A Nasdaq caiu 5,30% em outubro porque a dúvida sobre o retorno dos gastos em inteligência artificial chegou aos fabricantes de chips. Em reais, a perda ficou em 0,91%, porque o dólar subiu 4,64% no mês. No S&P 500, a mesma alta da moeda transformou uma queda de 0,93% em ganho de 3,66%.
A Nasdaq Composite reúne as ações listadas na Nasdaq, a bolsa eletrônica americana. O índice passou de 26.861,06 pontos em 30 de setembro para 25.437,00 em 30 de outubro, pelos fechamentos do FRED, o banco de dados do Fed de St. Louis. A queda de 5,30% fez de outubro o pior mês do índice desde março de 2025. A comparação é da TheStreet, site americano de análise de mercado.
A queda nasce de uma dúvida sobre a inteligência artificial. As grandes empresas de tecnologia gastam alto para treinar e rodar modelos de IA, e ainda falta saber quando esse gasto volta como lucro. Em outubro, a dúvida saiu de quem gasta e chegou a quem vende o equipamento. Os fabricantes de chips puxaram a queda, e o setor de tecnologia do S&P 500 perdeu 6,8% no mês, também pela conta da TheStreet.
O caso mais visível foi o da Intel, que caiu 28,6% em 30 de outubro depois de divulgar uma projeção fraca. A ação reagiu ao que a empresa disse dos meses seguintes, e esse é o padrão das temporadas de resultados. O trimestre encerrado é comparado com as estimativas e absorvido no mesmo dia. O guidance, a projeção que a própria empresa publica, muda o lucro esperado para os trimestres seguintes, e com ele o preço que o comprador aceita pagar pela ação.
Quem investe na Nasdaq a partir do Brasil, por ETF, BDR ou conta no exterior, vê o índice convertido em reais. A PTAX de venda do Banco Central passou de R$ 5,1809 em 30 de setembro para R$ 5,4212 em 30 de outubro. Foi uma alta de 4,64% no mês, e o resultado em reais multiplica os dois movimentos, o da bolsa e o da moeda:
Em reais, a queda de 5,30% da Nasdaq em outubro virou uma perda de 0,91%
Num exemplo com R$ 100 mil aplicados no índice no fim de setembro, a manchete em dólar sugere uma perda de R$ 5.302 em outubro. O extrato em reais mostra R$ 909 a menos, antes da taxa do produto e da distância entre a cota e o índice.
O retorno em reais é o produto de dois fatores. O da bolsa, 0,9470, diz que cada US$ 100 aplicados viraram US$ 94,70. O do câmbio, 1,0464, diz que cada dólar passou a valer 4,64% mais reais. O produto, 0,9909, é a perda de 0,91%, e a distância até a queda em dólar, 4,39 pontos, foi o que a moeda devolveu a quem investe daqui.
Os 4,39 pontos ficam abaixo da alta do dólar porque a moeda valorizou o que sobrou depois da queda. Sobre os 94,70 que restavam de cada 100, a alta do câmbio acrescenta 4,39. Por isso, quanto maior a queda da bolsa, menor a parte dela que a mesma alta do dólar consegue cobrir.
A conta vale para o ETF da B3, para o BDR e para a conta no exterior, porque os três terminam marcados em reais. O que muda entre os caminhos é o imposto e o custo de cada um. Os produtos de Nasdaq da B3 costumam seguir a Nasdaq 100, cuja variação no mês pode diferir um pouco da Composite. A parcela do câmbio é a mesma.
O S&P 500, o índice das 500 maiores empresas americanas, passou de 7.651,54 pontos em 30 de setembro para 7.580,07 em 30 de outubro. A queda em dólar foi bem menor que a da Nasdaq, porque o tombo da tecnologia se diluiu entre os outros setores do índice. Com o mesmo dólar, a conta dos dois índices fica assim:
Em reais, o S&P 500 ganhou 3,66% em outubro e a Nasdaq perdeu 0,91%
Na Nasdaq, a alta do dólar não chegou a cobrir a queda da bolsa. No S&P 500, passou dela com folga, e o mês fechou com ganho para quem tem o índice em reais. Quem compra esses índices daqui compra ao mesmo tempo uma bolsa e uma moeda. Num exemplo com R$ 100 mil no S&P 500, outubro terminou com R$ 3.661 a mais, numa bolsa que caiu em dólar.
Um mês só é uma amostra curta. A rentabilidade anual do S&P 500 em reais mostra a mesma separação entre bolsa e moeda, ano a ano.
A Nasdaq Composite estava a 25.372,01 pontos em 3 de novembro, ainda abaixo do fechamento de outubro. No mesmo dia, a PTAX tinha subido para R$ 5,4935. Medida desde 30 de setembro, a posição em reais mostrava ganho de 0,16%, sem nenhuma alta da bolsa. A conta: 0,9446 do índice vezes 1,0603 do dólar dá 1,0016. Nos R$ 100 mil do exemplo, a perda de R$ 909 virou ganho de R$ 156, e toda a melhora veio do dólar.
Não prevemos o câmbio, e a conta de outubro não diz nada sobre novembro. O que ela mostra é que o fator do dólar trabalha nos dois sentidos. Num mês em que a bolsa americana cai e o real se valoriza, as duas perdas se multiplicam, e o extrato em reais fica pior que a manchete em dólar. Contra o CDI, a conta de prazo longo é quanto o dólar pode cair até zerar a vantagem da Nasdaq 100.
Uma das forças sobre o dólar é o juro americano. Em 28 de outubro, o Fed manteve a faixa de 3,75% a 4% ao ano, com dois votos por alta, como noticiou o G1. O diferencial entre o juro do Fed e a Selic é o caminho pelo qual essa decisão chega ao câmbio e à carteira.
Para quem tem a Nasdaq ou o S&P 500 na carteira, outubro se lê em duas parcelas, a da bolsa e a da moeda. Comparar a rentabilidade da sua carteira com a do índice, em reais e no mesmo período, mostra se o seu extrato seguiu a conta acima ou a manchete em dólar.
Fontes
- Nasdaq Composite, fechamentos diários de 30/9 a 3/11/2026 (FRED, Federal Reserve Bank of St. Louis) (3 de novembro de 2026)
- S&P 500, fechamentos diários de 30/9 a 2/11/2026 (FRED, Federal Reserve Bank of St. Louis) (2 de novembro de 2026)
- Cotação do dólar PTAX de venda, 28/9 a 3/11/2026 (Banco Central do Brasil, Olinda) (3 de novembro de 2026)
- Chip rout sends Nasdaq to worst month since March 2025 (TheStreet Pro) (30 de outubro de 2026)
- Fed mantém juros na faixa de 3,75% a 4%, com dois votos por alta (G1) (28 de outubro de 2026)
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