Em reais, o Nasdaq 100 fica à frente do CDI em 2026 enquanto a queda do dólar no ano não passar de 6,7%. Até 12 de outubro, o índice rendeu 21,9% em dólar, com dividendos, e a régua é o CDI de 13,75% ao ano. É com essa folga que se paga o risco de um índice com 51% do peso em dez empresas, comprado a 37,5 vezes o lucro.
De 31 de dezembro de 2025 a 12 de outubro de 2026, o Nasdaq 100 subiu 21,9% em dólar, com dividendos reinvestidos. A medida vem do QQQ, o ETF americano que replica o índice: pela série da ChartRow, a cota foi de US$ 614,31 a US$ 746,04, alta de 21,4% no preço, e os dividendos completam o resto. Do lado brasileiro, a régua é o CDI, que acompanha a Selic. O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, o quinto corte seguido, como mostra o histórico de decisões do Copom.
Os dois números não estão na mesma moeda nem no mesmo prazo. Os 21,9% cobrem nove meses e meio em dólar, e os 13,75% são uma taxa de um ano em reais, acima do CDI acumulado no ano. Para levar o índice a reais, a conta multiplica o fator do retorno em dólar pelo fator da variação do câmbio. A peça abaixo faz o caminho inverso: quanto o dólar pode cair até o índice empatar com um ano de CDI.
O ano de 21,9% do Nasdaq 100 em dólar empata com o CDI se o dólar cair 6,7%
O empate fica num dólar 6,7% mais barato em 12 de outubro do que em 31 de dezembro. A régua ainda pesa contra o índice, porque compara nove meses e meio de bolsa com doze meses de CDI, e o empate com o CDI do próprio período fica um pouco além de 6,7%. A tabela aplica a mesma conta a cinco variações de câmbio, cada uma um exemplo, sem previsão em nenhuma delas.
| Dólar contra o real no período (hipótese) | Nasdaq 100 em reais | Diferença para o CDI de 13,75% | R$ 100 mil viram |
|---|---|---|---|
| Sobe 5% | 28,0% | +14,2 pontos | R$ 127.995 |
| Fica parado | 21,9% | +8,2 pontos | R$ 121.900 |
| Cai 5% | 15,8% | +2,1 pontos | R$ 115.805 |
| Cai 6,7% | 13,75% | Empate | R$ 113.750 |
| Cai 10% | 9,7% | -4,0 pontos | R$ 109.710 |
Em R$ 100 mil, o CDI de um ano entrega R$ 113.750, e cada ponto de queda do dólar tira R$ 1.219 do lado do índice. Os dois valores vêm antes do imposto e do custo do caminho escolhido, ETF na B3 ou conta no exterior, que o guia dos três caminhos para investir nos EUA põe lado a lado.
No mesmo 16 de setembro do corte do Copom, o Fed, o banco central americano, subiu os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Foi a primeira alta em três anos. Com a Selic a 13,75%, o diferencial de juros entre os dois países ficou em 9,75 pontos, contado no topo da faixa americana. Esse diferencial é o prêmio anual de ficar em reais, e as duas decisões do dia o estreitaram ao mesmo tempo.
Não prevemos câmbio, e o diferencial sozinho não permite prever, porque o dólar responde a mais coisas que o juro. O efeito das duas decisões sobre o dólar tem análise própria. Para o Nasdaq 100, basta saber que a variável que decide o empate com o CDI é a mesma que o Fed e o Copom mexeram naquele dia.
O que se pode medir é o passado da própria carteira. A rentabilidade comparada ao CDI e a um índice, no período em que o dinheiro ficou aplicado, mostra de que lado do empate a parte em dólar esteve.
Os 21,9% de 2026 vêm depois de três anos bons e de um muito ruim, e a sequência mostra o que a folga sobre o CDI precisa pagar. A tabela traz o retorno de cada ano em dólar, com dividendos, pela ChartRow.
| Ano | Retorno do Nasdaq 100 em dólar, com dividendos |
|---|---|
| 2022 | -32,6% |
| 2023 | +54,9% |
| 2024 | +25,6% |
| 2025 | +20,8% |
| 2026, até 12 de outubro | +21,9% |
Quem entrou no começo de 2022 perdeu 32,6% no primeiro ano. Mesmo com os 54,9% do segundo, terminou 2023 só 4,4% acima do ponto de partida, em dólar (0,674 × 1,549 = 1,044). No mesmo par de anos, o CDI somou dois anos de juro sem um dia negativo.
