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O que é CDI: o juro entre bancos que rendeu 6,30% acima do IPCA

Equipe Vesuvian8 min de leitura

O CDI é a taxa dos empréstimos de um dia que os bancos fazem entre si para fechar o caixa. É por ela que CDB, LCI e fundos dizem quanto pagam. Em 9 de outubro de 2026, estava em 13,65% ao ano, abaixo da meta Selic de 13,75%. A 100% do CDI, uma aplicação rendeu 10,50% de janeiro a setembro; descontado o IPCA, sobraram 6,30% de poder de compra.

O que é CDI e como funciona: um empréstimo por um dia útil

Ao fim de cada dia, os pagamentos, saques e depósitos dos clientes deixam alguns bancos com mais dinheiro do que precisam e outros com menos. Quem sobra empresta a quem falta até o dia útil seguinte. O papel que registra esse empréstimo é o Certificado de Depósito Interbancário, o CDI, e a taxa média dessas operações herdou o nome dele.

Essa taxa é publicada ao ano, em base de 252 dias úteis: é a taxa de um dia, composta por 252 dias. Os 13,65% ao ano que a série do CDI anualizado no Banco Central registrava em 9 de outubro equivalem a cerca de 0,0508% por dia útil, o que dá quanto rendem 100 mil no CDI por mês. Uma aplicação atrelada ao CDI acumula essa taxa em cada dia útil, e sábado, domingo e feriado ficam fora da conta.

O CDI não é um investimento: pessoa física não aplica no CDI. Ele é a referência pela qual CDB, LCI, LCA e fundos de renda fixa dizem quanto pagam. Um CDB a 100% do CDI rende a taxa de cada dia, e um a 110% rende 1,1 vez essa taxa. O percentual se aplica a cada dia, com juro sobre juro. Por isso, no fim do período, 110% do CDI acumulam um pouco mais que 1,1 vez o CDI acumulado.

CDI e Selic: 0,10 ponto entre a taxa dos bancos e a meta do Copom

A Selic é a meta que o Copom, o comitê de política monetária do Banco Central, fixa para o juro de um dia. Para manter esse juro perto da meta, o Banco Central compra e vende títulos públicos com os bancos todos os dias. O CDI é a taxa que os bancos acertam entre si nesse ambiente, e por isso fica colado à meta, logo abaixo dela.

A meta em vigor em outubro de 2026 é de 13,75% ao ano. Contra os 13,65% do CDI, a distância é de 0,10 ponto percentual (p.p.).

O CDI acompanhou cada corte da meta Selic e chegou a 13,65% em 9 de outubro

14%14,5%15%1/10/20259/10/2026
Meta Selic definida pelo Copom e CDI anualizado em dias úteis, ambos em % ao ano. Fonte: Banco Central, SGS 432; Banco Central, SGS 4389, 14/10/2026.

As duas linhas mudam de patamar juntas a cada decisão do Copom que mexe na meta. Por isso o rendimento de um CDB pós-fixado se decide em duas partes. O banco fixa o percentual na hora da aplicação, e o Copom, a cada reunião, move a taxa sobre a qual o percentual incide.

Quanto rende 100% do CDI: 10,50% de janeiro a setembro de 2026

O CDI rende só em dia útil, e por isso o de cada mês muda com o calendário. Fevereiro, mais curto e com o Carnaval, teve o menor de 2026, 1,00%; julho teve o maior, 1,22%. A meta também pesa: ela estava mais alta no começo do ano, como mostra o gráfico.

Compostos, juro sobre juro, os nove meses dão 10,50%, que é o CDI acumulado no ano até setembro. Somar as taxas mensais daria 10,04%, e a diferença de 0,46 ponto é o juro que o rendimento de cada mês rendeu nos meses seguintes. Em ritmo anual, os 10,50% de nove meses equivalem a cerca de 14,2% ao ano. É mais que a taxa de outubro porque a meta foi mais alta em boa parte do período.

Esse é o rendimento que um CDB a 100% do CDI mostrou no extrato, antes do imposto. O CDI do período foi o mesmo no CDB de banco grande e no de banco pequeno. O que separa os dois, além do percentual, é o risco de crédito de quem emitiu.

Descontado o IPCA de 3,95%, sobraram 6,30% de poder de compra

O rendimento que o extrato mostra mistura duas partes: a que só repôs a inflação e a que aumentou o que o dinheiro compra. O IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, subiu 3,95% de janeiro a setembro de 2026, com as nove taxas mensais compostas como as do CDI. Para separar as duas partes, a conta divide o que R$ 1 virou no CDI pelo que R$ 1 precisava virar para comprar o mesmo que em janeiro.

O CDI rendeu 10,50% de janeiro a setembro de 2026, e 6,30% acima do IPCA

O que R$ 1 virou no CDI
10,5%1,1050
O que R$ 1 precisava virar para acompanhar o IPCA
3,95%1,0395
Ganho em poder de compra
6,30%
Subtraindo as taxas, conta que exagera o ganho
6,55 pontos
Taxas mensais de janeiro a setembro, compostas mês a mês; antes do imposto de renda. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 4391 e SGS 433, 30/9/2026.

Subtrair as taxas daria 6,55 pontos e exageraria o ganho em 0,25 ponto, porque ignora que a inflação também corrói o próprio rendimento. O erro cresce quando juro e inflação sobem, e por isso o juro real se calcula por divisão. É o resultado da divisão que se compara com o Tesouro IPCA+, cuja taxa já vem expressa acima da inflação, ou com qualquer aplicação medida no mesmo período.

