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Sim, o BDR paga dividendos: repassa em reais o provento da empresa americana, depois do imposto retido nos EUA. Em R$ 100 mil de COCA34, os proventos de 12 meses somam R$ 1.650, e não os R$ 2.410 do rendimento de 2,41% da Coca-Cola. Quase toda a diferença é a retenção de 30% na fonte, que o imposto brasileiro não devolve.
Em R$ 100 mil no S&P 500, um ETF na Irlanda tem R$ 156 a menos de imposto retido por ano que um fundo americano. A conta parte do rendimento de dividendos do índice, de 1,04% em 9 de outubro de 2026. Desse dividendo, o fundo irlandês perde 15% na fonte, e o americano, cerca de 30%. No IVVB11, que compra um fundo americano, a retenção supera a taxa de administração.
O prazo da troca de BDR do INBR32 fecha às 15h de 16 de outubro de 2026. Quem não se manifestar terá os papéis vendidos entre 19 de outubro e 17 de novembro. Essa é a única saída com imposto conhecido: 15% sobre o ganho, sem a isenção de R$ 20 mil. Sobre a conversão, o Inter não diz nada, e é esse silêncio que torna a troca uma decisão de imposto.
Os juros dos EUA estão na faixa de 3,75% a 4% ao ano desde 16 de setembro de 2026. O Fed decide de novo em 27 e 28 de outubro, e a ata indica mais uma alta de 0,25 ponto. Contra a Selic de 13,75%, são 9,75 a 10 pontos de diferença. Com a nova alta, sobram 9,5 a 9,75 pontos por ano, o custo de estar em dólar.
Em reais, o Nasdaq 100 fica à frente do CDI em 2026 enquanto a queda do dólar no ano não passar de 6,7%. Até 12 de outubro, o índice rendeu 21,9% em dólar, com dividendos, e a régua é o CDI de 13,75% ao ano. É com essa folga que se paga o risco de um índice com 51% do peso em dez empresas, comprado a 37,5 vezes o lucro.
Investir no exterior vale a pena como seguro de moeda, e não como aposta de render mais que o CDI. Com a Selic a 13,75%, o Treasury de 10 anos, a 5,01%, só empata com o CDI se o dólar subir 8,3% em um ano. No piso de 16% estimado pela FGV, e com o câmbio parado, o seguro custa R$ 1.398 por ano em cada R$ 100 mil.
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