Bitcoin hoje em real é o preço em dólar vezes o câmbio, e em 26/10/2026 quem se moveu foi o câmbio. Naquele dia o bitcoin chegou a R$ 436.449, alta de 8,66% em 24 horas, enquanto em dólar caía 0,3%. A PTAX, o dólar de referência do Banco Central, subiu 9,2% de sexta para segunda, mais do que a alta inteira do bitcoin em reais.
As duas variações são da leitura do BPMoney na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão depois da eleição, e as duas medem 24 horas. Em dólar, o bitcoin andou para trás. A distância entre a tela em reais e a tela em dólar vem do número que converte uma na outra: o câmbio.
A medida do câmbio que se confere depois é a PTAX de venda. O Banco Central a calcula em todo dia útil, a partir de consultas ao mercado, e ela foi de R$ 5,0377 na sexta, 23 de outubro, para R$ 5,5007 na segunda. Com R$ 100 em bitcoin na sexta, a conta fica assim:
Com o dólar 9,2% mais caro, R$ 100 em bitcoin que caiu 0,3% em dólar viraram R$ 108,86
A conta chega a 8,86%, perto da alta medida, e o dólar sozinho subiu mais do que o bitcoin em reais. A queda do ativo em dólar tirou um pedaço da alta do câmbio, em vez de somar a ela. Quem leu os 8,66% como notícia do bitcoin estava lendo o dólar de segunda-feira.
A conta que se ensina para saber quanto vale uma posição multiplica a quantidade pela cotação em reais. O guia do Inter, de 14 de junho de 2025, usa 0,015 bitcoin a R$ 250.000 e chega a R$ 3.750. A conta está certa e esconde uma etapa: os R$ 250.000 já são o preço em dólar vezes o dólar daquele dia.
Com essa etapa à mostra, a variação de qualquer dia segue uma regra só: (1 + variação em reais) = (1 + variação em dólar) × (1 + variação do câmbio). Em 26/10, 0,997 × 1,0919 deu 1,0886. Somar as duas variações daria quase o mesmo, 8,89% contra 8,86%, porque a queda em dólar foi pequena. O erro da soma cresce quando os dois movimentos são grandes, e aí só a multiplicação serve.
O efeito numa posição aparece com um exemplo. Os R$ 250.000 do guia seriam o preço da sexta, com o dólar de 23/10, e o bitcoin ficaria parado em dólar até segunda. Com a PTAX de 26/10, os mesmos 0,015 bitcoin passariam de R$ 3.750 para R$ 4.095: R$ 345 a mais, sem nenhuma transação diferente na rede.
As matérias de 26/10 deram dólares diferentes para o mesmo dia. O BPMoney citou o dólar futuro, contrato negociado na B3, a R$ 5,42 na abertura, em alta de 8,65%. Outras fontes trouxeram valores de outros horários e contratos. A PTAX tem método fixo e arquivo público, e por isso é a que permite refazer a conta dias depois.
Pela PTAX, a alta em reais seria de 8,86%, e o BPMoney mediu 8,66%. Três diferenças de medida cabem nesse 0,2 ponto. A primeira é a janela: a variação de 24 horas do bitcoin vai de domingo a segunda, e a da PTAX vai de sexta a segunda, porque o bitcoin negocia no fim de semana e o câmbio só volta a ter taxa oficial na segunda.
A segunda é o horário: a cotação do bitcoin é de um momento do dia, e a PTAX resume o dia inteiro. A terceira é o spread de cada corretora, a distância entre o preço de compra e o de venda, que entra no preço em reais e não entra na PTAX.
Para quem mede em reais, o dólar entra duas vezes. Entra no preço do bitcoin lá fora, que acompanha a liquidez em dólar. E entra na conversão, que responde ao diferencial entre o juro americano e a Selic e ao risco do país. Em 26/10, a primeira entrada pesou 0,3% para baixo, e a segunda, 9,19% para cima.
