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Torre da Nasdaq em Times Square iluminada à noite

Nasdaq 100 vale a pena? Um dólar 6,7% menor empata com o CDI

Equipe Vesuvian8 min de leitura

Em reais, o Nasdaq 100 fica à frente do CDI em 2026 enquanto a queda do dólar no ano não passar de 6,7%. Até 12 de outubro, o índice rendeu 21,9% em dólar, com dividendos, e a régua é o CDI de 13,75% ao ano. É com essa folga que se paga o risco de um índice com 51% do peso em dez empresas, comprado a 37,5 vezes o lucro.

Nasdaq 100 em 2026: 21,9% em dólar, e o câmbio decide quanto sobra contra o CDI

De 31 de dezembro de 2025 a 12 de outubro de 2026, o Nasdaq 100 subiu 21,9% em dólar, com dividendos reinvestidos. A medida vem do QQQ, o ETF americano que replica o índice: pela série da ChartRow, a cota foi de US$ 614,31 a US$ 746,04, alta de 21,4% no preço, e os dividendos completam o resto. Do lado brasileiro, a régua é o CDI, que acompanha a Selic. O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, o quinto corte seguido, como mostra o histórico de decisões do Copom.

Os dois números não estão na mesma moeda nem no mesmo prazo. Os 21,9% cobrem nove meses e meio em dólar, e os 13,75% são uma taxa de um ano em reais, acima do CDI acumulado no ano. Para levar o índice a reais, a conta multiplica o fator do retorno em dólar pelo fator da variação do câmbio. A peça abaixo faz o caminho inverso: quanto o dólar pode cair até o índice empatar com um ano de CDI.

O ano de 21,9% do Nasdaq 100 em dólar empata com o CDI se o dólar cair 6,7%

Fator do índice em dólar
21,9%1,2190
Fator do CDI em um ano
13,75%1,1375
Variação do dólar contra o real que iguala os dois
−6,69%
O retorno do índice vai de 31/12/2025 a 12/10/2026, medido pelo ETF QQQ com dividendos reinvestidos. O CDI entra pela Selic meta do Copom como régua de um ano inteiro, mais alta que o CDI acumulado no período. A conta não desconta imposto nem custo do veículo. Fonte: ChartRow, 12/10/2026.

O empate fica num dólar 6,7% mais barato em 12 de outubro do que em 31 de dezembro. A régua ainda pesa contra o índice, porque compara nove meses e meio de bolsa com doze meses de CDI, e o empate com o CDI do próprio período fica um pouco além de 6,7%. A tabela aplica a mesma conta a cinco variações de câmbio, cada uma um exemplo, sem previsão em nenhuma delas.

Dólar contra o real no período (hipótese)Nasdaq 100 em reaisDiferença para o CDI de 13,75%R$ 100 mil viram
Sobe 5%28,0%+14,2 pontosR$ 127.995
Fica parado21,9%+8,2 pontosR$ 121.900
Cai 5%15,8%+2,1 pontosR$ 115.805
Cai 6,7%13,75%EmpateR$ 113.750
Cai 10%9,7%-4,0 pontosR$ 109.710

Em R$ 100 mil, o CDI de um ano entrega R$ 113.750, e cada ponto de queda do dólar tira R$ 1.219 do lado do índice. Os dois valores vêm antes do imposto e do custo do caminho escolhido, ETF na B3 ou conta no exterior, que o guia dos três caminhos para investir nos EUA põe lado a lado.

O Fed subiu e o Copom cortou no mesmo dia, e o diferencial ficou em 9,75 pontos

No mesmo 16 de setembro do corte do Copom, o Fed, o banco central americano, subiu os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Foi a primeira alta em três anos. Com a Selic a 13,75%, o diferencial de juros entre os dois países ficou em 9,75 pontos, contado no topo da faixa americana. Esse diferencial é o prêmio anual de ficar em reais, e as duas decisões do dia o estreitaram ao mesmo tempo.

Não prevemos câmbio, e o diferencial sozinho não permite prever, porque o dólar responde a mais coisas que o juro. O efeito das duas decisões sobre o dólar tem análise própria. Para o Nasdaq 100, basta saber que a variável que decide o empate com o CDI é a mesma que o Fed e o Copom mexeram naquele dia.

