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Máquinas de mineração de bitcoin em operação

Halving bitcoin 2028: perto de abril, com 1,5625 BTC por bloco

Equipe Vesuvian9 min de leitura

O halving do bitcoin de 2028 está previsto para perto de abril, no bloco 1.050.000. Nele, a recompensa paga a quem minera cada bloco vai de 3,125 para 1,5625 BTC, e a emissão de bitcoin novo cai à metade. Essa emissão já é pequena perto do mercado: em 4 de setembro de 2026, um dia de entrada nos ETFs americanos valeu 3,5 semanas dela.

Próximo halving do bitcoin: quando é, e por que a data anda

O halving é o corte pela metade da recompensa que o protocolo do bitcoin paga a quem minera. Minerar é usar máquinas para validar um lote de transações, o bloco, e registrá-lo na rede. Essa recompensa é a única porta de entrada de bitcoin novo, e faltam 900.519 bitcoins para minerar. Pela série que o Estado de Minas resume, ela foi de 50 BTC por bloco em 2009 a 25 em 2012 e 12,5 em 2016. Caiu a 6,25 em 2020 e está em 3,125 desde abril de 2024.

O de 2028 é o quinto corte. Na contagem regressiva do BitRef, lida em 13 de outubro de 2026, ele cai perto de abril; o IG fala em meados do ano. As duas estimativas cabem no mesmo código, porque o protocolo não marca dia: marca o bloco do corte, o 1.050.000. A data anda conforme o ritmo em que os blocos saem. Quando as máquinas da rede aceleram, a estimativa se adianta; quando desaceleram, ela atrasa.

Com a data, vem a pergunta do preço. A emissão que o corte reduz é pequena perto do bitcoin que troca de mão, e a alta que seguiu cada halving encolheu de um ciclo para o outro. O único efeito certo é sobre o minerador, que perde quase metade da receita por máquina.

Quanto a emissão cai: de 3.200 para 1.600 bitcoins por semana

A recompensa por bloco ganha escala quando vira bitcoins por semana. O Hashrate Index, que acompanha a economia da mineração, registrou na semana de 23 de fevereiro de 2026 taxas de 16 BTC. Taxa é o que os usuários pagam para pôr uma transação num bloco, e aquelas equivaliam a 0,50% da recompensa. Se 16 BTC são 0,50%, a recompensa da semana foi de cerca de 3.200 BTC, todo o bitcoin novo daqueles sete dias. Com o bitcoin a US$ 64.912 naquela data, eram US$ 207,7 milhões.

Depois do halving, a mesma semana emite cerca de 1.600 BTC. A emissão funciona como a torneira de uma caixa d'água: o halving aperta o registro até a vazão cair à metade. Mas o preço se forma na caixa, no estoque de moedas que já existem e mudam de dono todo dia. É esse aperto que se vende como choque de oferta. O tamanho dele só aparece contra o que entra e sai da caixa no mesmo período.

Um dia de entrada nos ETFs pesa mais que três semanas de emissão

Os ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos são fundos negociados em bolsa que guardam o próprio bitcoin. Em 4 de setembro de 2026, eles captaram US$ 730,9 milhões, a maior entrada diária desde 14 de janeiro, pelos números do Cointelegraph Brasil. Só o IBIT, da BlackRock, ficou com US$ 454 milhões, 62% do dia. Medido em bitcoin novo, aquele dia vale mais de três semanas de emissão.

Um dia de entrada nos ETFs valeu 3,5 semanas de bitcoin novo

Quantas vezes a recompensa cobre as taxas
200
Bitcoins novos emitidos na semana
3.200
Valor da semana de emissão
US$ 64.912US$ 207.718.400
em milhões de dólares
207,72
Semanas de emissão que um dia de ETF comprou
730,93,52
A emissão da semana sai das taxas de 16 BTC, que eram 0,50% da recompensa, e é avaliada ao preço de 23/2/2026. A recompensa inteira entra como 100%, e o milhão de dólares só converte a unidade. A entrada nos ETFs, de 4/9/2026, é do Cointelegraph Brasil. Fonte: Hashrate Index, 23/2/2026.

A emissão está avaliada ao preço de 23 de fevereiro, e o de setembro era outro. Para que uma semana de emissão valesse aquele dia de entrada, o bitcoin teria de custar cerca de US$ 228 mil. É quase o triplo dos US$ 83 mil em que ele estava no começo de outubro de 2026. Depois de 2028, com metade da emissão, o mesmo dia equivaleria a cerca de sete semanas ao preço de fevereiro.