O ganho real de cada mês foi de 0,26% a 1,41%, e quem o moveu foi o IPCA

A tabela põe o CDI de cada mês de 2026 ao lado do IPCA do mesmo mês, e a última coluna é o ganho real do mês, pela mesma divisão da seção anterior. Entre o maior e o menor mês, o CDI variou 0,22 ponto. O IPCA variou 1,20 ponto, da alta de 0,88% em março à deflação de agosto.

Mês de 2026CDI no mêsIPCA no mêsCDI acima do IPCA
Janeiro1,16%0,33%0,83%
Fevereiro1,00%0,70%0,30%
Março1,21%0,88%0,33%
Abril1,09%0,67%0,42%
Maio1,07%0,58%0,49%
Junho1,12%0,16%0,96%
Julho1,22%0,07%1,15%
Agosto1,09%-0,32%1,41%
Setembro1,08%0,82%0,26%
Janeiro a setembro10,50%3,95%6,30%

Os dois extremos do ganho real são meses vizinhos. Em agosto e setembro, o CDI foi praticamente o mesmo, 1,09% e 1,08%. Quem mudou foi o IPCA, que saiu de uma deflação de 0,32% para uma alta de 0,82%.

Com setembro, o IPCA em 12 meses chegou a 4,58%, pelo IBGE, acima do teto da meta de inflação. Para quem tem pós-fixado, é a inflação que move o ganho real. O CDI só muda de patamar quando o Copom muda a meta, e o IPCA muda todo mês.

Para quem tem CDB, o imposto leva perto de um terço do ganho acima da inflação

O Tesouro Selic rende a Selic de cada dia, e não o CDI. As duas taxas andam juntas, a 0,10 ponto uma da outra, e o artigo sobre o Tesouro Selic mede o juro real do título.

Na conta da seção anterior falta o imposto de renda, cuja alíquota depende do produto e do prazo. O exemplo abaixo põe R$ 10.000 a 100% do CDI de janeiro a setembro, com uma alíquota de exemplo de 20% sobre o rendimento.

R$ 10.000 atrelados ao CDI deixaram R$ 445 de poder de compra depois do imposto e da inflação

Rendimento bruto noCDI10,50% sobre oaplicadoImposto de renda20% do rendimentoReposição dainflação3,95% sobre oaplicadoGanho em poder decompra, em reais de setembrosaiR$ 605,0057,6% do bruto
R$ 1.050
− R$ 210
− R$ 395
R$ 445
Hipótese de exercício: R$ 10.000 aplicados em janeiro de 2026 e resgatados no fim de setembro, com imposto de 20% sobre o rendimento; a alíquota de cada caso depende do produto e do prazo. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS 4391 e SGS 433, 30/9/2026.

Os R$ 395 são o que os R$ 10.000 precisavam render só para comprar em setembro o que compravam em janeiro. Antes do imposto, sobravam R$ 655 acima da inflação, e o imposto levou perto de um terço disso, embora a alíquota seja de um quinto. A diferença vem de o imposto incidir sobre o rendimento inteiro, inclusive a parte que só repôs a inflação.

Por isso a comparação que informa é a do ganho real depois do imposto, e não a do percentual do CDI. Para a carteira inteira, a rentabilidade ponderada pelo tempo compara o retorno com o CDI e o IPCA do mesmo período, sem misturar depósito com rendimento.

Perguntas frequentes

O CDI é o empréstimo de um dia entre bancos, e só bancos operam nele. A taxa média dessas operações é o que os extratos chamam de CDI. O CDB, Certificado de Depósito Bancário, é o empréstimo que você faz a um banco quando aplica, com prazo e taxa combinados. Num CDB pós-fixado, a taxa combinada é um percentual do CDI, e o rendimento acompanha o CDI de cada dia útil.
Depende de quantos dias úteis o mês tem, porque o CDI só rende neles. Com a taxa de 13,65% ao ano, um mês de 21 dias úteis rende perto de 1,07%, cerca de R$ 10,70 brutos para cada R$ 1.000. Um mês de 22 dias úteis rende perto de 1,12%. O imposto de renda sai desse rendimento no resgate, com alíquota que depende do produto e do prazo.
A taxa é apurada todo dia útil, mas quase não se move entre uma reunião do Copom e a seguinte. Em 7, 8 e 9 de outubro de 2026, ficou nos mesmos 13,65% ao ano. O que a faz mudar de patamar é a decisão do Copom sobre a meta Selic. O que muda todo dia é o saldo de quem tem a aplicação, que soma o rendimento de mais um dia útil.
O CDI cai na mesma medida quando a nova meta entra em vigor, e um CDB a 100% do CDI passa a render menos ao ano. O ganho em poder de compra depende também da inflação. Se o IPCA cai junto com a Selic, o ganho real que o CDI entrega pode quase não mudar. Por isso um corte de juros se mede pelo juro real, e não pela taxa nominal.

Fontes

  1. Banco Central do Brasil, SGS 4389: CDI anualizado em base de 252 dias úteis (9 de outubro de 2026)
  2. Banco Central do Brasil, SGS 432: meta Selic (4 de outubro de 2026)
  3. Banco Central do Brasil, SGS 4391: CDI mensal (30 de setembro de 2026)
  4. Banco Central do Brasil, SGS 433: IPCA mensal (IBGE) (30 de setembro de 2026)
  5. IBGE: inflação, IPCA acumulado em 12 meses (9 de outubro de 2026)
  6. Serasa: CDI, o que é e como funciona (16 de julho de 2025)

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