O que se pode medir é o passado da própria carteira. A rentabilidade comparada ao CDI e a um índice, no período em que o dinheiro ficou aplicado, mostra de que lado do empate a parte em dólar esteve.

Em 2022 o Nasdaq 100 perdeu 32,6% em dólar e só se recuperou em 2023

Os 21,9% de 2026 vêm depois de três anos bons e de um muito ruim, e a sequência mostra o que a folga sobre o CDI precisa pagar. A tabela traz o retorno de cada ano em dólar, com dividendos, pela ChartRow.

AnoRetorno do Nasdaq 100 em dólar, com dividendos
2022-32,6%
2023+54,9%
2024+25,6%
2025+20,8%
2026, até 12 de outubro+21,9%

Quem entrou no começo de 2022 perdeu 32,6% no primeiro ano. Mesmo com os 54,9% do segundo, terminou 2023 só 4,4% acima do ponto de partida, em dólar (0,674 × 1,549 = 1,044). No mesmo par de anos, o CDI somou dois anos de juro sem um dia negativo.

Desde 2000, o ano em que a bolha de tecnologia estourou, o índice fechou positivo em 20 de 26 anos completos e negativo em seis. Dentro de 2026 também houve queda: de 28 de janeiro a 30 de março, o índice perdeu 11,7% antes de retomar a alta. A média de um período longo dilui um ano como 2022 entre os anos bons. Lida ano a ano, a série mostra o que cada ponto acima do CDI custou em oscilação.

Dez empresas são 51% do Nasdaq 100, e quatro de chips somam um quinto

O nome diz cem empresas, mas as dez maiores somavam 51% do Nasdaq 100 em 12 de outubro, pela composição publicada pela ChartRow. A Nvidia sozinha pesa 8,56%, seguida de Apple (7,78%), Microsoft (6,27%) e Alphabet (6,14%). Micron, Amazon, AMD, Meta, Tesla e Broadcom completam a lista, com pesos entre 4,78% e 2,62%. De cada R$ 1.000 aplicados no índice, R$ 510 vão para essas dez, e as outras noventa dividem R$ 490.

A concentração do S&P 500 em sete empresas já é alta para um índice de quinhentas. O Nasdaq 100 parte de uma lista menor, só de empresas não financeiras, e com metade do peso em dez vai além. Quem tem os dois índices na carteira compra as mesmas empresas grandes duas vezes, e o peso delas se soma.

Dentro das dez, a concentração ainda tem um setor. Nvidia, Micron, AMD e Broadcom vivem do mesmo ciclo, o da demanda por chips.

Nvidia, Micron, AMD e Broadcom somam 20,11% do Nasdaq 100

Nvidiaa maior do índiceMicronAMDBroadcomPeso das quatroempresas de chips no índice
8,56%
4,78%
4,15%
2,62%
20,11%
Fonte: ChartRow, 12/10/2026.

Quando as encomendas de chips desaceleram, o tropeço chega às quatro empresas de uma vez, e com elas a um quinto do índice. Não sabemos quando esse peso vai diminuir. Nas concentrações anteriores, ele diminuiu.

A 37,5 vezes o lucro, R$ 100 no Nasdaq 100 correspondem a R$ 2,67 de lucro

A defesa mais comum do Nasdaq 100 é que ele serve a quem busca crescimento no longo prazo, e a contagem de anos positivos desde 2000 dá razão a ela quanto às empresas. Discordamos de que isso responda se o índice vale a pena, porque a qualidade das empresas e o preço de entrada se medem separados. Em 12 de outubro, o Nasdaq 100 negociava a 37,5 vezes o lucro dos últimos 12 meses, pela ChartRow.

Virado ao contrário, o múltiplo diz quanto lucro vem com cada real aplicado: R$ 100 no índice correspondem a R$ 2,67 de lucro das empresas em um ano. Do lado brasileiro, o Focus de 11 de setembro espera IPCA de 4,90% em 2026. Descontada essa inflação, o CDI de 13,75% deixa um juro real de 8,4% ao ano. A conta põe os dois na mesma linha.