A venda se mede na mesma régua. A CryptoQuant lê os dados on-chain, os registros públicos da própria rede. Em 21 de agosto, ela contou 23.000 BTC de lucro realizado, o maior volume diário do ano: moedas vendidas acima do preço pelo qual tinham sido compradas. São 7,2 semanas da emissão atual e 14,4 da que vem depois do corte. Pela mesma leitura, a alta daquele período veio de operadores fechando apostas na queda, as posições vendidas, e não de comprador novo.

O fluxo dos ETFs também vira. Nos mesmos dias de outubro, os fundos americanos tiveram o pior dia desde junho, com resgates de US$ 487 milhões. Ao preço de fevereiro, são 2,3 semanas de emissão vendidas num dia só.

Depois de cada halving, a alta encolheu: de 83 vezes para 6,8

O IG publica o preço do bitcoin perto de cada halving e o pico que veio depois: o fim de 2013, o fim de 2017 e o topo após 2020. Dividir um preço pelo outro mostra quanto o bitcoin multiplicou em cada ciclo. A conta abaixo inclui o de 2024, medido pelo preço de outubro de 2026.

O preço multiplicou 83 vezes depois do halving de 2012 e 1,3 vez depois do de 2024

2012
2016
2020
2024
Preço perto do halving
US$ 12
US$ 650
US$ 8.800
US$ 64.000
Preço depois
US$ 1.000
US$ 20.000
US$ 60.000
US$ 83.000
Vezes que o preço multiplicou
83,33
30,77
6,82
1,3
em alta percentual
8.233,33%
2.976,92%
581,82%
29,69%
Em 2012, 2016 e 2020, o segundo preço é o pico que o IG cita: o fim de 2013, o fim de 2017 e o topo depois de 2020; em 2020, a conta usa o alto da faixa que ele dá para o halving. Em 2024, o segundo preço não é um pico: é o das manchetes de 8/10/2026, do Portal do Bitcoin e da ADVFN. Fonte: IG, 13/10/2026.

Os três primeiros números comparam o halving com o pico seguinte, e caíram a cada ciclo. O de 2024 compara com o preço de outubro de 2026, 30 meses depois do corte, e não com um pico. Esse corte aconteceu perto de US$ 64.000, abaixo da máxima de US$ 73.000 de março de 2024: dessa vez, o preço subiu antes do halving. Em 23 de fevereiro de 2026, com queda de 25,7% no ano, o bitcoin valia praticamente o mesmo do dia do corte.

Não sabemos para onde o preço vai depois de 2028, e a sequência não responde. Ela mostra que contar o retorno a partir do halving é escolher o ponto de partida pelo calendário do protocolo. Numa posição em bitcoin, o retorno se mede no ciclo inteiro, com a rentabilidade ponderada pelo tempo, que separa o depósito do que o ativo rendeu.

Três ciclos, três compradores: por que a amostra não vira regra

A regra das contagens regressivas diz que o preço sobe depois do halving, e ela acerta o retrospecto: subiu depois de 2012, de 2016 e de 2020. O que ela não registra é que o comprador mudou a cada ponto. Em 2012 e 2016, quem comprava era a pessoa física, em corretora de cripto. Em 2020, entraram empresas que puseram bitcoin no balanço, um mercado que hoje tem ETF na B3 em ações dessas empresas. Em 2024, chegou o ETF à vista americano, e a máxima de março mostra esse comprador agindo antes do corte.

Três pontos com três causas não sustentam uma reta, e o quarto, até outubro de 2026, ficou longe dela. A contagem regressiva tem a precisão de um relógio atômico para o bloco e a de um horóscopo para o preço.

O comprador marginal de hoje, o que decide o preço na ponta, é um fundo que segue uma alocação de carteira. Esse fundo rebalanceia quando mudam o juro americano e o dólar. Quando o Fed, o banco central americano, sobe o juro, o título do Tesouro dos Estados Unidos passa a pagar mais. Esse título compete com o bitcoin na mesma carteira, qualquer que seja a emissão do mês.

Para o minerador, o efeito é certo: a receita por máquina cai quase à metade

Na mineração, o corte tem efeito de contabilidade. O hashprice é a receita diária de cada unidade de poder de processamento, e estava em US$ 28,25 por PH/s ao dia em 23 de fevereiro de 2026, pelo Hashrate Index. Um PH/s é um quatrilhão de cálculos por segundo, e a rede inteira rodava a 1.023 EH/s, pouco mais de 1 milhão de PH/s. Quase toda essa receita vem da recompensa, porque as taxas eram uma fração mínima dela.

