ao conferir os blocos: um bloco que pague mais do que a recompensa permitida é rejeitado. Mudá-lo exigiria que os nós passassem a rodar uma versão com outra regra. Quem não mudasse continuaria rejeitando esses blocos, e a rede se partiria em duas. A regra do limite nunca mudou desde o lançamento do bitcoin.
Cem milhões. O satoshi é a menor fração do bitcoin, 0,00000001, e é nessa unidade que a rede registra saldos e recompensas. Os 3,125 bitcoins que cada bloco paga hoje, por exemplo, são 312.500.000 satoshis. Quem compra uma fração pequena de bitcoin compra, na prática, uma quantidade de satoshis, e o saldo dela fica registrado na rede nessa unidade.

Fontes

  1. Blockchain.com, API q/totalbc: total de bitcoins emitidos (2.009.948.100.000.000 satoshis) (21 de outubro de 2026)
  2. Blockchain.com, API q/getblockcount: altura do último bloco (972.488) (21 de outubro de 2026)
  3. Coingate: quantos bitcoins existem, emissão de 450 por dia e estimativa de 2,3 a 3,7 milhões perdidos (21 de outubro de 2026)
  4. Decrypt: relatório da Chainalysis sobre 3,7 milhões de bitcoins parados há cinco anos ou mais, com estimativa da Glassnode (30 de junho de 2020)
  5. Money Times: 95% do bitcoin já foi minerado, e o último sai por volta de 2140 (9 de março de 2026)

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