Desde 2000, o ano em que a bolha de tecnologia estourou, o índice fechou positivo em 20 de 26 anos completos e negativo em seis. Dentro de 2026 também houve queda: de 28 de janeiro a 30 de março, o índice perdeu 11,7% antes de retomar a alta. A média de um período longo dilui um ano como 2022 entre os anos bons. Lida ano a ano, a série mostra o que cada ponto acima do CDI custou em oscilação.
O nome diz cem empresas, mas as dez maiores somavam 51% do Nasdaq 100 em 12 de outubro, pela composição publicada pela ChartRow. A Nvidia sozinha pesa 8,56%, seguida de Apple (7,78%), Microsoft (6,27%) e Alphabet (6,14%). Micron, Amazon, AMD, Meta, Tesla e Broadcom completam a lista, com pesos entre 4,78% e 2,62%. De cada R$ 1.000 aplicados no índice, R$ 510 vão para essas dez, e as outras noventa dividem R$ 490.
A concentração do S&P 500 em sete empresas já é alta para um índice de quinhentas. O Nasdaq 100 parte de uma lista menor, só de empresas não financeiras, e com metade do peso em dez vai além. Quem tem os dois índices na carteira compra as mesmas empresas grandes duas vezes, e o peso delas se soma.
Dentro das dez, a concentração ainda tem um setor. Nvidia, Micron, AMD e Broadcom vivem do mesmo ciclo, o da demanda por chips.
Nvidia, Micron, AMD e Broadcom somam 20,11% do Nasdaq 100
Quando as encomendas de chips desaceleram, o tropeço chega às quatro empresas de uma vez, e com elas a um quinto do índice. Não sabemos quando esse peso vai diminuir. Nas concentrações anteriores, ele diminuiu.
A defesa mais comum do Nasdaq 100 é que ele serve a quem busca crescimento no longo prazo, e a contagem de anos positivos desde 2000 dá razão a ela quanto às empresas. Discordamos de que isso responda se o índice vale a pena, porque a qualidade das empresas e o preço de entrada se medem separados. Em 12 de outubro, o Nasdaq 100 negociava a 37,5 vezes o lucro dos últimos 12 meses, pela ChartRow.
Virado ao contrário, o múltiplo diz quanto lucro vem com cada real aplicado: R$ 100 no índice correspondem a R$ 2,67 de lucro das empresas em um ano. Do lado brasileiro, o Focus de 11 de setembro espera IPCA de 4,90% em 2026. Descontada essa inflação, o CDI de 13,75% deixa um juro real de 8,4% ao ano. A conta põe os dois na mesma linha.
A 37,5 vezes o lucro, o Nasdaq 100 rende 2,67% sobre o preço, 5,8 pontos abaixo do juro real do CDI
A diferença é uma leitura do preço, e não uma previsão. O que fecha a distância é o crescimento do lucro. Na conta simples, com múltiplo e câmbio parados, o lucro das cem empresas teria de crescer perto de 5,8 pontos ao ano acima da inflação, por muitos anos. Um múltiplo de 37,5 já supõe esse crescimento, e quem compra o índice a esse preço paga por ele antes de ele acontecer.
Em R$ 100 mil, o juro real do CDI soma R$ 8.437 de poder de compra em um ano. Os mesmos R$ 100 mil no Nasdaq 100 correspondem a R$ 2.667 de lucro das empresas. Os R$ 5.770 de diferença são o que o crescimento do lucro e o câmbio precisam cobrir antes que o risco de bolsa, de moeda e de concentração pague alguma coisa.
Fontes
- Nasdaq 100 year by year: retornos anuais com dividendos, retorno de 2026, múltiplo preço/lucro e rendimento de dividendos (ChartRow) (12 de outubro de 2026)
- Nasdaq 100 companies: pesos dos constituintes do índice (ChartRow) (12 de outubro de 2026)
- Copom corta a Selic de 14% para 13,75% e Focus de 11/9 projeta IPCA de 4,90% para 2026 (Economic News Brasil) (16 de setembro de 2026)
- Histórico das taxas de juros fixadas pelo Copom (Banco Central) (16 de setembro de 2026)
- Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos, para a faixa de 3,75% a 4,00% (Seu Dinheiro) (16 de setembro de 2026)
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