A 37,5 vezes o lucro, o Nasdaq 100 rende 2,67% sobre o preço, 5,8 pontos abaixo do juro real do CDI

Lucro sobre o preço, em 12 meses
37,50002,67%
CDI de um ano, em fator
13,75%1,1375
IPCA esperado, em fator
4,9%1,0490
Juro real do CDI
8,44%
Vantagem do juro real sobre o lucro do índice
5,77 pontos
Hipótese de exercício: R$ 100 de cota, para ler o múltiplo como lucro por real aplicado. O juro real usa a Selic meta do Copom como CDI de um ano e a mediana do Focus de 11/9/2026 para o IPCA de 2026, publicada pelo Banco Central. Fonte: ChartRow, 12/10/2026.

A diferença é uma leitura do preço, e não uma previsão. O que fecha a distância é o crescimento do lucro. Na conta simples, com múltiplo e câmbio parados, o lucro das cem empresas teria de crescer perto de 5,8 pontos ao ano acima da inflação, por muitos anos. Um múltiplo de 37,5 já supõe esse crescimento, e quem compra o índice a esse preço paga por ele antes de ele acontecer.

Em R$ 100 mil, o juro real do CDI soma R$ 8.437 de poder de compra em um ano. Os mesmos R$ 100 mil no Nasdaq 100 correspondem a R$ 2.667 de lucro das empresas. Os R$ 5.770 de diferença são o que o crescimento do lucro e o câmbio precisam cobrir antes que o risco de bolsa, de moeda e de concentração pague alguma coisa.

Perguntas frequentes

O Nasdaq 100 reúne as cem maiores empresas não financeiras listadas na bolsa Nasdaq. O S&P 500 reúne quinhentas grandes empresas americanas de vários setores, listadas em mais de uma bolsa, com bancos e seguradoras incluídos. Por excluir as financeiras e partir de uma lista menor, o Nasdaq 100 dá mais peso à tecnologia. As maiores empresas do setor estão nos dois índices.
Não. Nasdaq é o nome da bolsa americana onde as ações são negociadas. É também o nome de um índice amplo, o Nasdaq Composite, que reúne as ações listadas nela. O Nasdaq 100 é um recorte: as cem maiores empresas não financeiras dessa bolsa. Quando um fundo ou ETF diz seguir a Nasdaq, o regulamento informa qual índice ele replica, e a concentração muda de um para o outro.
Há dois caminhos principais. Na B3, ETFs que replicam o índice se compram em reais, na mesma corretora das ações brasileiras, sem remessa. A variação do dólar entra no preço da cota. Numa conta no exterior, o dinheiro passa pelo câmbio e compra um ETF listado nos EUA, como o QQQ. Os dois caminhos pagam imposto sobre o ganho, com calendários diferentes, e o custo de entrar e de ficar também muda.
Paga pouco. Em 12 de outubro de 2026, o rendimento de dividendos do índice era de 0,57% ao ano, pouco mais de um quinto do lucro das empresas, que reinvestem quase todo o resto. Os retornos anuais do artigo já incluem os dividendos reinvestidos. Para quem mora no Brasil, os EUA retêm imposto sobre o dividendo antes de ele chegar ao fundo ou à conta, e o que entra fica ainda menor.

Fontes

  1. Nasdaq 100 year by year: retornos anuais com dividendos, retorno de 2026, múltiplo preço/lucro e rendimento de dividendos (ChartRow) (12 de outubro de 2026)
  2. Nasdaq 100 companies: pesos dos constituintes do índice (ChartRow) (12 de outubro de 2026)
  3. Copom corta a Selic de 14% para 13,75% e Focus de 11/9 projeta IPCA de 4,90% para 2026 (Economic News Brasil) (16 de setembro de 2026)
  4. Histórico das taxas de juros fixadas pelo Copom (Banco Central) (16 de setembro de 2026)
  5. Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos, para a faixa de 3,75% a 4,00% (Seu Dinheiro) (16 de setembro de 2026)

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