Com preço, taxas e rede parados, o halving leva o hashprice de US$ 28,25 a US$ 14,20

Recompensa mais taxas, para cada 1 de recompensa
1,0050
Parte do hashprice que vem da recompensa
US$ 28,11
Parte que vem das taxas
US$ 0,14
O halving divide a recompensa por
2,0000
Recompensa por PH/s ao dia depois do corte
US$ 14,05
Hashprice depois do halving
US$ 14,20
variação da receita por máquina
−49,75%
Exercício com o preço do bitcoin, as taxas e o poder de processamento da rede de 23/2/2026; só a recompensa por bloco muda. As taxas entram como 0,50% da recompensa, e o hashprice soma as duas. Fonte: Hashrate Index, 23/2/2026.

A queda fica em 49,8%, e não em 50%, porque as taxas não são cortadas. A conta de luz da máquina, que o halving não toca, continua a mesma.

Na prática, o resto não fica parado. Se a receita cai à metade e a eletricidade não, a máquina menos eficiente, a que gasta mais energia por cálculo, deixa de se pagar e desliga. A rede responde pelo ajuste de dificuldade, o mecanismo que deixa a mineração mais fácil ou mais difícil para manter o ritmo dos blocos. Na semana de 23 de fevereiro, a dificuldade subiu 14,73%. Se máquinas saem depois do corte, ela cede, as que sobram dividem a recompensa menor, e a emissão segue o ritmo do código.

Para quem tem bitcoin, o halving não muda a custódia nem o imposto

As duas tarefas que decidem o resultado líquido de quem tem bitcoin seguem as mesmas antes e depois do corte. A primeira é a custódia. Bitcoin em corretora é um crédito contra ela, sem FGC, e o que está em risco se ela quebrar é o saldo inteiro. Onde guardar, da corretora à carteira própria, se decide por quem tem a chave privada, não pela contagem do bloco.

Do Brasil, há duas portas para o bitcoin: a corretora de cripto e o ETF listado na B3, com taxa e custodiante próprios. A segunda tarefa é o imposto da venda, que segue a regra da porta usada na compra: corretora brasileira, corretora no exterior ou ETF. A conta do imposto sobre criptomoedas em 2026 muda de uma porta para a outra, e o calendário do protocolo não entra nela.

Perguntas frequentes

Porque o protocolo corta a recompensa a cada 210 mil blocos, e não por data. O de 2028, o quinto, cai no bloco 1.050.000, cinco vezes 210 mil. Na semana de 23 de fevereiro de 2026, saíram cerca de 1.024 blocos, perto de um a cada dez minutos, ritmo que o ajuste de dificuldade sustenta. Nesse ritmo, 210 mil blocos levam perto de quatro anos, e por isso os cortes caíram em 2012, 2016, 2020 e 2024.
Não muda: é o halving que produz o limite. Como a recompensa cai à metade a cada corte, a soma de todos os bitcoins emitidos se aproxima de 21 milhões sem passar disso, e o último sai por volta de 2140. Para alterar o teto, seria preciso mudar o código e convencer a rede a rodar a versão nova. Nenhum halving faz isso por conta própria.
A recompensa por bloco chega a zero, e o minerador passa a viver só das taxas que os usuários pagam para ter a transação incluída num bloco. Hoje essas taxas são uma fração pequena da receita: no começo de 2026, pagavam meio por cento do que a recompensa pagava. A pergunta de longo prazo da rede é se as taxas crescem o bastante para pagar a segurança que a emissão paga hoje.
Não. O corte reduz só o bitcoin novo que vai para os mineradores. O saldo na corretora, a moeda na carteira própria e as cotas de um ETF ficam como estão. O halving também não é evento de imposto: a Receita tributa a venda com ganho, não a mudança na emissão. O que pode variar no período é o preço, como em qualquer outro, e é por ele que o saldo em reais muda.

Fontes

  1. Bitcoin Halving Countdown (13 de outubro de 2026)
  2. O que é o halving do bitcoin e quando será o próximo evento (29 de julho de 2026)
  3. Bitcoin halving 2028: what you need to know (13 de outubro de 2026)
  4. ETFs de bitcoin captam US$ 731 milhões, maior entrada desde janeiro (com dados da CryptoQuant) (4 de setembro de 2026)
  5. Hashrate Index Roundup, February 23, 2026 (23 de fevereiro de 2026)
  6. Manchetes de 6 a 8 de outubro de 2026: bitcoin perto de US$ 83 mil e ETFs com resgates de US$ 487 milhões (8 de outubro de 2026)

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