Às 11h47 de 26/10, o Economic News Brasil registrou dois preços para o mesmo bitcoin. O Mercado Bitcoin, corretora brasileira, mostrava R$ 435.540, e o CoinGecko, site que agrega preços de várias corretoras, R$ 399.800. O primeiro fica 8,94% acima do segundo, quase o tamanho do salto da PTAX. Dividir cada preço por um dólar mostra de onde vem a distância:
Cada tela pelo seu dólar dá o mesmo bitcoin: US$ 79.179 e US$ 79.362
Em dólar, as duas telas ficam a 0,23% uma da outra, e a distância de 8,94% era câmbio. A conta é compatível com uma tela que ainda convertia pelo dólar de sexta, como um cache que continua servindo a resposta antiga depois que a origem mudou. Não conferimos como o CoinGecko converte para reais, e por isso a conta mostra compatibilidade, não a causa.
Pela conta, o bitcoin não estava mais caro no Brasil naquela manhã. Uma corretora brasileira mostra o preço do próprio livro de ofertas, as ordens de compra e venda dos clientes dela, com spread e liquidez próprios. Sem um salto de câmbio no meio, é isso que sobra para explicar a distância até o agregador. O saldo que fica na corretora é um crédito contra ela, e o que isso significa em caso de quebra está em onde guardar criptomoedas.
A PTAX de terça, 27 de outubro, ficou em R$ 5,3346, e a de quarta, 28, em R$ 5,3420. Contra a sexta anterior à eleição, o dólar continuava mais caro, mas menos do que na segunda:
| Data | PTAX de venda | Contra o dia útil anterior | Contra 23/10/2026 |
|---|---|---|---|
| 23/10/2026, sexta | R$ 5,0377 | ponto de partida | ponto de partida |
| 26/10/2026, segunda | R$ 5,5007 | +9,19% | +9,19% |
| 27/10/2026, terça | R$ 5,3346 | -3,02% | +5,89% |
| 28/10/2026, quarta | R$ 5,3420 | +0,14% | +6,04% |
Da alta de R$ 0,4630 entre sexta e segunda, R$ 0,1661 voltou na terça, pouco mais de um terço. Com o bitcoin parado em dólar, o preço em reais teria caído os mesmos 3,02% na terça, sem nenhum evento no protocolo. Quem visse essa queda a leria como notícia de cripto.
Para onde o câmbio e o bitcoin vão a partir daqui, não sabemos, e a conta não depende disso. Ela mostra que o preço em reais herda os dois movimentos, e que na semana da eleição o maior deles foi o do dólar.
O ganho de capital com cripto se apura em reais: preço de venda menos custo de compra. A parte do resultado que veio do dólar entra na base do imposto como se fosse ganho com o bitcoin, e a parte que o dólar tirou reduz o ganho do mesmo jeito. As faixas de isenção e as alíquotas estão no texto sobre o imposto de criptomoedas em 2026.
Comprar numa corretora brasileira de cripto ou por um ETF de bitcoin na B3 não muda essa exposição. A cota do ETF acompanha o bitcoin em dólar convertido para reais, e carrega o câmbio como o saldo na corretora.
A tarefa é registrar três coisas em cada compra: a data, o preço pago em reais e a PTAX do dia. Com elas, a posição se mede nas duas moedas, e a diferença entre as duas medidas é o câmbio. Nos 0,015 bitcoin do exemplo, seriam R$ 345 de ganho em reais e nenhum em dólar. Manter uma carteira em dólar ao lado da carteira em reais deixa essa separação visível a cada fechamento de mês.
Fontes
- Banco Central, PTAX de venda do dólar de 23/10 a 28/10/2026 (serviço Olinda) (28 de outubro de 2026)
- BPMoney: bitcoin a R$ 436.449 (+8,66%) e -0,3% em dólar em 26/10, com o dólar futuro a R$ 5,42 (26 de outubro de 2026)
- Economic News Brasil: bitcoin hoje, R$ 435.540 no Mercado Bitcoin e R$ 399.800 no CoinGecko às 11h47 (26 de outubro de 2026)
- Inter: como calcular bitcoin em real (exemplo de 0,015 BTC a R$ 250.000) (14 de junho de 2025)
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